Luiz Inácio Meinerz // segunda-feira, 02/03/2009 14:52
Calma! Antes que eu seja apedrejado. Alinhar é o único caminho que nos resta quando não participamos do board.
Valho-me da coluna de Stela Lachtermacher, presidente do conselho editorial da IT mídia, na edição especial da Information Week, com a visão de especialistas sobre o ano de 2009. Ao final da sua matéria Stela relata uma conversa havida com um já calejado CIO.
Pois bem, esse CIO a teria questionado em dado momento se a TI tem mesmo de estar no board da empresa ou se deveria estar desempenhando exemplarmente seu papel de suporte garantindo que o negócio aconteça em sua plenitude. Ali estava o mote para a pergunta de Stela que desafiou a todos nós, leitores: Como será o amanhã?
Senti-me, de imediato, impelido a aceitar o desafio ali proposto, até porque já queria ter debatido o assunto em outras ocasiões. Arrisco sem pestanejar a dizer que a TI de amanhã conquistará definitivamente seu merecido assento no board das grandes e médias corporações que, de fato, veem na TI não apenas uma área de suporte, mas vislumbram nela a real possibilidade de mudar processos, suportar e alavancar negócios e promover produtividade e progresso.
Não há um só recanto nas nossas empresas, independentemente dos mercados nos quais atuemos que não tenha uma peça de hardware ou de software desempenhando papel primordial em nossos processos de negócios, o que confere a TI uma importância vital dentro das organizações modernas.
Curiosamente os cursos de graduação e os MBA´s de TI ainda apregoam o "alinhamento" da TI aos negócios. Se admitimos que alinhar é preciso, admitimos igualmente que andamos em descompasso com a área de negócios e essa é uma equação perversa para a TI que precisa envidar esforços vigorosos para entender o que está se passando e o que dela é esperado.
A equação é igualmente perversa da perspectiva dos negócios pois deixa de se beneficiar de um alinhamento imediato e natural se a primeira tivesse seu assento garantido junto ao poder decisório.
O board é, provavelmente, o nascedouro da maioria das estratégias empresariais, tenham elas consequências boas ou nefastas. Dali emanam decisões que podem mudar todos os destinos (ou o destino de todos...).
O board no qual a TI está ausente, salvo raras exceções, decide exclusivamente pela ótica dos negócios, minimizando ou desconsiderando por completo a perspectiva tecnológica e isso é apenas o começo do calvário do CIO e sua trupe em seu périplo rumo ao alinhament,o pois aquela decisão já selou acordos e compromissos mútuos que o gestor de TI poderá até a duras penas reverter, mas na maioria das vezes, infelizmente, só lhe restará a via do alinhamento.
A explicação para a TI não ter uma caixinha do board parece simples e arrisco a dizer que uma parcela da culpa cabe ao próprio CIO em não lutar adequada e consistentemente por um merecido lugar ao sol para a sua TI.
A outra podemos creditar à juventude da TI enquanto organização, mesmo em nível mundial. Quantos anos a TI está organizada da forma como a conhecemos atualmente? 5 anos? 10 anos e já estarei exagerando!
Outras áreas de apoio já conquistaram seu espaço junto ao poder decisório como é o caso de RH, que já fez seu dever de casa há muito tempo e, que já historicamente, detém assento junto ao board, entretanto a TI é realmente muito jovem e na maioria das organizações não tem percebida ou reconhecida a sua importância estratégica.
Outra percepção que tenho e, posso estar enganado, é que os membros do board das corporações atuais tiveram a sua formação e experiência construídas antes ainda da TI estar organizada e se estruturada enquanto área.
Atualmente a TI possui seus processos documentados, catálogo de serviços, SLA´s, gerenciamento de incidentes, projetos, etc. Parece-me que em razão dessas mutações tão rápidas e frenéticas das quais a tecnologia é feita é que decorre a percepção, digamos, equivocada da TI pelo board.
Em organizações onde a idade cronológica média do board é mais baixa e acompanhou mais de perto as nossas "mutações" ou mesmo um board renovado daqui a alguns anos certamente terá uma visão diferente e destacará a importância estratégica da tecnologia para os negócios.
Carecemos, portanto, enquanto área, de ainda mais organização, de credibilidade, de tempo de maturação, de terminologia e entendimento maior dos negócios e por vezes de força de vontade para brigar, no bom sentido, pelo espaço que indubitavelmente está reservado à TI. Enquanto isso vamos alinhando! Quem viver, verá!
