20.10.05

Euskera

Em um suposto campeonato de idiomas difíceis falados por muito pouca gente, o idioma nativo dos bascos – o euskera – teria grandes chances de ser campeão. Ninguém duvida que o búlgaro, o islandês, ou o tupi-guarani possam soar incompreensíveis. Mas o fato é que eles pertencem a alguma família de idiomas e se parecem com alguma outra coisa. Já o euskera – falando na península Ibérica há mais de dois mil anos, antes mesmo do latim - não é emparentado com nada e muitos lingüistas perderam bastante cabelo tentando explicar sua origem, já relacionada com línguas africanas ou etruscas.

Fora da discussão teórica, o língua segue viva nas ruas. Ao longo dos últimos vinte anos, sucessivos governos do País Vasco – sempre majoritariamente separatistas – vêm fazendo um esforço para aumentar o número de falantes. O ensino nas escolas é obrigatório, assim como seu domínio para fins de testes para cargos públicos. Toda documentação do governo, assim como a sinalização das ruas, está em espanhol e euskera, o que pode deixar as coisas meio confusas, as vezes.

No fundo, existe uma questão política. Uma das primeiras medidas do general Franco, ao final da Guerra Civil, foi proibir o uso de qualquer idioma que não fosse o espanhol, buscando sufocar os desejos de independência da Catalunha e do País Basco. Depois que Franco caiu, ambas regiões não medem esforços para incrementar a presença das suas línguas. A pujança do idioma é uma parte fundamental do esforço pela autonomia.

Confira uma exibição de domínio no difícil idioma, no video linkado abaixo. Quem fala é Miren Ojinaga, promotora de eventos do ESI, desejando boa sorte nos negócios à delegação brasileira.

http://www.baguete.com.br/blog/espanha2005/Video.3gp