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Juristas legalizam chuva

Janer Cristaldo // quarta, 06/06/2012 00:04

A Comissão de Juristas do Senado, que discute mudanças no Código Penal, aprovou semana passada proposta para descriminalizar o porte de drogas para consumo próprio. Pelo texto, não haveria mais crime se um cidadão fosse flagrado usando entorpecentes. Atualmente, a conduta ainda é considerada crime, mas sujeita à aplicação de penas alternativas. É o que leio nos jornais.

Os doutos senhores, ao que tudo indica, acabam de declarar que a chuva é legal. Em todas as metrópoles do país, zumbis fumam crack a céu aberto, muitas vezes com a presença complacente da polícia, e uma Comissão de Juristas vem agora propor a descriminalização das drogas. O senhores juristas incorrem no mesmo ridículo das passeatas da maconha, que pretendem legalizar o que há muito é permissível. A lei que criminalizava o uso das drogas desde há muito virou letra morta e só agora os legisladores parecem ter percebido a mudança.

Nada de novo tenho a dizer sobre o assunto. Ano passado, a Veja nos trazia a surpreendente revelação de que drogas eram consumidas livremente no principal prédio da Universidade de Brasília, inclusive em salas de aula. O site publicava um vídeo com flagrantes de uma festa organizada por alunos da Biologia, onde cerca de 3.000 pessoas participavam do evento, que teve a apresentação de bandas de rock.

“Um breve passeio era suficiente para constatar a disseminação da droga no local. Jovens não se preocupavam em esconder a prática e preparavam cigarros de maconha na frente de todos. Grupos usavam salas de aula para dividir os entorpecentes. Tudo dentro do Instituto Central de Ciências (ICC), o prédio-símbolo da universidade.

“A Polícia Militar não foi vista no mal iluminado câmpus Darcy Ribeiro, localizado a quatro quilômetros do Congresso Nacional. Em greve, agentes de segurança da universidade também não incomodaram os usuários. Dois porteiros do prédio pareciam cochilar. Não havia qualquer controle que impedisse a presença de menores de idade no local”.

Desde há muito as drogas vêm sendo consumidas livremente nas universidades de todo o país. Os campi constituem verdadeiros templos onde os drogados buscam refúgio. Os alunos da USP, sem ir mais longe, preferem arriscar-se a assaltos e estupros a serem perturbados pela presença da polícia. A universidade, no Brasil, é o foco disseminador de duas pragas, as drogas e o marxismo. Isso sem falar em outros males gálicos, como o estruturalismo, lacanismo, desconstrutivismo. Estes, pelo menos não tão letais.

As drogas se popularizaram no Brasil através da universidade. Nos tempos em que vivi na Fronteira gaúcha, maconha ou cocaína eram coisas da capital. Bastou a universidade chegar lá e as ruas foram tomadas, à noite, por bandos de jovens drogados. Que o digam Dom Pedrito, Bagé, Livramento. Assim como a universidade, a droga chegou na Campanha para ficar.

No final dos anos 50, droga era coisa de marginais. Lembro de ter visto reportagem na revista Cruzeiro, em que um repórter deixava crescer a barba para infiltrar-se junto a presidiários. Na época, antes ainda da tomada do poder em Cuba por Castro e Guevara, barba era distintivo de bandido. Era preciso descer ao “tenebroso mundo do crime” para se conhecer os meandros do mundo da droga. A maconha era conhecida como a erva do diabo. Só tornou-se coisa de gente fina quando passou a ser consumida pelos universitários americanos. Com um nome que indicava sua procedência mexicana, marijuana. Com os Woodstocks e Beatles e roqueiros da vida, a cannabis ganhou status acadêmico. Não por acaso o fumacê brasiliense era animado por bandas de rock. Rock e drogas sempre andaram juntos.

Como pretendem as autoridades combater as drogas quando o país recebe de braços abertos Beatles, Rolling Stones et caterva, os grandes difusores internacionais das drogas? Obviamente, nenhum dos alunos que participaram da festa regada a drogas na UnB foi desligado da universidade. Como não foram desligados da PUC de São Paulo, nem da Estácio de Sá no Rio, nem da USP, nem da UFSC ou da UFRGS, nem da Urcamp ou da Funba.

