Cesar Brod // quarta-feira, 20/12/2006 09:56
Sou a favor de qualquer iniciativa que busque incluir mais pessoas no mundo da tecnologia, especialmente as que movimentam o mercado e na esteira desta inclusão geram mais posições de trabalho para estes recém-incluídos. Enfim, iniciativas de inclusão devem buscar que tal inclusão ocorra de forma integral. Claro, nem sempre esta integralidade é possível e não é por causa disto que se deva abdicar de projetos que permitam inclusões parciais.
Sou um propagandista do trabalho feito pelo grupo Gnurias - com pouco tempo e usando recursos que estão disponíveis as meninas do grupo buscam despertar a curiosidade tecnológica, fazendo com que crianças e adolescentes, mordidos pelo "bicho-da-informática", procurem mais informações e novos conhecimentos. Tipicamente elas fazem isto através de oficinas para professores ou alunos, falando sobre o uso de software livre no apoio à educação, mas já ministraram também oficinas para pessoas da melhor idade e jovens em busca de emprego, dentre outras.
Muitos estão acompanhando na imprensa e através da web notícias sobre vários projetos de inclusão digital de grande vulto, como os laptops de baixíssimo custo fornecidos pela iniciativa OLPC (One Laptop per Child) e pela Intel (ClassMate). No dia 6 de dezembro foi lançado também o Mandriva Flash, uma distribuição Linux que, rodando a partir de uma pendrive de 2Gbytes permite que o usuário carregue o seu sistema operacional e seus arquivos em qualquer computador que possa ser iniciado à partir de dispositivos USB. Lembro que há mais de um ano o Carlos Morimoto, autor da distribuição Kurumin Linux, sugeriu em uma conversa que poderia ser bastante viável economicamente de se ter computadores desktop muito simples, sem nenhum dispositivo de armazenamento, mas apenas a possibilidade de inicialização à partir de uma pendrive. De fato, o tutorial que detalha como isto deve ser feito foi disponibilizado em agosto de 2005.
Não quero, com isso, sugerir que iniciativas como as da OLPC ou da Intel não devam ser levadas adiante. Muito pelo contrário! Os laptops de baixo custo de ambas as iniciativas estão inseridos em um contexto de levar a tecnologia para salas de aula e alunos de baixo poder aquisitivo. Por outro lado, enquanto estas tecnologias não se tornam mais populares, qual seria o custo de, ao invés de ter um laptop por aluno, tivéssemos uma pendrive por aluno que pudesse ser usada em laboratórios de escolas ou telecentros que teriam uma máquina baratíssima conectada à internet "com fio" mesmo?
Muitas vezes cobro de mim mesmo, e de pessoas que trabalham comigo, um "retorno à simplicidade". Lembro que no início do ano 2000 havia uma expectativa de uma série de incentivos à geração de negócios em software livre especialmente em função de demandas do governo gaúcho. A partir de 2002 esta expectativa migrou para as ações do governo federal. Claro que muitas pessoas e empresas puderam vender serviços para órgãos governamentais, mas o que sempre me chamou a atenção foi ver certos grupos, empresas e iniciativas que, talvez por seu tamanho, talvez por outras razões, não esperaram conseguir vender para o governo e puderam desenvolver modelos de negócio que proporcionaram em suas regiões a inclusão digital ao mesmo tempo em que geravam emprego e renda.
Nesta seqüência de artigos que estou produzindo para o Baguete espero contar um caso bastante específico e exemplar, do qual participei desde o início, que foi o surgimento e crescimento da Solis, Cooperativa de Soluções Livres, localizada em Lajeado, no Vale do Taquari.
Até a próxima!