Cleber C. Prodanov // quinta-feira, 21/05/2009 08:35
Alguns estudos apontam uma ligação direta entre a largura e a conservação das calçadas das cidades contemporâneas e sua relação com a democracia e civilidade dessas comunidades. Além desse aspecto, creio que a conservação desse espaço demonstra também a educação de uma sociedade, seu grau de desenvolvimento e comprometimento para com as pessoas.
Cidades, espaço de civilização?
Se isso é verdadeiro, as nossas cidades estão se tornando cada vez menos educadas e civilizadas, pois uma grande quantidade desses passeios nem merece essa denominação.
Caminhando hoje pelas nossas ruas e avenidas, encontramos calçadas estreitas, mal cuidadas, ocupadas por obras e tapumes, cheias de obstáculos, com mato crescendo, cheias de buracos, sem revestimento. Outras, ainda, tomadas por excrementos de cães, levados para passear pelos seus donos, que não se preocupam em recolher a sujeira.
Essa é uma realidade em vários pontos das cidades, inclusive nas principais artérias urbanas. Fora esses tradicionais e históricos problemas, agora tem proliferado outro fenômeno: os espaços para estacionamento com vagas sobre os passeios.
Modelo ultrapassado.
A cidade dos carros e das ruas para automóveis é um modelo em decadência no mundo civilizado, que reavalia essa questão. Aqui, entretanto, os automóveis e demais obstáculos ainda avançam sobre as calçadas.
Quem circula e observa as nossas cidades hoje percebe que, em muitas delas, nas ruas, inclusive naquelas mais nobres, têm surgido novas lojas e comércios, muitos deles sofisticados, que atraem os clientes com seus carros.
Com poucas vagas para estacionamento nas ruas, muitos clientes são brindados com vagas disfarçadas em recuos que ocupam grande parte das calçadas, determinando a saída do pedestre para a rua. Os obstáculos, por sua vez, são de toda a ordem, agora com automóveis também nas calçadas.
Acessibilidade
Além disso, a acessibilidade aos passeios é normalmente lamentável, sem rampas, com diversos níveis e degraus, pisos escorregadios, capim, sujeira e toda a ordem de dificuldades a um pedestre normal, o que dizer daqueles portadores de necessidades especiais, dos idosos, das crianças e de todo tipo de cidadão que tem o direito de circular com segurança pelas calçadas das cidades.
Não se trata de implantar apenas vigilância e punição, creio que se trata de uma ação em que todos os agentes revejam suas posições.
Onde está o poder público e o cidadão?
Claro que o poder público tem um papel decisivo e central com todas as suas instâncias, não apenas criando e regulamentando leis, mas fiscalizando e aprimorando todos os processos. Todos os demais cidadãos que de algum modo interagem nas cidades deveriam, contudo, rever alguns conceitos acerca da civilidade urbana.
Muitas coisas positivas podem emanar da conservação das calçadas e dos cuidados com as pessoas. Essa é, sem dúvida, uma iniciativa que se transforma em herança às gerações que viverão nas cidades do futuro.
Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.
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postado em: sex, 22/05/2009 - 17:20
Realmente, precisamos repensar o quanto o carro impera em detrimento do pedestre e também, em relação a outras formas de locomoção como a tão saudável bicicleta. Temos a Guarda Municipal para nos auxiliar e orientar, mas precisamos sobretudo, humildemente nos reeducar para a construção da nossa civilidade.