Curta é a memória das gentes. Droga se tornou uma questão de equilíbrio social. Pelo jeito ninguém mais lembra quando, em 2003, Anthony Garotinho, então secretário de Segurança do Rio de Janeiro, ficou seriamente preocupado com o caos social decorrente do fim do tráfico: "Imagine se nós conseguíssemos fechar todas as bocas-de-fumo por uma semana e não fosse vendido um papelote de cocaína ou um grama de maconha? O que aconteceria com 700 mil pessoas depois de três dias sem usar droga, em crise de abstinência?”

Toda política de repressão às drogas tem redundado em rotundo fracasso. Nos fins de semana em São Paulo – ou em qualquer capital do país – é mais fácil encontrar um baseado do que um melhoral. Que esperam as autoridades para legalizar o consumo de drogas?

Ora, direis, então se não se pode combater o roubo e o assassinato, legalize-se tanto o roubo como o assassinato. O argumento não procede. O assassinato tira uma vida, o roubo subtrai bens. A droga não tira nada de ninguém. É o que se chama de crime sem vítima. Não faltará quem argumente que vítima sempre há, no caso o usuário. Pode ser. Mas suicídio não está tipificado como crime em nosso Código Penal. Se suicídio não é crime, porque criminalizar a pressa com que uma pessoa se suicida?

A douta Comissão do Senado sugeriu, porém, uma ressalva para a hipótese do uso de drogas. A pessoa poderá responder a processo caso consuma "ostensivamente substância entorpecente em locais públicos, nas imediações de escola ou outros locais de concentração de crianças ou adolescentes ou na presença destes". Nessa hipótese, o usuário ficará sujeito a cumprir uma pena alternativa, se for condenado. A pena envolveria uma advertência sobre os efeitos do consumo de drogas, prestação de serviços à comunidade ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Alguém vai proibir raves ou shows de rock no país, que reúnem multidões de adolescentes? Duvido. Na última Virada Cultural organizada pela prefeitura paulistana, a droga correu nas ruas de São Paulo. Proibirá um dia a prefeitura a distribuição generalizada de drogas que ela própria patrocina?

Os doutos juristas decidiram que, pela proposta, o simples fato de ser realizada venda de uma substância entorpecente seria considerado tráfico de drogas.

— Se a pessoa é surpreendida vendendo, não importa a quantidade, é tráfico — disse o relator.

Pelo jeito, estão propugnando a distribuição gratuita de drogas. Como comprar se não há quem venda? A elite de nossos juristas está agindo como formigas enlouquecidas ante um temporal, que já nem sabem para onde vão.

 


 

Janer Cristaldo
Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor e vive em São Paulo.
COMENTÁRIOS
Diego Garcia

