Cleber C. Prodanov // sexta-feira, 11/09/2009 10:57
O Brasil é um país ainda conhecido internacionalmente pelo futebol, pelo café, o carnaval, a beleza de suas terras, gentes, matas, praias, enfim, pela exuberância de sua natureza bela e abundante. Toda essa riqueza e diversidade, entretanto, convivem com uma sociedade que desperdiça muito em todas as áreas. Nós, brasileiros, de modo geral, somos campeões no desperdício e, com isso, jogamos fora parte de nossa riqueza e não compartilhamos dela com aqueles que são mais carentes.
Campeão do desperdício
Desperdiçamos comida, nisso somos experts, tanto que nossas sobras poderiam alimentar milhões de pessoas necessitadas. Desperdiçamos alimentos e nossa produção agropecuária, que, às vezes, não chega nem a sair do campo, ou sai e fica pelas estradas, nos armazéns ou apodrece pelo caminho, não chega até a nossa mesa.
Desperdiçamos também energia, água, papel, recursos naturais e tempo. Entretanto, o maior desperdício realizado por nós, e aquele que mais prejuízos pode nos trazer, é jogar fora os nossos talentos, a capacidade da nossa gente de criar e transformar.
Potencial
Calcula-se que por volta de 5% da população jovem do país tenha um potencial para as chamadas altas habilidades, ou seja, superdotada, o que corresponderia a cerca de 3 milhões de jovens e adolescentes com talentos extraordinários.
Esse enorme contingente que possui talento, criatividade e habilidades notáveis poderia ser nosso diferencial em áreas como a da educação, da ciência, da medicina, da arte, do esporte, da engenharia e de tantas outras atividades importantes para o desenvolvimento do país.
Talento e dificuldade
O que acontece realmente com essas pessoas especiais é que seu talento, sem estímulo, sem escola e sem acompanhamento, acaba não sendo despertado ou, quando aparece, é percebido como problema.
É muito comum famílias e escolas não reconhecerem esse potencial dos jovens ou, quando reconhecem, não oferecerem condições para que se desenvolva, levando a maioria dessas pessoas a uma vida medíocre, desperdiçando esse enorme potencial humano de que nosso país desfruta, mas que é desprezado numa velocidade e quantidade muito grandes.
Esse é o maior desperdício que nossa sociedade comete, jogar fora milhões de pessoas que poderiam, com suas capacidades e talentos, estar ajudando a impulsionar essa nação, mas que, por falta de oportunidades, estão sendo desperdiçadas. O maior tesouro de uma nação está esquecido e sucumbe a falta de educação e oportunidades.
Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.
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