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Carros, cidades e humor

Cleber C. Prodanov // terça-feira, 11/08/2009 09:47

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Atualmente, têm certas coisas que são o sonho de consumo das pessoas, verdadeiros objetos do desejo. Elas vão de coisas simples até aquelas mais sofisticadas passando por fetiches, sentimentos, até bens materiais de grande valor, tudo depende do cidadão e das suas aspirações.

Alguns sonham com sua casa própria, outros com um novo modelo de celular, a felicidade dos filhos, uma viagem, uma mulher, casamento, um emprego, ou mesmo ganhar sozinho na loteria. Os sonhos das pessoas são incrivelmente distintos e muitos não se podem revelar nas páginas dos jornais, mas de toda forma, a alma humana e sua natureza sadia sempre têm um sonho, um desejo e uma aspiração. Isso nos mantém vivo e com vontade de realizar.

Sonho sobre rodas
Nesses tempos de consumo, o grande objeto do desejo da atualidade são os automóveis. Quem já os possui espera em breve poder ter mais um ou trocar por um modelo novo, quem sabe, uma grande caminhonete japonesa, coreana, européia ou americana, em fim, um carrão enorme e potente onde se sinta protegido e prestigiado.

Quem não tem carro, sonha em comprar um modelo básico, pode ser 1.0, mesmo que seja financiado em 100 vezes. O que une essas pessoas e todas aquelas que sonham com um carro novo, é o desejo de ter autonomia, conforto, liberdade e prazer em dirigir seu próprio automóvel, pois ultimamente, o acesso a esse tipo de bem no Brasil está acessível a uma grande parcela da população.

Em oposição ao transporte individual proporcionado pelos automóveis que segue em franca expansão, está o transporte coletivo que nem sempre atende de fato a população e causa diversos dissabores, transtornos e falta de conforto aos seus usuários. Estão também as dificuldades viárias, ruas estreitas estradas entupidas, calçadas transformadas em estacionamentos, estacionamentos caros e toda a sorte de coisas.

Drama urbano
Quem vive na região metropolitana de Porto Alegre convive também com inferno da BR-116 e a falta de opções de transporte coletivo. Entretanto, tudo indica que algumas obras tornarão essa realidade melhor algum dia, mas hoje o problema literalmente está nas ruas.

As pessoas não se dão conta do fato que o Vale do Sinos em 2006 tinha em média 1 automóvel para cada 4 habitantes, enquanto hoje, esse número é de 1 para cada 3 habitantes. Um crescimento realmente significativo e que impacta as ruas, estradas e as cidades da região.

O humor de Bardi
Essa explosão do automóvel me fez lembrar Pietro Maria Bardi, o italiano que veio para o Brasil depois da guerra e fundou o Museu de Arte Moderna de São Paulo – MASP. Bardi era um homem que gostava de aventuras, arte e automóveis e viu as cidades do mundo se transformarem em função desses abjetos.

Pois o espírito brincalhão de desse italiano revelava uma pitoresca solução “ou alargam as ruas ou estreitam os carros”. Interessante brincadeira, mas que nos remete ao caos urbano da maioria das cidades brasileiras não preparadas para proporcionar uma qualidade de vida aos seus cidadãos. Mas como somos um país de soluções, quem sabe aprendemos um pouco mais com Bardi.

Cleber C. Prodanov

Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.

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