Felipe Basso // segunda-feira, 02/08/2010 11:29
O Desguiator bem que poderia ser um produto das Organizações Tabajara. Mas não é. É coisa séria.
Ou pelo menos, se vende como tal. Desguiator é um aplicativo da Nokia que promete ajudar os usuários a se livrarem de situações desconfortáveis como conversas chatas em momentos inoportunos. O programa pode ser configurado para simular uma ligação telefônica após um gesto discreto com o aparelho, como por exemplo, uma pequena batida. Você define o toque que será usado pelo aplicativo e quanto tempo depois do gesto o aparelho tocará. Para quem está se interessando, a empresa disponibiliza download gratuito do programa em sua loja virtual.
São justamente essas maravilhas desenvolvidas para aparentemente melhorar e resolver todos os nossos problemas as que mais me assustam. Em primeiro lugar, porque raramente funcionam. E não funcionam porque é muito difícil de usá-las. No exemplo do nosso Desguiator, segundo a loja virtual da Nokia, basta você dar dois tapinhas discretos no celular para fazê-lo funcionar.
Vamos para a prática. Você está atrasado e encontra um conhecido que há muito tempo não vê. Ele começa a puxar assunto, perguntar se você está casado, se você se separou, se você tem filhos, começa a dizer que você está careca e gordo, hein?, e toda aquela ladainha. O problema é que você só está pensando na reunião e no trabalho que terá de apresentar e que já sabe que o cliente não vai gostar porque você tinha um milhão de coisas pra fazer e só deu pra fazer daquele jeito mesmo.
Aí surge a lembrança do seu Desguiator. Claro, se eles criaram tal aplicativo é porque realizaram testes e pesquisas de opinião para suprir uma necessidade latente dos consumidores. Nenhuma empresa séria e do tamanho de uma Nokia faria algo por pura fanfarronice.
Você tenta usar o aplicativo e dá dois tapinhas bem leves na sua pasta. Pasta? Sim, quando você saiu do escritório, simplesmente jogou o celular para dentro da pasta. Seu interlocutor interrompe a conversa e olha surpreso para o seu gesto, mas nada comenta. Ainda.
Como os tapinhas não funcionaram e sua ansiedade e nervosismo estão alcançando o topo do Everest, você acredita que precisa um pouco mais de força e aumenta a intensidade dos tapinhas, que já viraram tapas.
Novamente, seu interlocutor olha espantado para a cena. Pensa em comentar, mas se controla e continua a conversa. Já se passaram eternos três ou quatro minutos, quando você simplesmente soqueia sua pasta para fazer aquela droga de aplicativo funcionar e permitir que você atenda o telefona e possa dizer que precisa se despedir.
Antes disso, seu interlocutor se despede, com medo de você e de suas reações aparentemente sem lógica alguma. “Coitado, eu sempre desconfiei que ele acabaria assim...”
Ao invés disso, você poderia simplesmente dizer que está atrasado para uma reunião, mas praquê, não é mesmo? Ainda interessado no aplicativo?