Início> Artigos> Não podemos deixar o Brasil virar uma Europa

Tamanho da fonte: -A +A

Não podemos deixar o Brasil virar uma Europa

Edgar Serrano // segunda-feira, 23/01/2012 09:27

O Brasil ao conceder “benefícios sociais” sem analisar as reais consequências está próximo de entrar numa espiral negativa como a Europa.

 
Fica evidente que os políticos europeus trocaram benefícios sociais por votos durante décadas.
 
Se mantiveram no poder concedendo paulatinamente “vantagens” que encantava a todos, mas sem riquezas reais para respaldar a “compra de votos”. O povo europeu agora está sofrendo pela forma irresponsável que governos ditos “sociais” os administraram. 
 
Consumiram toda a riqueza dos países e agora, para sobreviver, estão tendo que olhar para o exemplo do único país que seguiu trabalhando durante todo este tempo. A Alemanha. Hoje na miséria, jovens sem emprego e sem perspectiva de futuro, começam a refletir sobre o modelo Alemão (austeridade e muito trabalho).
 
É neste cenário mundial que o Brasil esta travando fortes discussões entre Capital e Trabalho.
 
Ao invés de aproveitarmos o bom momento econômico que conquistamos para crescer, para consolidar as riquezas, para diminuir as desigualdades sociais, nosso país entra em estado de greve reivindicando os mesmos benefícios sociais que levaram os países europeus a falência.
 
Os argumentos usados para reivindicar os novos benefícios sociais são intangíveis, sem embasamento científico. O argumento mais usado é Qualidade de Vida. Sob este “guarda-chuva” os sindicatos laborais pleiteiam no Brasil: redução da jornada de trabalho, aumento salarial acima da inflação, dispositivos para dificultar demissões (aumento do aviso prévio), fim do banco de horas, entre muitos outros. 
 
Quase todos, senão todos são os mesmos “avanços sociais” que destruíram a economia dos países europeus. Na Alemanha o aumento salarial não acompanha a inflação, mas sim o aumento de produtividade do país e das empresas.
 
Não podemos cometer no RS e no Brasil os mesmos erros dos países europeus. Os sindicatos patronais brasileiros tem o compromisso de esclarecer a sociedade à realidade dos fatos ainda que para isto custe à simpatia dos irmãos brasileiros. 
 
Se for para copiar um modelo, devemos “copiar” o modelo vencedor de trabalho alemão. Estamos num ano de eleições, portanto a sociedade deve ficar alerta, pois os oportunistas de plantão começarão a prometer que, se eleitos forem, concederão benefícios que anos depois destruirá a vida dos filhos e netos deste país. Pensem nisso antes de votar em promessas sem respaldo econômico.
 
* Edgar Serrano é presidente do Seprorgs e do CETI
COMENTÁRIOS
antonio barbosa filho

postado em: qui, 02/02/2012 - 18:03

Parabéns pela liberalidade, MAURÍCIO. Em primeira visita, pensei que este artigo era uma linha do site, e fico feliz de saber que é apenas o ponto de vista do autor.
Neste espírito, permita-me discordar do artigo do sr. Edgard desde o título. Tenho passado metade do tempo na Europa, há seis anos, e é inegável que mesmo nesta terrível crise, o padrão de vida da maioria dos países ainda é muito superior ao nosso. Não fosse os governos doarem tanto dinheiro público a bancos e seguradoras inconsequentes (para dizer o mínimo, veja-se os bônus distribuídos aos dirigentes dessas instituições comprovadamente levadas a falência por ganância cega), a crise iniciada em 2008 (nos EUA e não na Europa, registre-se) o continente estaria 50 anos à frente do Brasil, com boa distribuição de renda e constante crescimento.

antonio barbosa filho

postado em: qui, 02/02/2012 - 17:55

Na linha do autor, acho que a causa de nossos problemas é a Lei Áurea. Uma vez revogada, voltaremos aos velhos bons tempos, né seu Edgar?
PS - Sabia que na Alemanha até a cerveja faz parte da cesta básica? Mas não foi concessão: resultou de greves.

Vitor Bittarello

postado em: qua, 01/02/2012 - 12:57

Acredito que o problema não pode ser analisado de maneira tão simles, como está no artigo. Negociação entre os sindicatos patronal e laboral é livre e deve ser conduzida dentro da legalidade, acredito que o problema está na classe política, que vive criando impostos e cargos para os amigos.... pra quê 38 ministérios? será que precisa de tanta gente assim para administrar um país? No Brasil em torno de 30% da população economicamente ativa é composta por funcionários públicos, no Canadá por exemplo é em torno de 15%, não sou contra o funcionalismo, mas acredito que é muita gente. O sonho do brasileiro é passar em concurso público para se garantir e não precisar trabalharmuito, enquanto o pensamento geral da nação for esse não iremos muito longe.

Jeferson

postado em: qua, 21/03/2012 - 00:12

Também creio que o problema não seja tão simples de se analisar mais comparar o Canadá com o Brasil deve-se ter cuidado acredito que diante de tantas mudanças se o Brasil não despertar veremos outra tragédia a la Grega em 15 ou 20 anos dentre os problemas temos evasão de divisas máquina pública inchada custosa e ineficiente benefícios que não se sustentaram no longo prazo, eu sou a favor da redução da jornada para 40 horas visto que é mais do que obvio que trabalharei bem mais do que 35 para me aposentar com certeza existem N fatores a se analisar dentro de um mundo globalizado o grande problema é que a globalização é apenas econômica para as empresas deixando de lado o a sociedade que é a que faz a economia funcionar.

