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Um modelo de negócio para softwares livre e abertos

Cesar Brod // quinta-feira, 04/01/2007 10:42

Conheci o Linux em 1993 e desde 1997 vivo exclusivamente de serviços relacionados a softwares livres e abertos. Especialmente a partir de 1999 uma série de modelos de sucesso relacionados a esse tipo de filosofia e produção tecnológica proliferaram. Minha (re)aproximação com o Baguete, inclusive, aconteceu graças a um debate sobre o investimento de grandes empresas em softwares abertos. Dentre as empresas participantes do debate estava a RedHat, justamente um destes exemplos de modelo de sucesso. A RedHat abriu seu capital em 1999 e é hoje a empresa que mantém a maior base comercial de uma distribuição Linux.

Ainda assim, apesar de amplas discussões (muitas vezes acaloradas), as perguntas que ouço com mais freqüência em palestras que ministro em eventos pelo Brasil e fora dele são: 1. Como ganhar dinheiro com isto? e 2. Qual a diferença entre software livre e aberto?

A primeira pergunta eu costumo responder com exemplos. A segunda, que muitas vezes toma formas diferentes, incluindo também a questão da gratuidade, confesso que cansei de responder. Meu amigo David Barzilay, gerente de marketing da RedHat, usa o termo software livre para posicionar a matéria-prima dos serviços de sua empresa. A razão disto é que, de fato, importamos desnecessariamente a confusão da dualidade do significado da palavra "free" (livre ou gratuito) para o Brasil e que o melhor, então, é simplificar. Já ouvi gente também justificar o termo "gratuito", dizendo que ele deve ser enfatizado, antagonizando com o custo de licenças de softwares "não-gratuitos" e usando isto como um diferencial para a venda de serviços: já que sempre irá existir o pagamento de serviços, a melhor relação custo/benefício de uma solução se dá quando não é necessário pagar pelo software. Outros ainda focam, acima de tudo, a questão da liberdade: não é uma questão de "abertura" do código ou "gratuidade" do software, mas a liberdade que o cliente e todas as pessoas têm de acesso à informação e o direito de passar adiante tal informação.

Quando fundamos a Solis, Cooperativa de Soluções Livres em janeiro de 2003 nós procurávamos responder a esta segunda pergunta, quer os clientes nos perguntassem ou não. Hoje amadurecemos para um conjunto de princípios de desenvolvimento e negócios que tem por base a filosofia do software livre. E entendemos que nossos clientes querem ver tais princípios não como uma bandeira que cravamos em cada um de seus computadores, mas como um diferencial competitivo para seus negócios e que preserve seus investimentos. Nesta evolução, a cooperativa dobrou o número de colaboradores e mais do que dobrou seu faturamento desde a sua fundação. Mais do que isto, acaba servindo de inspiração e modelo para outros que desejam trabalhar de forma semelhante.

Aos que se interessam pela conexão entre código aberto, cooperativismo e desenvolvimento regional, recomendo que acompanhem a movimentação da rede Três Mosqueteiros, que reúne as cooperativas Solis, Sintectus, Colibre e
TecnoLivre.








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