Cleber C. Prodanov // segunda-feira, 09/11/2009 18:25
A cada dia que passa, são encontradas mais e interessantes diferenças entre os homens e as mulheres, especialmente no que diz respeito ao comportamento ancestral de um sexo e de outro. Vários livros já foram escritos sobre as diferenças do gênero humano, alguns com um rigor científico apurado, outros em forma de comédia e piada.
Estudos contemporâneos têm se dedicado nos últimos tempos à explicação daquilo que todos sabem, ou pelo menos percebem que ocorre, mas não entendem muito bem como funciona. O Journal of Experimental Social Psychology publicou recentemente conclusões aplicáveis dessa busca, como, por exemplo, o fato de que os homens perdem a cabeça na presença da beleza feminina.
Sexo e ciência
Os cientistas holandeses da Universidade de Radboud, que coordenaram a pesquisa, afirmam que os homens perdem a cabeça diante da beleza do sexo oposto, pois verificaram que diante de mulheres bonitas existe uma diminuição das capacidades cognitivas dos varões. Ou seja, segundo os cientistas, o cérebro masculino literalmente derrete diante da beleza feminina. O mais impressionante é que esse mesmo cérebro fica intacto diante de mulheres feias, determinando não ser o sexo oposto, mas a beleza que desencadeia tal efeito.
A natureza
Na natureza, é comum que os machos usem todos os seus recursos para impressionar as fêmeas diante da oportunidade de reprodução da espécie e, de acordo com os holandeses, esse princípio se aplica também a nós, seres humanos do sexo masculino. No caso humano, no entanto, esse excesso de canalização cerebral diante de uma bela mulher provoca um déficit cerebral para outras funções naquele momento.
Por outro lado, o estudo apontou que a recíproca não é verdadeira, isto é, as mulheres não enfrentaram o derretimento de seus cérebros diante da beleza masculina; para elas são necessários outros atributos para atrair a atenção.
Comportamento animal
De qualquer forma, esse interessante estudo sobre o comportamento humano parece que chegou a uma interessante conclusão sobre os homens, o seu cérebro conspira contra diante da oportunidade presumida de reprodução da espécie. Bem, fica-nos o consolo de que isso foi importante em algum momento de nossa história e remete-nos a um comportamento de nossa ancestralidade, desde antes das cavernas, e à luta pela sobrevivência da espécie humana.
Durante grande parte de nossa existência na Terra, essa sobrevivência estava no topo de nossas prioridades e parece que ainda não saiu de lá. Embora as civilizações tenham avançado nas tecnologias e alterado significativamente nossa forma de viver, alguns comportamentos ancestrais permanecem até hoje e esse é mais um deles.
As características do passado nem sempre permanecem como uma vantagem no presente diante da evolução das sociedades e do convívio humano. De toda forma, conhecer essas características pode implicar, pelo menos, em podermos rir de tal comportamento, que, mesmo sem querer, derrete nossos cérebros.
Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.
...