postado em: 06/06/2012 - 11:05

Caro articulista:
Nada mais lógicas que as decisões de nossos digníssimos juízes, que sempre ligam o famoso botão do “Danem-se” para o que leigos pensam, ou deixam de pensar.Parafraseando O.Bilac, não Belchior, “Ora (direis) ouvir estrelas, certo! E eu vos direis, no entanto”: “Não tem mais jeito, a gente não tem cura”.
Se a indústria automobilística contribui diariamente para que tenhamos gigantescos engarrafamentos nas grandes cidades e os acidentes com veículos automotores no país causam mais mortes por ano que muitas guerras espalhadas pelo mundo afora, ou mortes com armas de fogo por aqui, por exemplo, isso não é problema dela, mas sim dos governos municipal e/ou estadual.A eles cabe organizar o trânsito, espalhando "pardais" por todos os lados,aumentando o IPVA,forçando o aumento dos estacionamentos etc. Tudo para meter ainda mais a mão no bolso do otário,passivo e pacífico contribuinte. Ela (a indústria) só está aí para atender a demanda das classes mais abastadas, incluindo a Corte. O povão mesmo tem de contentar em andar em ônibus e metrôs superlotados, como se fosse sardinha enlatada,(preferencialmente dócil, sem provocar quebra-quebra), ou, no máximo, em vans. Bicicletas elétricas também são para riquinhos exibicionistas e ecologicamente corretos, portanto, nada disso conta.
Partindo da premissa de que fabricantes de faqueiros não são responsáveis por alguém que usa uma faca ou garfo para ameaçar, agredir, ferir, ou matar outra pessoa, por que proibir a produção desses utensílios, certo?
Então, no caso da descriminalização das drogas cinicamente chamadas de “recreativas” (quais serão mesmo que se enquadram nessa categoria?), magistrados que tudo sabem mais do que especialistas, estarão atendendo, inclusive, a própria demanda, de seus familiares, vizinhos, amigos, parlamentares, artistas, intelectuais, estudantes (de todos os níveis e que vêm demonstrando tão bem o quanto o Brasil tem evoluído no ranking mundial de educação e que com o cosumo de drogas certamente progredirá ainda mais) e não apenas de meros bandidos e viciados. Por que encarcerar jovens tão inteligentes que só querem dar uns "tapinhas" até mesmo dentro de salas de aula? É ou não mais chique e cheiroso do que um mero cigarro de mentol, charuto cubano, ou fumo de cachimbo? Nem que o bem pago professor solicite educadamente que os que bem quiserem fumar, façam-no fora de sala, será atendido. Isso porque o professor há décadas é apenas considerado um “mediador, educador, provocador, estimulante" e jamais um simples instrutor. Sobretudo, trata-se de um lacaio submisso, que tem a obrigação de aprovar automaticamente todo mundo. Se não o fizer, sofrerá imediatamente as conseqüências.
Deve-se garantir o pleno, certo e líquido direito de consumo de drogas até pouco tempo consideradas ilegais, para que acabe de uma vez por todas a hipocrisia da sociedade. Se ainda há fumantes de cigarro, charuto ou cachimbo por aí, basta inibi-los e exterminá-los com leis cada vez mais severas, proibindo-os de fumar em praticamente todos os lugares, quem sabe até dentro de casa? Mas, consumir maconha, crack, cocaína, ecstase etc não só pode e é desejável, mas um dever dos mais nobres. E viva a contribuição inestimável de Planet Hamp, Skank, Barão Vermelho,funkeiros e seus inspiradores estrangeiros! Pensando bem, se a sociedade tem inúmeros problemas de alcoolismo e tabagismo (drogas legalmente aceitas), por que também não liberar de vez as clandestinas e ilegais? Apenas o governo está garantindo que jamais em tempo algum haverá consumo de drogas, muito menos qualquer crime a elas vinculado. As grandes autoridades que municiaram o governo e que sempre fizeram campanhas "bacanas e politicamente corretas" como as do Viva Rio,por exemplo, estão assinando embaixo que garantem que a sociedade evoluirá, e muito, a partir da descriminalização de todas as drogas e não apenas da maconha.
De mais a mais, companhias de cigarro, por exemplo, serão fortes candidatas a produzirem, distribuírem e propagandearem seus mais novos produtos com total controle de qualidade para deleite dos viciados. Estão apenas aguardando o momento propício, já que sentiram uma discreta queda no consumo mundial. Será mesmo?
Observe que já existe um projeto para que também seja tolerado o plantio de maconha em residências, desde que para consumo próprio. Depois,gradualmente,será também permitido o plantio de papoula e de coca. Aquela somente para ornamentações e esta apenas para fazer chá. Tudo muito lindo, edílico, acéptico, natural e saudável.
As crianças receberão, desde a primeira série do ensino fundamental, orientações e informações sobre não apenas aceitarem democraticamente os "exóticos, diferentes e bizarros" como se maioria fossem, mas, sobretudo, o “consumo social e recreativo” de todas as drogas para que, assim cresçam, se desenvolvam, “evoluam” e possam tornar-se consumidores mais seguros, exigentes quanto à qualidade dos produtos, inclusive, garantido pelo Ministério da Saúde, Anvisa e pelo Código de Lei do Consumidor.
Mas, temos de ter extremo cuidado, cronista. A mui erudita Ana Maria Braga,por exemplo, terá de indenizar com R$150 mil à juíza Luciana Viveiro, por um comentário feito em 2007,em seu programa “global”. Sabe o que disse a indignada apresentadora? Que não concordava com a decisão da juíza que mandou libertar um jovem que manteve a namorada refém, na Praia Grande, em São Paulo. Após a libertação, o rapaz voltou a capturar a jovem, matou-a e, depois, suicidou (desculpe-me, mas acho “suicidou-se” um pleonasmo). Concordemos, portanto, com a corretíssima juíza, pois só cumpriu o que a lei determina e fim de papo. Se nessa história há algo errado é com a lei, não com a magistrada.
É mesmo inegável que nossa cada vez mais lúcida e bem informada sociedade está mesmo em franca evolução na era petista. Quem o negar, “talvez precise até tomar na cara pra ver que o samba está bem melhorado”.
Não se esqueça de buscar no Google “Hino de Duran”. Essa mensagem é bem oportuna em tempos de pré-censura.