*CIO da Bausch Lomb
postado em: qui, 31/03/2011 - 17:17
A grande maioria das empresas não dão a devida importância a TI, não permitindo que esta participe do Board ou mesmo que participe, dando pouca importância às suas opiniões, pois se fosse o contrário a TI já teria saído do Status de "devedora" e isso está longe de ocorrer. Sempre temos que nos matar para resolver questões oriúndas de decisões estapafúrdias, com prazos lamentáveis e condições precárias. Ser CIO é não é apenas ter uma nomenclatura bonita, uma cadeira confortável e uma política intensa dentro da organização e muito menos, participar de inúmeros eventos "sociais" se achando o rei da cocada preta. Ser CIO deveria ser: Buscar soluções alinhado com suas equipes, oferecer soluções e serviços aos seus "clientes" , no caso os departamentos de sua própria empresa, brigar para ser ouvido e atendido, defender sua equipe, identificar se existe alguma "tartaruga no poste" e colocá-la pra andar em terrenos que possa produzir, exigir que sua equipe trabalhe bem durante as 8 horas diárias e para isso deve exigir que a empresa respeite a TI deixando-a participar de suas decisões.
A questão colocada sobre os profissionais de TI não saberem escrever é um fato consumado, é a mais pura verdade, assim como também é verdade que jogo de cintura não se aprende na faculdade e muitas vezes técnicos, escovadores de bits, são alavancados para posições fora de seu contexto e ai começam outros problemas.
Boa a matéria!
postado em: sex, 06/03/2009 - 15:53
Luiz,
Gostaria de deixar aqui os meus parabéns pela visão apresentada no artigo.
O Depto. de TI que hoje não tiver a preocupação apresentada, certamente será cada vez mais ofuscado pelo board, em virtude do altíssimo nível de convergência na qual estamos nos dirigindo.
Um abraço.
postado em: qua, 04/03/2009 - 14:28
Caro Horst,
Obrigado pelas palavras e por seu olhar crítico. São atitudes que fomentam e viabilizam o debate e favorecem a diversidade de opiniões.
Certamente há muitas organizações conhecidas nas quais a TI participa do board, mas entendo que percentualmente esse número pode não ser tão significativo. Há de se avaliar ainda em que grau essa presença ocorre e é exercida – em outras palavras - qual o real poder desse CIO? A resposta a esse questionamento parece estar diretamente relacionada ao grau de maturidade da organização estudada. Temos à nossa volta CIOs no board desempenhando o papel aqui proposto em sua plenitude? Indubitavelmente! E essas conquistas são motivo de orgulho para toda TI. Todavia, proporcionalmente, parece-me haver um longo caminho a percorrer para que se possa afirmar com propriedade que a TI já tenha chegado lá.
Felizmente adquiri alguns fios de cabelo branco, 2 ou 3 pelo que me falam (risos), frutos de praticamente 3 décadas de atuação em TI em organizações de diversos portes e nacionalidades, o que propiciou em adição, uma oportuna troca de experiências em grupos de usuários e com gestores de TI de inúmeras companhias.
Se por um lado, dessa interatividade , preciosa e genuína, do relacionamento com outros CIOs e da disponibilidade em ouvir e aprender resultam minhas percepções acerca do tema, por outro, proporcionam o distanciamento seguro e necessário da organização para a qual trabalho, condição essencial para emiti-las publicamente.
Grande abraço!
postado em: qua, 04/03/2009 - 11:16
Luiz,
em meu trabalho noto que as negociações com a área de TI se expandem rapidamente e percebo que trata-se não somente de uma tendência, mas sim algo concreto. Lembro que quando ingressei na área comercial de serviços de telefonia móvel as negociações eram intermediadas exclusivamente por áreas adminsitrativas e, até mesmo, pelo RH. Hoje a dinâmica é outra: Cada vez mais as demandas e projetos de comunicação são administradas por sua área e telefonia móvel deixou de ser um mero serviço de voz, passando a convergir voz e dados. Parabéns!
postado em: ter, 03/03/2009 - 14:27
Excelente visão, de fato todos nós de TI temos um longo caminho pela frente.
postado em: ter, 03/03/2009 - 14:11
Luiz...claro..existe muito material sobre o assunto...indico este para leitura(não só do pessoal de TI) : http://www.p2he.com.br/artigos/ti_e_processos%20avaliacao_necessidades.pdf
um abraço,
postado em: ter, 03/03/2009 - 12:30
Primeiramente ... e depois dizem que pessoal de TI não sabe sequer escrever e se expressar de forma escrita ! Vejam que excelentes construções frasais. Neste aspecto ... excelente Meinerz.
Complicado é saber que na organização ao qual estás dando chancela nesta coluna - e somente sobre esta tens autonomia para fundamentar opiniões - haja vista parecer desconhecer com algum grau a realidade vigente em empresas de médio e grande porte.
