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Imagine

Letícia Polydoro // quarta-feira, 18/08/2010 16:07

Só porque você sabe que o seu produto é bom, não pode pressupor que todo o mercado também o saiba.

 

Imagine que você é o diretor de uma empresa de um segmento qualquer que lhe agrada — excetuando o de TI — e está pesquisando um sistema para melhorar a sua área de gestão. Você identificou uma empresa de tecnologia cujo produto poderá lhe servir. Então, você é convidado a visitá-la. Ao saber que, periodicamente, receberá prospects no local, é provável que essa empresa já tenha providenciado um hall de entrada ao menos organizado (quando não, cuidadosamente projetado a partir dos mais modernos conceitos de arquitetura). Após aguardar alguns poucos minutos (o diretor dessa empresa não quer deixá-lo esperando), você é conduzido à uma sala de reuniões. Ao entrar, você percebe como o ambiente lhe é agradável e contemporâneo, equipado com um projetor de última geração e um grande monitor de LED na parede. Depois de uma breve apresentação sobre os benefícios de seus produtos e serviços, o diretor o convida para dar um passeio e conhecer as instalações: o setor de desenvolvimento, a área de suporte e a sala de treinamento. Ele fará todo o possível para impressioná-lo e provar, já nessa primeira visita, que, de todas as empresas existentes, a dele, sem dúvida, é a sua melhor opção.

Você pode também representar o papel de outros personagens. Por exemplo, você pode já ser um importante cliente dessa empresa fictícia, o diretor fará questão que você se sinta à vontade e que seja muito bem atendido no que precisar. Ou então, um fornecedor: para a empresa é conveniente estabelecer uma relação de confiança com você para que prosperem juntos, é necessário que você seja bem acolhido. E se você for um funcionário? Existem estudos que comprovam que um ambiente de trabalho organizado e limpo causa um impacto direto na produtividade dos colaboradores internos. É do interesse da empresa que você se sinta à vontade e valorizado.

Agora, vamos imaginar que você é o diretor da empresa de tecnologia, e não mais o prospect-cliente-fornecedor-colaborador. É você quem vai receber seus prospects, e sabe muito bem que eles contam com uma infinidade de produtos equivalentes ao seu para atendê-los, e isso em escala global. Você sabe que é impossível que todo o mercado se desloque até a sede de sua empresa em uma primeira triagem. Para resolver a questão, toda essa responsabilidade é transferida para o website de sua empresa. É ele que terá que ser persuasivo e convincente o suficiente para impressionar o visitante, e rapidamente, pois a concorrência está literalmente a um clique.

A conclusão é que, para o mercado, o seu website é a sua empresa na Internet. Parece óbvio, no entanto, ainda há muitas empresas nacionais e internacionais de tecnologia que não perceberam isso. Sua presença na web é simplesmente neglegienciada.

Todos nós costumamos formar uma opinião a partir do que vemos, e de imediato, mesmo que inconscientemente, fazemos um julgamento sumário, e não necessariamente justo. Isso permite situações nas quais empresas de tecnologia muito pequenas, com duas ou três pessoas, ainda com pouca experiência de mercado, possam transmitir, por meio de seu website, uma imagem de extrema competência, digna de uma sólida corporação. Por outro lado, empresas que, de fato, estão consolidadas em seu segmentos, com grande experiência de mercado, podem transmitir uma imagem exatamente oposta, de amadorismo e desleixo, se o seu website estiver mal apresentado. O que seus prospects estão vendo na tela não necessariamente corresponde à realidade, mas sim ao que eles imaginam ser a realidade.

Estou falando aqui de qualidade percebida, e não de qualidade intrínseca. Só porque você sabe que o seu produto é bom, não pode pressupor que todo o mercado também o saiba. A percepção de qualidade está naquilo que o seu prospect vê e ouve, e não naquilo que você pensa.

Seguindo essa linha de raciocínio, convido-o, neste momento, a acessar o seu website. Tente colocar-se na posição de um visitante de primeira viagem. Sinceramente, qual o julgamento que você está fazendo a partir do que está vendo agora? Se o que enxerga está lhe impressionando positivamente, parabéns, sua empresa já deve estar em um outro patamar de maturidade (só aproveite a oportunidade para dar uma olhada no site do seu concorrente, pois é exatamente o que o seu prospect fará). Já, se o que você está vendo não faz jus ao porte de sua empresa e à qualidade de seus produtos e serviços, é melhor começar a se preocupar seriamente com isso.

Letícia Polydoro

* Letícia Polydoro é diretora da Hypervisual, empresa gaúcha é especializada em design para empresas de TI e outras áreas de base tecnológica.

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