Cloud Computing pode significar Brasil entre os Líderes de TI ?
Antonio Carlos Pina - quinta-feira, 08/07/2010 - 15:41De 4 anos para cá, tem se ouvido muito falar a respeito de Cloud Computing. Em 2006, um conjunto de tecnologias foi compilada pela Amazon, em um modelo funcional, simples e acessível para leigos. E, da mesma forma que a Internet despontou para o mundo com o surgimento do navegador, a Amazon teve o privilégio de ser a primeira a entregar infraestrutura de TI como serviço (ou IaaS) para a sociedade e ser a primeira a usar comercialmente o nome Cloud Computing, apesar do termo “computação utilitária” ser discutido há décadas.
Desde então, vários fornecedores se apropriaram da expressão Cloud Computing e suas variantes (IaaS, PaaS e SaaS) para vender seus serviços. Fornecedores com diferentes plataformas competem e se dizem “mais cloud computing que o concorrente”. Esta competição é ótima, pois a longo prazo, quem ganhará com esse movimento é o usuário que poderá escolher o serviço do fornecedor que melhor atender suas demandas.
Entretanto, me causa espanto o fato de ainda não estarmos lendo notícias sobre uma interessante conseqüência do fornecimento de infraestrutura como serviço que abre portas para vôos mais altos. Tenho abordado esse tema de forma recorrente em minhas palestras e quero dividi-lo com você.
Vamos resumir a história. No ponto de vista do usuário, Cloud Computing nada mais é do que o fornecimento de serviços via Internet pagos pelo uso. É muito parecido com a eletricidade dos nossos tempos atuais: se você usa muito, paga muito. Se usa pouco, paga pouco. E você não precisou investir em geração de energia própria (geradores) para ter acesso a eletricidade, pois a companhia elétrica já fez isso por você.
Com Cloud, você não investe na compra de computadores, switches, roteadores, firewall, softwares, etc., mas sim utiliza os dispositivos “na nuvem” e paga pelo uso. O seu fornecedor de Cloud possui uma estrutura escalável e elástica, ou não seria Cloud Computing, e consegue cobrar apenas o que foi demandado desta mega-estrutura.
Este é um modelo extremamente atraente, pois não é preciso investir em hardware sem saber se precisará aumentar, diminuir ou ser desativado. Para o fornecedor também é um excelente negócio, pois reduz os custos de operação e ativação de novo equipamento. É o famoso ganha-ganha.
No Brasil não temos um mercado com demanda que justifique a criação de uma linha de desenvolvimento de hardware e appliances high-tech (CPUs, memórias, ASCI, etc). Em outras palavras, não temos como montar um switch ou roteador, por exemplo, que possa competir em igualdade de condições com os equipamentos importados.
Todos os produtos que desenvolvemos no Brasil (quem se lembra dos modems Parks ?) sempre esbarram em alguma questão de hardware que “seria melhor se pudéssemos projetar um chip para isso, mas é muito caro” (estou simplificando de propósito). Sem o chip, sem competência para concorrer no mercado. Sem mercado, sem vendas. Sem vendas, sem capital para investimentos. Sem investimentos, sem empregos e desenvolvimento da tecnologia e assim vai.
Agora chegamos ao ponto chave: Cloud Computing é software. Percebeu? Cloud Computing não é nada mais que software. O que impede que um centro de pesquisas brasileiro crie um “switch virtual” superior ao “switch virtual importado”? O que impede que um grupo de programadores desenvolva um “roteador virtual” melhor que o “roteador virtual importado”? Você acertou: Nada.
Juntemos as universidades brasileiras, com verba para pesquisa e desenvolvimento, e tenho certeza que poderemos abrir novos rumos neste mundo onde grande parte da TI será software. Isso significa geração de empregos e conseqüente criação de produtos de qualidade, que competirão inclusive no mercado externo. Coincidentemente, a verba começa a chegar com investimentos em nosso país. Precisamos simplesmente acreditar na ideia.