Muitas e muitas são as grandes organizações que possuem ... sim ... presença da área de TI, mais especificamente, área de negócios de TI no Board.
Aos que gostam de fatos ... consultem as associações da categoria ! ASSESPRO e SEPRORGS ... e tomarão consciência da realidade.
Isto acontece pq.estas empresas efetivamente sabem da importância que esta área pode agregar. Talvez outras (poucas !) não o façam pq.julguem que estas áreas não tenham o efetivo alinhamento com suas áreas de foco produtivo.
Nestes casos ... quem seria o irresponsável de trazer alguém de uma área desfocada ao Board ? Que Diretor assumiria esta posição ?
Cada caso é um caso ! Padronizar modelos de gestão é algo que não é possível fazer ... e isto a formação acadêmica já nos ensina ... muito antes de surgir ... a tão jovem área de informática.
Srs.do Board ... não deixem seus melhores colaboradores da TI ... de fora de suas decisões de negócios. Muitas vezes este não é o CIO, mas sim um colaborador senior com efetivo conhecimento dos processos e dos negócios da empresa.
Srs.da TI ... façam por merecer ... fazer parte das decisões estratégicas de suas empresas. Estar por estar ... nada agrega ! Envolvam-se de fato nos negócios, nos processos, dominem efetivamente ! Delegação perversa ... não é delegação.
Processos, modelos, técnicas ... são importante ... mas alinhamento tb.é faro ... não tem formação ! Tá no instinto ... talvez falte este "pulo do gato" para alguns técnicos da TI. Começar a deixar um poucos os processos e números de lado e passar a interpretar o mundo fora do mundo colorido de 17" a sua frente.
E para todos nós ... conscientemente sabemos ! Qdo.se quer ... tudo se conquista. Basta querer ...
A todos minhas mais efusivas saudações,
postado em: ter, 03/03/2009 - 12:30
Primeiramente ... e depois dizem que pessoal de TI não sabe sequer escrever e se expressar de forma escrita ! Vejam que excelentes construções frasais. Neste aspecto ... excelente Meinerz.
Complicado é saber que na organização ao qual estás dando chancela nesta coluna - e somente sobre esta tens autonomia para fundamentar opiniões - haja vista parecer desconhecer com algum grau a realidade vigente em empresas de médio e grande porte.
Muitas e muitas são as grandes organizações que possuem ... sim ... presença da área de TI, mais especificamente, área de negócios de TI no Board.
Aos que gostam de fatos ... consultem as associações da categoria ! ASSESPRO e SEPRORGS ... e tomarão consciência da realidade.
Isto acontece pq.estas empresas efetivamente sabem da importância que esta área pode agregar. Talvez outras (poucas !) não o façam pq.julguem que estas áreas não tenham o efetivo alinhamento com suas áreas de foco produtivo.
Nestes casos ... quem seria o irresponsável de trazer alguém de uma área desfocada ao Board ? Que Diretor assumiria esta posição ?
Cada caso é um caso ! Padronizar modelos de gestão é algo que não é possível fazer ... e isto a formação acadêmica já nos ensina ... muito antes de surgir ... a tão jovem área de informática.
Srs.do Board ... não deixem seus melhores colaboradores da TI ... de fora de suas decisões de negócios. Muitas vezes este não é o CIO, mas sim um colaborador senior com efetivo conhecimento dos processos e dos negócios da empresa.
Srs.da TI ... façam por merecer ... fazer parte das decisões estratégicas de suas empresas. Estar por estar ... nada agrega ! Envolvam-se de fato nos negócios, nos processos, dominem efetivamente ! Delegação perversa ... não é delegação.
Processos, modelos, técnicas ... são importante ... mas alinhamento tb.é faro ... não tem formação ! Tá no instinto ... talvez falte este "pulo do gato" para alguns técnicos da TI. Começar a deixar um poucos os processos e números de lado e passar a interpretar o mundo fora do mundo colorido de 17" a sua frente.
E para todos nós ... conscientemente sabemos ! Qdo.se quer ... tudo se conquista. Basta querer ...
A todos minhas mais efusivas saudações,
postado em: ter, 03/03/2009 - 10:36
Luiz, Parabéns pelo artigo, nos sentimos honrados por compartilhar estas informações...
postado em: seg, 02/03/2009 - 19:13
Luiz...Para algumas empresas ainda somos (a TI) a "casa de máquinas"...faz a coisa andar,mas ficamos lá em baixo,no porão...rsss..um abraço...
postado em: seg, 02/03/2009 - 15:45
Luiz, parabéns pelo artigo. Acredito que a juventude de TI, como colocaste, é em parte explicação para as dificuldades enfrentadas pelos CIO's. Há muito trabalho pela frente, em busca do reconhecimento e do já merecido lugar no board.