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Medo de avião

Cleber C. Prodanov // quinta-feira, 23/07/2009 09:38

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Em tempos de acidentes aéreos e de dificuldades da aviação mundial, algumas das perguntas que mais tenho escutado ultimamente se referem à explicação da razão para o fato de que quanto mais velhos ficamos, mais nos libertamos de alguns medos, mas adquirimos outros. A resposta pode ser bem simples e referendar a experiência e os hormônios, ou a falta deles.

Essas respostas, embora possam conter uma parte da verdade, não explicam tudo por que passamos ao longo de nossa existência. Alguns sentimentos e medos sobre a nossa própria vida vitalizam-se e crescem com o tempo. Passamos, por exemplo, a pensar mais sobre como manter a nossa segurança e daquelas pessoas que dependem de nós. Isso parece bem natural a todos.

Medo de avião

Nesse sentido, tenho visto muitas pessoas ultimamente mudarem alguns de seus comportamentos. Aquelas que adoravam voar, viajar de avião de um lado a outro simplesmente travaram ou agora morrem de medo de sentar-se em uma aeronave, muito menos pensar em cruzar o atlântico e enfrentar algumas turbulências.
O que foi que mudou? Há uma descrença na tecnologia, na manutenção dos aviões, nos controladores de voos, nos pilotos e nas equipes de manutenção, nas empresas e fabricantes ou é o efeito da cobertura feita pela imprensa? Sem dúvida que ficar mais exposto aos fatos, fotos, comentários e observações sobre acidentes torna-nos mais sensíveis aos acontecimentos.

Entretanto, a pergunta básica ainda é o que mudou? Aumentou o medo de morrer e o apego à vida ou percebemos que tínhamos um excesso de confiança naquelas variáveis todas que não podemos controlar? Ou será, ainda, que simplesmente passamos a expressar o que sempre foi disfarçado, que voar a milhares de quilômetros por hora, dentro de um canudo de alumínio, cheio de combustível e a dezenas de metros de altura é perigoso mesmo.
Escuto muita gente agora abertamente dizer que viaja porque precisa, a vida tem que continuar.

O Glamour se foi

Parece-me que aquele glamour antigo das empresas aéreas, seus pilotos e aeromoças que despertavam suspiros e admiração desapareceu junto com a massificação do transporte aéreo, que, agora, pelo menos para nós, brasileiros, está sumindo. Some com ele também a confiança que tínhamos no sistema.
Foram-se os tempos glamorosos e elitistas, a aviação comercial competitiva e de massa está no ar e nós, meros passageiros, estamos aprendendo aquilo que já disse o Barão de Itararé parafraseando Shakespeare: “há mais coisas entre o céu e a terra do que aviões de carreira”.

Cleber C. Prodanov

Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.

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