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Como minimizar a migração de talentos e perda de recursos?

Mariano Gordinho // quarta-feira, 25/04/2012 11:25

O grande patrimônio de qualquer empresa são as pessoas, os talentos diferenciados que imprimem sua marca em qualquer atividade que executam.

O sucesso de qualquer projeto depende invariavelmente do comprometimento, empenho e dedicação de indivíduos determinados a conquistar o melhor resultado possível.

Como senso comum, não basta as empresas investirem os melhores recursos tecnológicos e volumosas somas de dinheiro, como condição única de alcançar seus objetivos. Essas duas condições, obviamente relevantes, sem o grupo certo de pessoas para executar e garantir a realização das ações e tarefas do plano estratégico, não serão suficientes para assegurar que os objetivos sejam atingidos.

Eu gosto muito de fazer uma analogia com o futebol do passado: Na minha época de adolescente torcedor, um craque (que é a maneira como chamamos um “talento” no futebol) fazia sua carreira inteira num mesmo time – O Pelé teve sua fama e imagem associada ao Santos, o mesmo valeu para o Rivelino com o Corinthians, o Ademir da Guia com o Palmeiras e o Zico com o Flamengo.

Os “talentos” nasciam, evoluiam e se consagravam num único time (empresa). Não havia naquela época a caça voraz por “talentos” alheios.

Os tempos mudaram. Hoje a urgência na execução e atingimento de resultados adicionou um componente novo nas dificuldades enfrentadas pelas empresas em sua busca pelo sucesso: a caça aos talentos (atividade batizada pelos americanos de Head Hunter).  Atualmente é prática corriqueira no mundo empresarial, a tática de atrair talentos alheios já preparados e qualificados, para suprir a demanda por capital intelectual.

O grande desafio das empresas, e dos distribuidores de TI, ao enfrentarmos esse drama talvez de forma mais acentuada, uma vez que nosso setor requer altos índices de especialização técnica, é o de conciliar o investimento em qualificação de profissionais (indiscutivelmente essencial aos negócios) e os programas de retenção de talentos, com os ataques, nem sempre éticos de concorrentes e fornecedores, em busca de recursos preparados e prontos para operar com altos graus de produtividade.

A formação de mão de obra especializada é um processo lento, permanente e invariavelmente de alto custo. Suportar a formação de um profissional desde os estágios iniciais de sua carreira até o atingimento de sua plenitude operacional requer diversas etapas que não podem ser encurtadas.

Do ponto de vista logístico, cada novo curso, treinamento, seminário ou congresso que determinado empregado da empresa venha a participar, requer uma anterioridade, que lhe cria os pré-requisitos para mudar de fase. Tão simples quanto para frequentar uma universidade, uma pessoa precisa formalmente concluir o ensino secundário.

Porém, diferentemente da formação acadêmica que provê ao indivíduo uma formação generalista, que servirá de base para a sua futura especialização, a qualificação do profissional dentro das empresas, encaminha o individuo rumo à alta especialização, ao conhecimento focado voltado à alta produtividade.

E é com esse investimento que as empresas devem se preocupar. Um profissional bem qualificado é tão relevante para a execução das estratégias empresariais quanto a mais moderna tecnologia. Ao realizar a aquisição de dada tecnologia, as empresas adicionam um ativo em seu patrimônio, de maneira similar a aquisição de um bem imóvel.

O investimento na qualificação de profissionais é tratado como despesa e torna-se patrimônio intelectual do indivíduo e não da empresa. Essa lógica só é revertida com programas de retenção de talentos, através dos quais as empresas criam mecanismos de fidelização de seus empregados, objetivando aumentar a longevidade desses recursos na empresa.

Essa equação não é simples, uma vez que ela deve atender de forma eficiente, os objetivos da empresa, tais como, tecnológicos, econômicos e estratégicos, e conciliá-los aos anseios do individuo, tipo, bem estar, estabilidade financeira e realização pessoal.

Focando a discussão na distribuição de TI, a necessidade de qualificar profissionais estratégicos a nossa atividade é fundamental. É impossível imaginar um distribuidor de TI sem especialistas de produtos, sem vendedores permanentemente treinados e reciclados, sem analistas de pré e pós venda, sem técnicos em tecnologia da informação, engenheiros de hardware e software, só para relacionar alguns cargos e funções essenciais à execução do negócio.