Diego Garcia

postado em: 06/06/2012 - 16:58

Uma amiga alertou-me de que pulei algumas palavras no texto. São elas:
O povão mesmo tem de SE contentar...
Apenas o governo está garantindo que jamais em tempo algum haverá AUMENTO DO consumo de drogas, muito menos qualquer crime a elas vinculado.

Djalma Franco

postado em: 07/06/2012 - 13:27

Desculpe-me, mas creio que o colunista equivocou-se ao dizer que nossos juízes estão agindo como formigas enlouquecidas. Na verdade, estão conscientemente colaborando com a causa socialista. Um exemplo: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=181559
Quer outro? Confira esse interessante caso: o Supremo Tribunal Federal acatou a sentença que condenara o padre Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz pelo crime de chamar de abortista uma adepta do abortamento (http://www.providaanapolis.org.br/pelodi.htm). Fica patente que casos semelhantes de emprego do termo no mesmo sentido utilizado pelo padreco, ou seja, defensor ou adepto do abortamento, automaticamente passam a ser crimes e o autor de tal heresia será devidamente condenado sem dó nem piedade. Portanto, o STF acha pra lá de normal o emprego de termos consagrados, tais como: capitalista, socialista, comunista, feminista etc, mas outorga-se o direito de censurar qualquer outro que não lhe agrade o olfato ou paladar. Talvez, também inclua na lista de impropérios os termos “gayzista, esquerdopata, maconheiro” e congêneres, se achar que são chulos, irônicos e pejorativos demais para designar tão seletas e respeitáveis minorias. Então, esteja alerta, se não desejar ser interpelado judicialmente por alguma angelical e cândida criatura incomodada que, em décadas passadas, reclamava das “patrulhas ideológicas”.
Por falar em ministros do STF, veja também o que anda nas cabeças, nas bocas e estão falando alto pelos botecos:
Lembra-se da orgulhosa propaganda do governo do apedeuta de que o ministro Joaquim Barbosa foi o primeiro negro a ocupar o STF? Leia isso: “Embora se diga que ele é o primeiro negro a ser ministro do STF, ele foi, na verdade, o terceiro,[5] sendo precedido por Hermenegildo de Barros (de 1919 a 1937) e Pedro Lessa (de 1907 a 1921).”
Sabe como é...a fonte (http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Barbosa) para muitos é inconfiável, logo não merece crédito.
http://expressaobrasileira.blogspot.com.br/2009/04/bate-boca-no-stf-questao-de.html
http://felipesantolia25.blogspot.com.br/2012/01/o-juiz-mais-corrupto-do-stf-este-e-um.html
http://blog-sem-juizo.blogspot.com.br/2012/03/gilmar-e-justica-que-nao-funciona.html
O cronista certamente também não se esqueceu da inesquecível pérola do faixa vermelha de jiu jitsu e guitarrista, ministro Luiz Fux : “ “O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza”.
Ele, segundo, outro analista ligou o “Dane-se” para o explícito texto da Carta”.
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/juiz-de-goiania-age-de-acordo-com-a-constituicao-e-cancela-casamento-gay-tema-deve-voltar-ao-stf-que-insistira-em-jogar-fora-o-artigo-226-usurpando-prerrogativa-do-congresso/

