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Pedir voto online é perder voto na urna

Paulo Kendzerski // terça-feira, 17/08/2010 10:56

Como consultor em marketing digital, e envolvido em dois projetos de campanhas na internet nas eleições 2010, tenho acompanhado a movimentação dos partidos e dos marqueteiros responsáveis pelas campanhas dos candidatos, tanto no ambiente offline como no online.

Percebo que o case da campanha de Barack Obama, nas eleições de 2008 nos Estados Unidos, gerou uma grande confusão na mente dos profissionais responsáveis pelas campanhas dos principais candidatos no Brasil.

Afirmo isso porque diferente dos Estados Unidos, onde o trabalho na internet começou no mínimo dois anos antes das eleições, no Brasil, ainda existe candidato buscando entender como funciona a internet para depois dar inicio a divulgação da sua plataforma política.

Na grande maioria dos candidatos, a única participação na internet baseia-se na criação de perfis nas principais redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter, e a publicação de um site com as fotos das campanhas. E claro, um pouco de conteúdo, pois segundo os “especialistas”, conteúdo é o Rei.

É impressionante a quantidade de “especialistas” que surgiram nos últimos meses, mostrando os caminhos a percorrem para o sucesso nas campanhas eleitoras na internet, ou as 5, 7 ou 10 dicas do que fazer.

Ora, de nada adianta dizer para um candidato, criar um perfil no Facebook, colocar seus dados pessoas, atualizar diariamente com as “novidades” do seu dia-a-dia e pronto. Sua campanha nas redes sociais está no ar.

Ingenuidade destas pessoas acreditarem que basta ter um perfil atualizado para se dizer que está sendo feita uma campanha online para determinado candidato.

Atrevo-me a dizer que esta ação em nada irá reverter em votos a estes candidatos. E porque eu afirmo isso?

Porque diferentemente do que acontece na campanha tradicional, onde o foco é pedir votos, na internet, jamais um candidato irá se eleger se utilizar a mesma tática. Ou seja, na internet não se pede votos. Pelo contrário, o foco é ouvir o eleitor, interagir com ele, discutindo temas de interesse da região deste eleitor, ou ligado a sua atividade profissional. A intenção principal é se envolver nas comunidades para ouvir, entender e interagir com os eleitores destas regiões, promovendo um debate em tempo integral.

Quantos candidatos participam de comunidades ligadas a professores, por exemplo? Quantos candidatos ouviram o que se discute nestas comunidades?

O que mais preocupa os marqueteiros na campanha tradicional é com o impacto que os debates de TV geram nos eleitores. E na internet?

Este debate acontece 24 horas por dia. O confronto de idéias é promovido diariamente, minuto a minuto, nas diversas comunidades que as pessoas participam. E o que o candidato deve fazer? Claro que ele deve participar destas discussões interagindo com as pessoas, colocando suas opiniões sobre os assuntos que interessam nas regiões e cidades destas pessoas.

Ao contrário da campanha tradicional, onde o candidato fala para milhares de eleitores, com um discurso pronto e sem nenhuma interação dos presentes, na campanha online, o candidato precisa identificar o que as pessoas de determinada comunidade se interessam e participar de forma ativa desta discussão.

Diferente da campanha tradicional, onde um candidato fala o que quer, na internet se ele adotar esta postura será rechaçado pela comunidade, irá perder seguidores, não será ouvido/lido e conseqüentemente irá perder votos.

E mais, estas pessoas irão divulgar negativamente este candidato. Pior do que não receber votos é ter seu nome associado a atividades negativas na internet. Você por acaso já pesquisou no Google o nome do candidato que você está pensando em votar? Qual o resultado desta pesquisa? São fatos positivos ou negativos?

A internet mostra tudo, não só em período eleitoral. Esta é uma das principais vantagens, pois se em época de eleição o candidato se veste de responsável, sério, trabalhador, ético, a internet irá mostrar o antes desta “transformação”. Nada se perde na web. Tudo fica registrado lá.

Então, o que os candidatos precisam fazer para conquistar o e-eleitor?

Uma participação ativa nas comunidades, maior interação com os twitteiros e blogueiros e entender e conhecer os assuntos discutidos em cada região são as formas dos candidatos se integrarem com os eleitores no ambiente que eles escolheram.

E como fazer isso?

Utilizando ferramentas de monitoramento de redes sociais e pessoal capacitado para interagir nestas comunidades, divulgando, discutindo e propagando as propostas dos candidatos.

Claro que estou falando dos candidatos que realmente possuem uma plataforma política, que são “Ficha Limpa”. Você com certeza já pesquisou no Google ou seguiu a hashtag #fichalimpa no Twitter. Não? Então pesquise no twitter e veja o que significa esta expressão. Quem são os candidatos que divulgam a Lei Ficha Limpa?