Nenhum desses profissionais vem pronto. Não existem faculdades nem cursos preparatórios de especialistas de produtos, nem de vendedores de TI. Esses recursos têm de ser treinados e formados dentro das próprias empresas.

Cumprindo todo ciclo e ritual já abordado acima, é fácil supor que os investimentos realizados na formação desses profissionais, não conseguem ser amortizados em curto prazo. É extremamente importante que cada um desses profissionais treinados, qualificados e produtivos permaneça na empresa por tempo suficiente, não só para permitir o equilíbrio entre investimento x retorno, quanto para assegurar que todo esse potencial intelectual fique a serviço da empresa que o viabilizou.

Por isso a migração sem regras e sem respeito, de profissionais entre empresas de um mesmo setor, concorrentes ou fornecedoras, tem efeito muito negativo nas políticas de qualificação e retenção de talentos, muitas vezes criando fatores inibidores dentro das empresas, o que, em última instância acaba instituindo um verdadeiro círculo vicioso entre a efetiva necessidade de se investir em qualificação e programas de retenção, e o risco de se investir e transferir o fruto do investimento, sem ter necessariamente usufruído de todos os benefícios esperados.

Às vezes sinto saudades dos “craques” de um time só do passado, mas aceito o fato de que vivemos novos tempos, que têm demandas e expectativas diferentes e, precisam ser encarados pragmaticamente dessa forma. Hoje em dia, bons profissionais são menos longevos na história das empresas e, de certa forma, desde que de maneira ética, a alternância de recursos humanos entre empresas, as força a sair de suas “zonas de conforto” e manter uma atitude alerta com relação à preservação de seu principal patrimônio intelectual: As pessoas.
 
* Mariano Gordinho é presidente da Abradisti

COMENTÁRIOS
Cajandá

postado em: dom, 06/05/2012 - 23:30

Como bem dito pelo Pedro o profissional também faz um investimento. A poucos dias sai de uma empresa, a qual não mencionarei o nome, na qual entrei com o intuito de ajudar o desenvolvimento de uma equipe de TI. Trabalho que já fizera, com sucesso, em outras empresas. Após algum tempo de desenvolvimento e definições estratégicas para vencermos o "prazo do comercial", a gerência do projeto começou a tomar decisões que acarretaram o fracasso total do projeto. Incluindo desenvolvimento paralelo com testes e sem dar ouvidos aos técnicos experientes fixou prazos por conta própria. Em pouco tempo até mesmo o cliente pediu pra não mais falar com a gerência. Somado isto a um ambiente de muita humilhação, falta de noção e desrespeito. Resultado: Os profissionais foram ou estão indo embora..

Vitor

postado em: qui, 03/05/2012 - 09:58

O articulista no inicio do artigo disse que os tempos são outros....pq na hora de demiitr alguém o "empresário" (que na minha opinião tá mais para parasita, como bem lembrado pelo Pedro - body shop) não pensa no investimento que o colaborador também fez na empresa, isso mesmo, as pessoas tb investem na empresa que estão atuando, estão sendo remuneradas para estar ali e executar um tipo de atividade, mas quando fazem além do contratado, estão fazendo um investimento para permanecer na empresa e isto não é lembrado quando o cliente cancela o "projeto"...

pedro

postado em: sex, 27/04/2012 - 09:13

Mas isto eh tao facil...imitem a Industria. Tenham um RH com capacidade de ir ao encontro do profissional (RH de Ti geralmente é desastroso), a empresa parar de investir no simples body shop (em TI, isto é normal), tenham metas, projetos, metodfologias. Ou seja, facam o funcionaio sentir que existe uma organizacao, e nao somente a intencao de ganhar dinheiro em cima do cliente. Seria legal se tivesse um sindicato decente, atuante - nao para pedir 36 horas, mas controle de horas, banco de horas, salario, plano, etc - o normal.
Desculpe, mas este tipo de artigo ja esta batido, e sempre no mesmo tom, tergiversando. Seria interessante um artigo propositivo, com ideias claras, factiveis.

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