Cristiane Araújo

postado em: 07/06/2012 - 14:03

Viciado sem grana para adquirir suas tão maravilhosas droga(s), não raramente deixa de cometer furtos, roubos e outros crimes. Uns vendem objetos de casa (muitas vezes ainda moram com os pais e os objetos são destes), outros roubam estepes e aparelhos de som de automóveis, enquanto outros roubam quem estiver "dando mole por aí”. Os objetos furtados ou roubados são rapidamente vendidos, ou trocados por drogas. Há os que se prostituem e os que ficam devendo aos traficantes, geralmente acabam aparecendo mortos. Tudo isso em nome do uso “recreativo”.
Os que por ventura desejarem largar o vício (algo raríssimo, diga-se de passagem) terão de se internar em clínicas geralmente caras. O nosso excelente governo petista e preocupadíssimo com a saúde do povão venderá a ideia de que o Ministério da Saúde se empenhará para abrir postos e clínicas "altamente especializadas" com profissionais de várias áreas interdependentes. Serão psicoterapeutas, médicos, nutricionistas, fisioterapeutas etc que, juntos, tentarão um número milagroso semelhante ao que fazem Edir Macedo e pastores "evangélicos" do alto de seus púlpitos. Há quem neles creiam, não resta qualquer dúvida. Para isso existem estatísticas facilmente manipuladas e que garantem o sucesso desejado e acabem fazendo propaganda positiva do governo sempre atento, eficaz e preocupadíssimo com o bem-estar social(ista).
Sabe quem pagará a conta para livrar os que "recreativamente" optaram por se divertir a valer com crack,coca,maconha etc? Os mesmos que pagam para tratamento do alcoolismo e do tabagismo. Simples, prático e baratinho, não?
Não se trata de assumir que as drogas existam e que há milhões de pessoas com elas envolvidas e só por isso devam ser liberadas por essa ou aquela razão.
Citar certos países que vêm adotando políticas liberais e de capitulação ao combate às drogas geralmente é comum, desde que reforcem a política que se deseja clonar por aqui com algumas adaptações iniciais. O que geralmente não é bem visto, muito menos aceitável é a citação de outros que, por exemplo, "passam o rodo" em traficantes e dependentes. Aí, já viu que a gritaria dos viciados intelectuais e artistas de esquerda é imediata. Talvez o sujeito que se arvore em começar a explanar tal coisa, não tenha sequer tempo de concluir a primeira palavra, muito menos frase. Nesse caso a proposta só pode mesmo ser coisa de algum fundamentalista, extremista e radical de direita, claro. Onde já se viu tamanha insanidade e crueldade?!
Sabemos que a política de nosso país, 6ª. economia mundial e rumo à quinta posição, tem sido bem generosa ao perdoar dívidas de diversos países (Bolívia, Moçambique, Nigéria, Cabo Verde, Niquarágua e Cuba (1) , abrir embaixada em Tuvalu (2), porque, como é de conhecimento geral, temos excelente sistema de saúde, educação, transportes e segurança pública. Então, diante de tanta riqueza ultra bem distribuída,principalmente com o “sucesso” do “Minha casa, minha vida” (busque no Google as fraudes constantes) e, vez por outra, com a redução do IPI para se poder comprar materiais de construção, eletrodomésticos e veículos automotores, por exemplo, nada mais sensato do que incentivar por tabelinha e nas entrelinhas o consumo escancarado de drogas até, então, consideradas ilícitas e “leves”. Não há nada de estranho ou errado nisso. Faz-se campanha contra o tabagismo ao mesmo tempo que também se montam operações da “Lei Seca” (3). Mas, se alguém tiver fumado maconha e for parado em uma dessas operações, por exemplo, estará tudo na mais perfeita normalidade, claro. Haverá os que dirão que é muito provável que nosso governo haverá também de adotar kits (jamais tão invasivos) que detectam até um culhonésimo de substância canabinol pela expiração bucal do testado e não apenas em testes de urina ou cabelo. Aliás, o que não falta é “antídoto” (4) (5). Sabe do bolso de quem sairá a grana para a compra desses maravilhosos e infalíveis kits já adotados nos EUA, ou acha que será doação do Eike, cliente de Zé Dirceu e amigo da governanta (6)?
