Cleber C. Prodanov // segunda-feira, 08/06/2009 18:21
O céu, os astros, as estrelas e os planetas encantam a humanidade desde os primórdios da existência de nossa espécie. Nenhuma civilização se desenvolveu sem prestar atenção no céu e seu movimento, além de acreditar que essas estruturas todas tivessem uma grande influência sobre nosso planeta e nossas vidas.
Isso se manifestou de diversas formas, algumas delas ainda presentes até hoje com a astrologia e o horóscopo, com os cortes de cabelos e o plantio de acordo com as fases da lua, as marés e tantas outras manifestações. O céu e o firmamento ainda nos fascinam por conter respostas sobre nossa origem e existência e abrigar nossos sonhos e fantasias sobre o passado e o futuro da humanidade.
Nasce um planeta
Toda e qualquer descoberta e revelação sobre os astros e o espaço sideral, de alguma forma, impactam a opinião pública. Foi o que aconteceu em 1930, quando astrônomos anunciaram a descoberta daquilo que desconfiavam, a existência do nono planeta do sistema solar, bem nos confins desse sistema, pequeno, gasoso, distante e quase sempre envolto na escuridão e coberto de gelo.
Essa descoberta marcava os limites do que o homem podia ver e estudar no universo e foi muito comemorado. Logo após a sua descoberta, seguiu-se um grande problema, que foi o nome do novo planeta, já que estava sendo chamado de planeta “X”.
Plutão
Essa discussão envolveu cientistas, políticos e astrônomos do mundo todo e foi resolvida por uma criança. Uma jovem inglesa de 11 anos chamada Venetia Burney Katharine Douglas, mais tarde, após seu casamento, Venetia Phair.
A sugestão de Venetia era de nominar o novo planeta com o nome de Plutão, Deus romano do submundo e do inferno (em grego Hades), um dos poucos grandes nomes da mitologia que ainda não havia sido utilizado na astronomia, mas que por suas características mitológicas se encaixava bem na nova descoberta.
Assim, em 1º de maio de 1930, o nome Plutão foi ratificado internacionalmente. O impacto dessa descoberta e suas repercussões foram enormes, o grande Walt Disney nominou no mesmo ano um de seus personagens, no caso um cachorro, com o mesmo nome do planeta recém descoberto, no caso Pluto, versão inglesa do nome Plutão.
De toda forma, em 25 de agosto de 2006 a União Astronômica Internacional decidiu de forma unânime que Plutão não era de fato um planeta e que o sistema solar voltava a ter apenas oito corpos celestes. Foi o fim do planeta que encantou o mundo com sua descoberta em 1930 e que teve uma vida de 76 anos.
Morre uma estrela
Já a garotinha inglesa, Venetia Phair, morreu recentemente, em 30 de abril de 2009 na Inglaterra e viveu para ver o nascimento e a morte do planeta que ajudou a nominar. Terminou, assim, uma história sideral, que envolveu pessoas, planetas e o conhecimento da humanidade.
Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.
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