O que fazer parece óbvio para todos. Como fazer é que precisa ser entendido pela maioria.

* Paulo Kendzerski é diretor da WBI Brasil

COMENTÁRIOS
Napoleão Arantes Muños de Freitas

postado em: ter, 31/08/2010 - 00:11

Caro articulista:
A despeito de haver uma considerável parcela de internautas brasileiros, pode-se apostar, sem medo de ser feliz, que grande parte dela não se interessa por política, o que não difere muito do restante da população em geral.
Vez por outras pesquisas revelam que sites eróticos encabeçam a lista de busca. Isso não significa necessariamente que internautas que navegam por esses sites são desinteressados por política, mas parece-me improvável que também se interessem.
Então,caro Paulo, gostaria de saber sua opinião a respeito da campanha dos quatro principais candidatos à presidência, todos de esquerda.
Lula ano passado alertou a "oposição" para que tirasse o cavalinho da chuva,porque ele faria de qualquer maneira seu/sua sucessor/a e que essas eleições seriam de alto nível, porque apenas candidatos de esquerda a disputariam.
Como marketeiro acha mesmo que:
1) Lula e os candidatos se preocupam com essa parcela de internautas a ponto de quererem trocar e discutir ideias on line, mesmo contando com "ferramentas de monitoramento de redes sociais e pessoal capacitado para interagir nestas comunidades, divulgando, discutindo e propagando as propostas dos candidatos" ?
2) nesse jogo de cartas marcadas e com mega investimento da máquina do governo e super exposição da imagem da ex-guerrilheira, ex-terrorista, ex-participante de homicídio e ex-ladra (ficha limpíssima, diga-se de passagem) a opinião de raros icérebros instruídos vale de alguma coisa perto do que o povão analfabeto e semi-analfabeto e que não navega pela internet fará nas urnas?
3) os três outros candidatos estão fazendo campanha pra valer, ou apenas o papel que lhes cabe para parecer que realmente temos "liberdade de escolha"?
4) países como os EUA, enviando ao espaço naves tripuladas e não tripuladas, não aderiram até hoje às urnas eletrônicas por que motivo, se nós, os maiores gênios da informática do universo, garantimos que essas maravilhas são a última palavra em ilibada contagem de votos ?
5) a "transformação" que está havendo é outra diferente de "um outro sonho é possível"?

Paulo Roberto Kendzerski

postado em: seg, 13/09/2010 - 21:54

Pergunta 1: Com certeza. Se existe um partido que investiu muito, em recursos humanos e em TI, para se comunicar com as pessoas pela internet, este foi o PT.
As pessoas confundem um pouco quando acham que a internet é usada só para enviar propaganda. Mas qual o melhor lugar para identificar as necessidades de cada região, e depois trabalhar seu discurso político em cima desta informação ?

Pergunta 2: Você cita a internet, mas eu posso pegar como exemplo a revista VEJA. Ela não detona em todas as suas edições o partido do presidente ? E qual o alcance dela ? 800 mil brasileiros que leem a revista...

Pergunta 3: Eu diria que se uma pessoa deseja ser um dia candidato com potencial de se eleger, ela precisa começar, mesmo que isso num primeiro momento não gere os resultados esperados.
Em eleição, é importante o conhecimento prévio do candidato. Por isso que qualquer "celebridade" quando se candidata, ela se elege facilmente.

Pergunta 4: O fato dos EUA ser um país avançadissimo em Tecnologia, não quer dizer que pra eles interessa uma urna eletrônico, com controle total dos votos. É muito mais fácil manipular os resultados da forma que eles fazem, ou não ?

Pergunta 5: A internet não vai eleger ninguém, pois isso depende de capacidade,credibilidade, conhecimento do que interessa ao eleitor, e isso não é a internet que vai dar a um candidato.

