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Unidunitê

Letícia Polydoro // quinta-feira, 15/07/2010 15:38

Será que uma empresa que vende sistemas de monitoramento para armazenagem de insumos industriais precisa ter um perfil no FaceBook?

 

Existe uma expectativa do mercado no sentido de que empresas de tecnologia sejam sempre inovadoras. Talvez por isso tenho visto muitas empresas do setor que, num esforço para parecerem modernas, tentam ser onipresentes procurando aparecer em múltiplas comunidades, sites e tudo o mais que surgir. Muitos devem se lembrar que, há pouco tempo, o "futuro" da internet era o Second Life. Empresas bem próximas de nós investiram um bocado de dinheiro nele, pois representava um novo paradigma de relacionamentos. Alguém hoje se lembra do Second Life?

A verdade inquietante é que a internet ainda é um mistério para o mercado. Inicialmente, se pensava a web como mais uma mídia, assim como o jornal, a TV ou o rádio. Hoje, se sabe que ela é muito mais do que isso, ao reunir todas as mídias, e, ainda, apresentar um nível de segmentação até então inédito. Essa particularidade exige muita atenção de quem pretende utilizá-la para difundir suas ideias, serviços ou produtos. Antes de anunciar em uma determinada revista, por exemplo, o empresário avalia o perfil de seus leitores. O mesmo deve ser feito na internet, já que ela agrega múltiplos perfis de usuários. Especificamente no mercado de empresas de tecnologia que desenvolvem sistemas diversos para outras empresas (B2B), vale a pena perguntar-se: será que todos esses canais interessam?

Esse excesso de possibilidades mais confunde e atrapalha do que ajuda. Na dúvida, vamos fazer tudo! Grande equívoco. O tudo exige recursos da empresa, e se o objetivo é fazer e aparecer, então que seja bem feito. O problema é que as empresas arriscam-se em todos os modismos, sem pensar muito se será possível dar-lhes a devida continuidade. É um tiro no pé, que pode ser constatado ao se entrar em alguns desses canais e ver que seus seguidores resumem-se aos donos da empresa, que as páginas estão incompletas, que o blog não é atualizado, etc. É praticamente impossível estar presente em tudo, a todo instante estão surgindo novidades. Empresas cujos serviços/produtos atendem o consumidor final (B2C) estão mais suscetíveis a essa constante movimentação da web. Mas no B2B é diferente. Se uma empresa vende um sistema de monitoramento remoto para armazenagem e reposição de matéria-prima para a indústria de papel e celulose, será que ela precisa ter um perfil no FaceBook?

Antes que me classifiquem como jurássica, quero ressaltar que não estou afirmando que esses canais não devam ser utilizados, e ponto. Estou, sim, sugerindo que eles sejam usados com mais critério. Antes de aventurar-se a estar presente em tudo, faça a crítica de com quem, afinal, lhe interessa dialogar, e, então, monte uma estratégia (sustentável) para isso. Afinal, mesmo sendo um mistério, em um ponto todo mundo concorda: a internet continua sendo uma grande oportunidade.

Letícia Polydoro

* Letícia Polydoro é diretora da Hypervisual, empresa gaúcha é especializada em design para empresas de TI e outras áreas de base tecnológica.

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