Cloud Computing é um “cold restart” em TI. Mudará os paradigmas e muito ainda será desenvolvido neste modelo de negócios. Temos a real chance de conquistarmos o nosso espaço, pois o mundo está nivelado e começando agora.
* Antonio Carlos Pina é líder técnico do projeto Cloud Computing da Tecla Internet, pertencente ao Grupo ALOG DataCenters.
Antonio, toda discussao eh valida e qualquer ponto de vista desde que relevante tambem. Mas nao concordo com seu ponto de vista, para mim eh reducionista.
Concordo com muito do que voce escreveu, mas nao com o resumo "Cloud eh software". Cloud para mim eh conceito. Algo mais abstrato. Eh uma corrente dentro da TI. A forma como ele eh produtizado sim voce pode chamar de software.
E tratar a revolucao que Cloud esta trazendo como foi abordado tambem eh reducionismo. Nao se trata apenas de fornecer SaaS, IaaS ou PaaS. Trata-se de foco no core business. Cloud permite que empresas de contabilidade sejam empresas de contabilidade, e nao data centers. Permite que uma industria seja uma industria, e nao um centro de desenvolvimento de software. Trata-se de acessibilidade, de disponibilidade, de colaboracao. Cloud, ou o nome que quiserem dar, nao eh software
Talvez eu não tenha sido claro, peço desculpas por isso. O artigo não é sobre Cloud-computing, mas sim sobre oportunidade de desenvolvimento de um novo mercado de tecnologia.
Concordo com você que uma das formas de abordar Cloud seja pelo conceito. O conceito pode ser resumido por "o usuário paga pelo uso como energia elétrica, sem necessidade de investimentos em capex". O que viabiliza este conceito é justamente o software: Softwares de virtualização, orquestração, segurança, etc, todos juntos são o arcabouço dessa tecnologia.
Rodar aplicativos no Google Apps também pode ser considerado Cloud, assim como rodar Salesforce, mas, novamente, o foco do artigo é no desenvolvimento de tecnologia e não na visão de usuário.
Empresas de datacenters como a ALOG que fazem Outousourcing de TI já permitem que empresas foquem em seus Core Business há mais de 10 anos, concordo que isso não é a novidade. A novidade neste caso é justamente a FORMA como isso é feito. O Cloud elimina barreiras de entrada, por exemplo.
Voltando ao ponto que quis abordar neste artigo: Implementações de Cloud, sendo conjuntos de software, permitem o desenvolvimento de um sem número de appliances (storages, switches, roteadores, firewall, etc) 100% baseados em software. O hardware usado para implantar Cloud é praticamente commodity. Eu sei, pois na TECLA rodamos o primeiro Cloud elástico público do Brasil.
Este é um convite para que os desenvolvedores de tecnologia abram os olhos para todas as possibilidades que se apresentam.
Obrigado por suas considerações!
Antonio Carlos Pina
Pina
Conheço este mercado ALOG, e seus concorrentes de longos anos. O discurso de que essas empresas permitem ao cliente focar no core business, me desculpe, mas é balela. É um meio-outsourcing-fajuto que muitas vezes causa mais problemas do que soluções. Não temos players no Brasil com preço e serviços realmente atrativos e competitivos, esse tipo de serviço também está se comoditizando.
O que acontece no Brasil, é que empresas como todas as que citamos e todas as outras nacionais, se beneficiam de um termo que está na moda para lançar frangalhos de produtos apenas para pegar a onda. Como disse, não estou especulando, conheço este mercado.
O conceito de Cloud vai além do que estamos preparados para oferecer hoje, principalmente no Brasil. As empresas criaram servidores virtuais e vendem isso como Cloud, o que é absurdo.
Tem muita gente falando o que não sabe, simplesmente para pegar a onda do termo da moda na TI. E então chego no ponto que concordo com você, há muito a ser desenvolvido, e Cloud tem milhões de oportunidades para quem enxergar isso, passando por tudo que você e eu escrevemos.