Ao lermos o que diz a Constituição sobre o direito de ninguém ter a obrigação de produzir provas contra si, houve movimentação imediata parlamentar para abrir na marra uma primeira exceção. Sim, porque depois da primeira, certamente virão as demais e o texto sofrerá mais emendas, como se fossem poucas as que desde a última “cidadã” foi promulgada. E, claro, o STF acabará confirmando a proposta que tanto interessa. Foi assim que, interpretando ao seu bel-prazer e com flexibilidade ímpar o texto constitucional, aprovou as cotas raciais. De nada adiantou qualquer argumento científico, por exemplo, comprovando que devemos falar apenas em raça humana e, no máximo, em grupos étnicos (7) (8). Os ministros consideraram discurso ultrapassado, até reacionário e que deve ser combatido implacavelmente com a lei. A cor da pele é bem mais significativo e importante, atendendo ao anseio sempre de minorias que se sentem excluídas desde todo o sempre. Pobres de outras etnias que se lixem, pois terão indubitavelmente mais condições de superar as dificuldades em todos os setores econômicos e sociais. Assim, sacramentaram nossos olímpicos ministros. Está tudo lá registrado na enciclopédia que cada um escreveu para ler ao vivo e em cores na frente de todo mundo, porque jamais o voto individual pode simplesmente ser feito sem pelo menos uma justificativa (9). É regra do jogo. Nelson Rodrigues, se vivo estivesse, será que teria peito de repetir que toda unanimidade é burra?
(1) http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090827183345AAdberV
(2) http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/se-insistir-na-criacao-de-embaixadas-inuteis-lula-merece-ser-mandado-para-tuvalu/)
(3) http://www.sp.abrasel.com.br/index.php/noticias/302-070512-stf-se-prepara-para-votar-adi-contra-lei-seca-
(4) http://hempadao.blogspot.com.br/2009/07/ed-22-hermportagem-tipos-de-exames.html
(5) )http://hempadao.blogspot.com.br/2009/07/ed-22-hermportagem-tipos-de-exames.html
(6) http://www.dignow.org/post/dilma-e-eike-batista-s%C3%A3o-favor%C3%A1veis-a-uma-parceria-entre-a-petrobras-e-ogx-4033118-54207.html
(7) http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=1026
(8) http://www.mns.org.br/index.php?programa=noticias/index.php¬icia=49&titulo=Combater%20o%20racismo,%20lutar%20pelo%20Socialismo,%20Artigo%20de%20Jos%E9%20Carlos%20Miranda%20publicado%20na%20revista%20te%F3rica%20da%20Corrente%20Marxista%20Internacional.%20%20Am%E9rica%20Socialista%20editada%20em%204%20linguas%20e%20presente%20em%2018%20pa%EDses%20da%20Am%E9rica%20Latina.
(9) http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/ao-aprovar-cotas-stf-busca-justica-material

Manoela Alcântara

postado em: 07/06/2012 - 14:40

Leia a opinião de quem conhece o Direito:
http://oglobo.globo.com/blogs/juridiques/

Celia Regina

postado em: 07/06/2012 - 14:48

É sempre bom saber o que pensam uns e outros, por isso aproveito para que compartilhar esses textos e boa leitura:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/descriminacao-das-drogas/

Roselis Mascarenhas

postado em: 08/06/2012 - 13:06

Acho que, principalmente, adolescentes e jovens estudantes devem poder se drogar a vontade para melhor se preparem para concursos públicos e com isso responderem, por exemplo, quem é Luíza, Michel Teló, a dupla Janete e Valéria etc. Cultura de massa é tão ou mais importante que saber somente coisas relacionadas à História, política, Geografia, não é mesmo, prof.Rodrigo Jerônimo, do Curso Maxx? Afinal, por que tão excelentes estudantes devem ser obrigados a saber apenas quem foram os Novos Baianos, Chico Buarque,Ivan Lins,Gonzaguinha, Milton Nascimento e vozes das esquerdas que lutaram pela "democracia"?

http://oglobo.globo.com/emprego/depois-de-luiza-no-canada-michel-telo-zorra-total-vao-parar-nos-concursos-5148795

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