Artur Júnior dos Santos Lopes

postado em: seg, 30/01/2012 - 21:11

Segue sugestão de posicionamento cultual sobre a importância do tempo: http://youtu.be/qo9xrnL4xNE
Muito obrigado!

Henrique Vianna

postado em: sab, 28/01/2012 - 09:31

Concordo que no uso de dados reais para qualificar a decisão políticas. Seguindo essa linha de raciocínio veremos que, de acordo com a organização internacional do trabalho, a carga de trabalho alemã é em média 1h menor que a brasileira [1]. Ou seja, a proposta de redução de 1 hora dos trabalhadores particulares é justa, considerando os critérios definidos pelo presidente Seprorgs.
Não obstante, países como Canada - que não lembro de ter sido atingido fortemente pela crise - tem em média uma carga de trabalho 11h menor que a brasileira.
Não consigo perceber a existência de uma correlação forte entre entre carga de trabalho e a falência do estado. A comparação apenas desses dois fatores é muito superficial, e deveria envolver outros tópicos.

[1] ILO Department of Statistics - http://laborsta.ilo.org/STP/guest

Artur Júnior dos Santos Lopes

postado em: sex, 27/01/2012 - 16:41

Olá Rodrigo, me solidarizo com tuas colocações. Mas se pararmos para refletir fica a questão: a quem a grande mídia representa? Certamente não é a população que luta para viver e não tem como investir na grande mídia. Por isso me parece que a veiculação de tal material se deve ao interesse financeiro que o Baguete tem, sendo necessário dar voz aos seus investidores. Veja mais a repercussão deste artigo em http://www.sindppd-rs.org.br/noticias/particulares/2250-particulares-o-q...

Maurício Renner
Maurício Renner

postado em: sex, 27/01/2012 - 17:00

Oi Artur,

Para falar de uma maneira simples, acho que tu estás vendo chifre em cabeça de cavalo.

Se tu fizeres uma busca rápida no Baguete, verás que em inúmeras ocasiões nós mostramos o ponto de vista do Sindppd e Sindpd, a versão paulista do sindicato, sobre assuntos relevantes do meio de TI.

O Baguete é feito pensando em informar os leitores. Nosso sucesso em fazer isso atrai leitores e eles atraem os anunciantes. É fácil e difícil assim.

abraço,

Maurício

Artur Lopes

postado em: sab, 28/01/2012 - 19:47

Olá Sr. Mauricio. Agradeço o seu esclarecimento, e prestigio a intenção de imparcialidade que o Sr. busca colocar como ponto de partida para sua sustentação. Minha intenção é que estabeleçamos bases para que possamos refletir mais profundamente a partir do que lemos e ouvimos. Sendo assim, precisamos aprofundar um pouco a questão. Proponho que pensemos sobre a imparcialidade. O que é imparcialidade? Não ceder a um lado em detrimento de outro? Dar mesma voz a lados divergentes? Apresentar várias faces de uma mesma questão? Talvez precisemos definir um pouco melhor este conceito para que possamos verificar qual a imparcialidade o Sr. está defendendo. Minha colocação não é de chifres em cabeça de cavalo, não estou buscando unicórnios em um possível mundo imaginário, Quine poderia nos apoiar nesta questão da busca da linguagem artificial que não deixasse brechas, mas não é isso que estamos procurando. O que estou colocando é que mesmo buscando a imparcialidade, e mesmo que o processo se dê de forma democrática, e que busque a informação dos leitores não é possível a totalidade da imparcialidade, pois a imparcialidade não pode ser total, somos sujeitos subjetivos e atendemos a interesses de nossas instituições, por isso nós comprometemos mais com A do que com B. Minha sugestão é que possamos talvez nos aproveitar da Dialética para que possamos colocar os lados opostos frente a frente na intenção de gerar um movimento que busque apresentar pontos de vistas divergentes e que podem chegar a uma solução através deste atrito e a resolução madura das questões. Meus mais sinceros cumprimentos!

Rodrigo Marques Dalmas

postado em: sex, 27/01/2012 - 13:58

Essa é a cabeça dos empresários... Encher os bolsos com os lucros astronômicos do crescimento da economia no país e tirar os direitos conquistados durante décadas pelos trabalhadores. Pergunto uma coisa apenas: Quem mais, senão os trabalhadores das empresas o qual você representa, que representam o sucesso e o lucro nas empresas atualmente? Dividir lucros também é pensar na igualdade social, pois quando apenas um ganha (no caso os empresários) a desigualdade e a falta de proporcionalidade na distribuição de renda só cresce. E no Brasil, ano a ano temos mais e mais empresários milhonários, enquanto a população padece. Realmente muito INFELIZ essa matéria e mais INFELIZ ainda é o Baguete, um site o qual acesso diariamente para ler notícias e me atualizar autorizar essa publicação. LAMENTÁVEL!

Maurício Renner
Maurício Renner

postado em: sex, 27/01/2012 - 16:54

Oi Rodrigo,

O Edgar Serrano é presidente do Seprorgs, que é uma entidade importante da TI gaúcha. Como editor do Baguete, meu trabalho é oferecer a ele a chance de mostrar o que pensa.

Tu discorda e eu estou de dando a oportunidade de mostrar isso aqui. Em nenhum dos dois casos, isso significa que o veículo esteja endossando uma ou outra opinião.

Obrigado pela audiência.

abraço,

Maurício

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
VALIDAÇÃO
Esta questão serve para validar se você é um leitor do Baguete!
Image CAPTCHA
Digite os caracteres que aparecem na imagem.
Voltar

Enquete

Qual será o futuro da RIM?:

Galeria de Imagens