Jonatas Abbott // quinta-feira, 22/07/2010 01:30
Duas notícias recentes envolvendo dois tradicionais jornais impressos, um no Brasil e outro na Inglaterra, chamaram a atenção do mercado de comunicação, que segue discutindo a morte dos impressos e a cobrança de conteúdo na web.
Nem o corpo do Jornal do Brasil impresso esfriou e já surgiram os especialistas de plantão para usá-lo como case do fim dos jornais impressos, mas desejado por uns do que esperado de fato por outros. É uma pena porque mesmo sem entrar no mérito o Jornal do Brasil não servirá como exemplo tão cedo. O JB vem de uma longa crise financeira, mais ligada a gestão de negócios do que à evolução da internet. Vendido para o grupo do Tanure, gerou desconfiança imediata pelo histórico do comprador na gestão das empresas compradas. Ou seja, o JB não se sustentava mais na versão impressa.
Quem está usando o JB como case deveria pesquisar o que ocorre com outros jornais impressos, muitos deles pelo mundo aumentando o numero de assinantes. Não que, pessoalmente aposte muito no futuro dos jornais. Apesar de gostar de lê-los acredito sim que se há uma mídia de fato ameaçada de morte é o jornal impresso. Porque sua origem está na entrega da notícia o mais próximo possível do ocorrido. Aí sim a internet tem grande vantagem. Mas claro que falta a internet outra característica de alguns jornais, o aprofundamento da notícia e a sua análise.
Web então seria de fato a solução para os jornais ? E como cobrar conteúdo que tanto custa numa internet viciada no modelo free, justamente de conteúdo.
E vem o Times. O jornal inglês passou a cobrar por seu conteúdo na internet, o que me parece bastante razoável. Não acho que o meio seja determinante de nada e sim o conteúdo. E paga-se por bom conteúdo. Mas voltando ao Times, ele teve uma queda de 66% na sua audiência na web. E este fato pode ter duas óticas diferentes. A primeira é ser usado como case dada a alta porcentagem. A outra é lembrar que a previsão de analistas apontavam como de 90% a queda ao cobrar conteúdo.
Vejam, fica outra pergunta no ar: Interessa ao Times 1 milhão de leitores ou 340.000 leitores pagantes ? Como nos cases que cito na minha palestra o que me chama muito a atenção no caso do Times não são os 66%, mas os 34%. Num site de um jornal de tamanha envergadura mundial isso não é pouca coisa.
E se alguns vêem um indício de fracasso eu vejo de sucesso. Não só eu mas vários jornais pelo mundo que acompanham o mais de perto possível o movimento do Times, na ânsia de saber se, finalmente vamos por aí.
Enquanto isso eu olho o JB com certa melancolia. Na faculdade quando pensávamos que um dia seríamos jornalistas de verdade a imagem que vinha a cabeça era morar no Rio e trabalhar no Jornal do Brasil.
Para encerrar deixo no ar meu próprio deslumbramento com o iPad. E a certeza que tenho que será O VEÍCULO para a revista impressa, que será entregue por download. E que continuará existindo obviamente. Mas essa é outra conversa.
postado em: sex, 23/07/2010 - 14:36
Jonatas, engana-se ABSURDAMENTE ao achar que o iPad será "O VEÍCULO para a revista impressa entregue por download". Aliás, eu diria que é até um pouco amadorismo achar isso. A prova está na cultura do Brasileiro, que apenas paga o que é físico e está facilmente ao alcance. O conceito que você acredita fará muito sucesso nos EUA, local onde comprar músicas via iTunes é o novo canal de negócios no meio musical, por sua praticidade e preço reduzido. Livros também está virando tendência (vide o iBooks). A cultura lá faz com que o público pague pelas músicas. Aqui, é mais fácil acreditar que o jornal e revista continuarão existindo por muito tempo e quando as coisas começarem a migrar para a web, a pirataria irá sufocar a tudo e a todos. Lá, se o Times decide cobrar, perde 66% do público. Aqui, se a ZH fizer o mesmo, vai afundar seu site, perdendo espaço para "novos" jornais, com capacidade de sobreviver por outros meios e manter o conteúdo gratuito.
Obs: Também sou fã do iPhone e do iPad (tenho os dois), mas lhe digo que a forma de negócios em ambos, embora fácil, dificilmente pegará no 3º mundo. Já temos o que? uns 4 anos de iTunes? Uns 2 anos de Sonora (do Terra)? E aí? Quanto vendido no Brasil? Pouco para virar um case.