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O analfabetismo político e seus abismos

Gustavo Chierighini // sexta-feira, 20/07/2012 12:59

Caros leitores, inicio esse texto com uma afirmação: No Brasil, muito se fala sobre cidadania, conquista de direitos e engajamento socioambiental, mas pouco ou pouquíssimo se aborda sobre a importância do envolvimento político da sociedade.

Pagamos os nossos impostos regularmente (claro, os sonegadores existem, mas nos últimos tempos, a eficiência do Leão da Receita Federal praticamente os exterminou), acatamos de forma crescente as exigências da ditadura do politicamente correto, e a cada ciclo eleitoral nos dirigimos obedientemente ás urnas. Em resumo, atendemos disciplinadamente, e exaustos, a uma carga gigantesca de regulamentos e pressões, mas quase nada devolvemos em troca, na forma de cobranças, críticas ou exigências.

É fato que de tempos em tempos, e recentemente com mais consistência e organização, surgem iniciativas que aglutinam indignação com a corrupção ou com a ameaça de supressão de alguns direitos civis, mas ainda assim praticamente nenhuma relação se estabelece com o processo político, exceto quando originada em alguma militância partidária, que em geral, além de contar com os seus tradicionais seguidores, conta também com uma boa dose de estranheza e indiferença do restante da população - incluindo a parcela mais instruída.

 
Aversão e Ilusão

O desapego político transformou-se não apenas em um posicionamento típico do cidadão comum (e novamente incluo aqui os mais instruídos), mas em um clichê comportamental, usado frequentemente para afirmar retidão de caráter e distanciamento de tudo aquilo que traga proximidade com escândalos e irregularidades. Paradoxalmente, o resultado é justamente o estímulo daquilo que legitimamente rejeitamos, uma vez que a ausência de participação política do cidadão limpo e honesto abre caminho para um contingente mal intencionado e predador não apenas do patrimônio público, mas igualmente dos sonhos de toda uma comunidade, omissa, reclusa e cumpridora de suas obrigações.
 
Lamentavelmente, o cenário ideal para aqueles que observam na democracia apenas um veículo para projetos totalitários de poder e acesso patrimonial.
 
O produto final é uma equação perversa, onde o crescimento da ojeriza política é inversamente proporcional ao conjunto de dificuldades para a perpetuação de projetos políticos anti-democráticos e corruptos. 
 
 
Consistência Democrática

Uma democracia desenvolvida não nasce pronta por decreto ou por força de uma carta constitucional, mas depende de homens e mulheres atuantes, corajosos, e dispostos a compreender que a via política - por meio de partidos instituídos ou por organizações civis – é o único meio aceitável para que as necessárias transformações se transformem em realidade concreta e factível, onde diferentes linhas ideológicas e de opinião devem conviver pacificamente com suas diferenças e distintas contribuições.
 
O analfabetismo político e a omissão sistemática não trazem apenas abismos perigosos com a ameaça a direitos arduamente conquistados, mas, sobretudo, uma carga crescente de obrigações sem nenhuma conexão com bem estar geral e melhorias sociais.
 
Pensemos nisso. Até o próximo.
 
Gustavo Chierighini

Gustavo Chierighini é empresário, fundador das empresas Plataforma Brasil Investimentos e Plataforma Brasil Editorial....

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