Napoleão Arantes Muños de Freitas

postado em: dom, 19/09/2010 - 20:52

Sobre suas respostas:
1o.) Pelo menos não confundo internet com vendas on line. Não tenho a mesma certeza de que seja a internet o melhor lugar para identificar as necessidades de cada região e depois trabalhar discursos políticos mais adequados;
2o.)Citei a internet por causa do foco de seu texto (Pedir voto on line...). E se a Veja tem alcance tão pequeno, é por motivos óbvios, tais como o tipo de veículo, público alvo (nível de instrução e sócio-econômico) e, naturalmente,o preço. Não sou assinante desta revista, tampouco tenho o hábito de lê-la, porém creio que ainda bem ainda há algum veículo que procura romper a blindagem que o PT criou para proteger Lula de tudo o que seja capaz de inconvenientemente arranhar a imagem do "filho do Brasil" e mentor da futura "madastra";
3o.) Concordo em parte, mas conhecimento prévio do candidato o povo não tem, muito menos sobre Dilma, por exemplo. O fenômeno dá-se apenas por transferência de popularidade de Lula. Se fosse realmente mostrado quem foi e continua sendo Dilma, certamente o povão pensaria duas vezes antes de nela votar.Mas há muito tato dos supostos "adversários da oposição" em não atacá-la,porque, todos os três são de esquerda e isso é inconcebível, incoerente,inaceitável e até traição;
4o.) São tantos os links que vêm demonstrando o quanto corremos risco com as fraudes em urnas eletrônicas que, sendo o sr.alguém bem-informado, não terá qualquer dificuldade de consultar o Google, bastando colocar : urna eletrônica fraude. Lá encontrará informações mui interessantes e que, naturalmente, serão consideradas mais uma entre tantas "teorias da conspiração" utilizadas previamente por perdedores em potencial para justificarem suas derrotas;
5o.) O senhor crê mesmo que o eleitor médio tem capacidade e conhecimento suficientes para analisar criteriosamente alguma coisa, tendo em vista que esta semana,por exemplo, foi divulgada uma lista britânica com 200 universidades do mundo e nenhuma do Brasil entrou ?(http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2010/09/16/brasil-nao-entra-no-rank...) . Mas devo concordar com o senhor : A internet não elegerá ninguém.

Napoleão Arantes Muños de Freitas

postado em: seg, 20/09/2010 - 08:58

Onde se lê [...]ainda bem ainda[...], leia-se [...] ainda bem há algum[...].

Acabo de receber um texto intitulado "OAB nacional se recusa a homologar urnas eletrônicas" assinado por Amílcar Nrunazo Filho (Fonte; Consultor Jurídico). Seleciono apenas um pequeno trecho do que lá está escrito: "A assessoria de imprensa da autoridade eleitoral brasileira, que, por seu absolutismo, tem muita dificuldade em reconhecer suas mazelas, escondeu da imprensa a cerimônia do dia 14 para que não tivesse que admitir que havia erros nos programas, detectados à undécima hora. Escondeu também que a OAB finalmente deixou de legitimar seu método de desenvolvimento de software. Continua em destaque no site do TSE a notícia da lacração do dia 2, com a presença do representante da OAB".
O resumo da ópera, segundo todos os textos que circulam pela internet, é o seguinte:
Há fortíssima suspeita de que parte dos votos que seja de algum candidato, sofra instantânea mutação mágica e acabe sendo contabilizado para o mamulengo de Lula. As urnas estariam preparadas para o "milagre da multiplicação", independente do que apontam os principais institutos de pesquisa.
Como costuma valer tudo em campanha pelo poder, não podemos descartar qualquer hipótese por mais bizarra que seja, muito menos deixar de investigar. Ou devemos apenas nos acostumar a achar isso ou aquilo?

Gustavo Melo

postado em: ter, 24/08/2010 - 16:07

Eu não voto, não compro e não apoio nada que encha meu saco por e-mail, sms ou mensagem em rede social.

Paulo Roberto Kendzerski

postado em: seg, 13/09/2010 - 21:47

Parabéns!!!

Eu também não.

Paulo Roberto Kendzerski

postado em: dom, 22/08/2010 - 11:04

Prezado Carlitooooossssss

Em nenhum momento do meu artigo eu coloquei que a minha empresa faz certo e que outra faz errado. Eu falei sobre "pedido de votos na internet", porque monitoro as redes sociais e percebo o quanto esta tática é condenável, não por mim, mas pelos eleitores.

Você se ofendeu com o que eu disse ??
Porque ?? Porque faz campanha na internet pedindo votos ?

Na verdade, vai se eleger quem tiver um bom programa de governo e souber transmitir isso aos eleitores de forma adequada. Todos nós sabemos que no Brasil são eleitos não os melhores candidatos e sim os que sabem explorar melhor os recursos disponíveis.

Se você acha que pedir votos pela internet é saber usar este recurso, fique a vontade.

EU com certeza não voto em quem envia SPAM, entope a caixa de correspondência do meu prédio com panfleto pedindo voto ou fica nas ruas abordando as pessoas com "aquele" sorriso de quem me conhece a dezenas de anos....

Carlitooosss

postado em: sab, 21/08/2010 - 12:26

Veremos no final das eleições quais foram os resultados obtidos pela WBI aos seus clientes candidatos. Pois no final, o que conta mesmo é ele eleito! O resto é baléla!

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