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Alinhar TI ao negócio ou alinhar o negócio a TI?

Henrique Portella // quarta-feira, 28/10/2009 17:01

Sei que a posição é polêmica, mas, como gestor de TI, entendo que o maior erro que podemos cometer é querer “apenas” alinhar TI ao negócio. Me passa um ar de reatividade absoluta esperar que o negócio defina para onde vai para então pensar como a TI pode ajudar. E o pior é que pensar assim nos impede de fazer aquilo para o que fomos talhados: Alinhar o negócio da nossa empresa à TI.

Os negócios dependem cada vez mais de TI e as empresas que não se movimentarem em repensar seus negócios a partir da Tecnologia da Informação serão convidadas a deixar o baile mais cedo. Já não é novidade para ninguém que cada vez mais indústrias inteiras são reviradas por novos modelos, mercados são surpreendidos por novos e inovadores negócios e, verdade seja dita, outros negócios sucumbem pelas mudanças.
 
Não acredito que ainda restem empresas que enxergam a TI como hardware. Não posso deixar de pensar que, se a alta cúpula achar que TI é aquele monte de máquinas que antes nós comprávamos, depois passamos a alugar e agora pagamos como serviço fora da empresa, a situação é critica: as máquinas nem mais podem ser mostradas com orgulho aos clientes ou em programas de integração de novos colaboradores.

A verdade é que, de fato, a grande maioria das organizações já percebe a TI como um potencial item de diferenciação, mas desconfio que em um nível apenas ligeiramente superior a camada física, ou seja, a camada de automação de processos de negócio.

Para enxergarmos as organizações de certa distância e ajudar na argumentação recorro a Norton e Kaplan, que propuseram um modelo mental baseado em quatro dimensões, sejam elas, financeira, clientes, processos e aprendizado, das quais me interessam na argumentação deste artigo as três primeiras.
 
Processos: Vejo que é comum enxergar a TI na dimensão Processos principalmente como estruturadora destes, o que é muito importante já que este é o alicerce para a dimensão Clientes. No entanto ainda vejo esta como uma camada intermediária, tipicamente de alinhamento de TI ao negócio.

Nas duas camadas superiores: Dimensões, Clientes e Financeira as coisas começam a se inverter.

Clientes: Pensar a TI como um item de diferenciação junto aos clientes é um grande ensaio, pois a simples percepção por parte dos clientes de uma camada tecnológica diferenciada cria barreiras, mesmo que temporárias, aos concorrentes.

Financeira: É definitivamente nesta dimensão superior, a financeira, que residem as melhores oportunidades de alinhar o negócio à TI. Não falo aqui daquela capacidade intrínseca da TI de reduzir custos que é importante, mas não gera riqueza. Me refiro a criação de soluções diferenciadas, inovações que gerem mais receita e ganhos para as nossas empresas.

Como? A resposta não é fácil, mas quero crer que passa muito por tecnologias como BI (Business Inteligence) e BA (Business Analytics) para a descoberta de nichos inexplorados, SOA e Cloud Computing para tornar a empresa muito mais adaptável e dezenas de outras sopas de letrinhas que estão aí apenas para nos ajudar a deixar o nosso negócio muito mais alinhado a TI do que o negócio do concorrente.

Enfim, se fosse fácil não era para nós, mas ao mirarmos esse horizonte acho que ninguém nem lembrará de nos perguntar se a nossa TI está alinhada aos negócios já que o negócio estará de forma irreversível alinhado à TI.

* Henrique Portella é superintendente de TI da RedeBrasil

Henrique Portella

Henrique Portella é superintendente de TI da RedeBrasil...

COMENTÁRIOS
Luciano Basile

postado em: seg, 30/11/2009 - 08:05

Parabéns Henrique. O artigo é muito lucido e equilibrado. Mas primeiro devemos reconhecer que as empresas \"ainda\" alinham TI ao negócio. Como diz o professosr Stanley Loh falta metodologia para fazer o caminho inverso. Eu penso que tem um componente, o tempo, disponível para realizar os diversos movimentos necessários em uma empresa. Vivemos uma cultura imediatista, de busca de resultados rápidos, de uma TI capaz de responder a todas as perguntas de forma imediata. Temos que pensar o futuro --- novas tecnologias, novos produtos, novos processos --- quando muitas vezes não temos budget para fazer o presente. Diante deste cenário ultra competitivo TI tem respondido muito bem, apesar da percepção ao contrário de muitas empresas/usuários.

Rafael portella

postado em: ter, 17/11/2009 - 20:13

Ótimo artigo!

um abraço,
Rafael portella

Stanley Loh

postado em: ter, 10/11/2009 - 20:57

Excelente o artigo.
Como professor, estou em busca de metodologias que possam ajudar neste tipo de planejamento. Em geral, as metodologias alinham TI ao negócio (BSC, BSP, Cenários, Fatores Críticos de Sucesso, MASP, Engenharia da Informação).
Tenho estudado metodologias de BIM (Business Impact Management) e estou estudando como utilizá-las justamente para o caso inverso, ou seja, como se pode prever a chegada de novas tecnologias que poderão gerar inovações ao negócio.

Diego Dias

postado em: ter, 03/11/2009 - 09:25

Portella,

Parabéns pelo artigo.

Leandro Cabreira

postado em: sex, 30/10/2009 - 08:28

Caro Henrique,

Excelente o teu artigo, parabéns!!!
Sem dúvida a TI é uma grande alavanca de diferenciação nas Empresas.
Vantagem competitiva se obtém com inovação e para inovar deve-se estar aberto a novas idéias e novas tecnologias. Sei bem que tu pensas assim.
É uma pena que muitos gestores de TI não pensem da mesma forma...mas logo isto muda, pois como tu mesmo disse, senão uma hora destas o \"baile acaba\".
Parabéns mais uma vez pela clareza das idéias apresentadas.

Abraço.
Leandro Cabreira

Ernani Paulo Toso

postado em: sex, 30/10/2009 - 07:22

Portella.

Parabéns pelo artigo.

Um grande abraço.

Celedo Lopes

postado em: qui, 29/10/2009 - 22:40

Pois é Henrique. Li em algum lugar que um dia existirão dois tipos de negócios: \"e-Business\" e \"Out-Of-Business\". Pelo visto em alguns setores isso já é realidade. Parabéns pelo artigo. Abraço.

Fernando Ferreira

postado em: qui, 29/10/2009 - 18:57

Portela,

Parabéns!

abraços,

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