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Como devemos fazer as coisas

Felipe Basso // segunda-feira, 09/01/2012 08:19

Não risque os dias com um X.

Ao invés, anote no calendário o nome de alguém que tenha feito o seu dia melhor.

Tente repetir o menor número possível de nomes,

Mas caso eles se acumulem, não se preocupe: isso ainda será uma boa notícia.

Crie um extrato bancário sentimental para anotar entradas e saídas.

Evite os juros abusivos da inveja,

Os saques desproporcionais do preconceito,

E a multa exorbitante da traição.

E muito, mas muito cuidado com as tarifas

- ressentimentos, aborrecimentos, ciuminhos e tristezinhas, que acabam comendo grande parte dos rendimentos acumulados da felicidade.

Não deposite todas as expectativas no sábado à noite e nem todas as frustrações na segunda de manhã.

Sorte e azar existem. E você possui os dois. Para sua sorte. Ou azar.

Evite expressões tais como: “tô na correria”, “hoje não dá” e “se eu não tivesse que” – elas são tão somente bruxas que amaldiçoam o curto tempo que temos.

Atente da mesma maneira para as quatro palavras traiçoeiras: sempre, nunca, todo mundo, ninguém.

Eu estou sempre certo. Errado.

Eu nunca faria isso. Será?

Todo mundo faz isso. Sim, inclusive você.

Ninguém me entende. Principalmente, você mesmo.

Sendo impossível livrar-se dos relógios

(hoje eles estão em toda parte)

Tente guiar-se pelo sol, quando possível.

E tudo bem se a gente se embriagar novamente

Desistir da academia

Ou aumentar alguns quilos devido ao excesso de carboidratos.

Desfrutar essas possibilidades ainda é uma das maiores liberdades que existe.

Ao acordar, antes de se olhar no espelho, olhe para o lado e dê um sorriso.

Se não sentir vontade de sorrir, pelo menos, por você, não cale.

Chore das pequenas tragédias cotidianas e guarde forças para quando surgirem as grandes.

Não se coloque no lugar do outro. Ajude-o.

Se você ainda não sabe quem é, olhe para a frente. O próximo diz muito mais a respeito de você do que você possa imaginar.

E, principalmente, não leia poemas como esse, que dizem como devemos fazer as coisas.

Quem o escreveu, viveu quase toda sua vida lendo poemas como esse, que dizem como fazer as coisas.

E, finalmente, desistiu.

Felipe Basso

Felipe Basso é jornalista. ...

COMENTÁRIOS
Nilsa

postado em: qua, 11/01/2012 - 16:46

Sr. Felipe

Que texto formidável!. Gostei.

Também eu estou cheia de ouvir "tô na correria", "hoje em dia é só correria" etc. Parecem que estão treinando para ser atletas, porém longe da disciplina e determinação dos atletas.

felipebasso
felipebasso

postado em: qui, 12/01/2012 - 14:04

Olá Nilsa. Obrigado pelo elogio. Que bom que gostaste. Abraços, Felipe

felipebasso
felipebasso

postado em: seg, 09/01/2012 - 09:21

Obrigado, Vanessa! Abração!

Vanessa Ffernandes

postado em: seg, 09/01/2012 - 09:15

Linda mensagem, Phil.

felipebasso
felipebasso

postado em: qui, 12/01/2012 - 14:05

Oi Vanessa! Obrigado pelo elogio. Abraço.

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