Jaime Wagner // sexta-feira, 07/03/2008 09:48
O sim abre, inaugura, promete. O não fecha e encerra - deu! O sim permite; o não proíbe. O sim concede; o não tira. O sim sorri; o não é sério, às vezes triste ou até furioso. O sim facilita; o não dificulta. Se sim há futuro. Se não, quem sabe?
Se bem que há uma promessa de não, a promessa da contenção, o dever de "não" fazer, a lei áurea do interdito: não faz o que não queres que façam. Prefiro o avesso, o dever de fazer, a iniciativa amorosa e criativa: faz "sim" (e antes) o que queres que façam.
A vida é uma viagem do sim ao não. Eis o percurso:
SIM - não - não - por que não? - talvez - sim - SIM - sim - se der - bem que eu queria - não mais - NÃO.
Explico.
O nascimento, se há amor, é um grande e maiúsculo SIM à vida. SIM, é meu filho! SIM, é lindo! Só por existir.
A infância é o aprendizado do não. Não mexe! Não grita! Não chora! Não fala! Não erra! Feio!
A adolescência contesta: por que não? E se questiona: quem sabe? E experimenta: talvez...
A maturidade decide. Primeiro, timidamente, sim. Então, afirmativamente, SIM. Depois, hesitantemente, sim - quando se questiona: por que?
E vem o declínio: sim só se e quando der. Sobra o lamento: bem que eu queria, mas há que reconhecer que já não dá mais.
Enfim, a morte: o grande NÃO, o nada.