Cleber C. Prodanov // segunda-feira, 29/06/2009 09:22
Todas as semanas, deparamo-nos com cenas trágicas no Brasil de mães acorrentando filhos, de pais assassinando filhos e filhos assassinando pais, crimes, roubos e outras tragédias que têm na origem o uso e o comércio de drogas. Neste momento, o crack é o grande vilão. Essa droga, de rápida e intensa ação, surgiu em meados dos anos 80 e, devido ao seu baixo custo, ficou conhecida como a cocaína dos pobres, tendo atingido grandes parcelas da população.
Problema internacional
A Organização das Nações Unidas – ONU tem um escritório que monitora as drogas e os crimes envolvendo o uso de entorpecentes e tem divulgado, a todo momento, relatórios sobre a utilização de drogas ilícitas no mundo. Segundo esses relatórios, os usuários de drogas ilícitas crescem a cada ano de forma assustadora, mesmo com as políticas utilizadas atualmente para inibir o consumo.
A maioria dessas políticas, no entanto, são meramente repressoras, sendo cada vez mais contestadas por especialistas no mundo todo, uma vez que, pelos números mundiais e nacionais, estamos perdendo os jovens para as drogas, a tal ponto de o consumo de drogas já ser considerado uma epidemia mundial.
A ONU alerta também que a porta de entrada das drogas ilícitas é o consumo das que são legalizadas, como o álcool e o tabaco. De toda forma, mais de um terço da população global é usuária de algum tipo de droga, seja ela socialmente aceita e legalizada ou não. Vivenciamos, por esses dias, uma experiência única na história da humanidade, ou seja, o consumo generalizado de drogas de vários tipos por uma expressiva parcela da população.
Políticas INcertas
Parece que as políticas adotadas até aqui para frear o consumo de drogas não têm atingido seus objetivos somente com a repressão, sem a conscientização. A educação e um convívio mais profundo e dialogado entre as pessoas, especialmente entre pais e filhos, poderá livrar-nos dessa epidemia. Não podemos achar que e a polícia ou a medicina resolverão os problemas, que, muitas vezes, se iniciam nos lares, escolas e outros lugares de convivência, principalmente dos jovens, mais expostos, por vários motivos, à atração do mundo das drogas.
E agora José?
De todo modo, bem perto de nós, drogas como o crack tomam conta de parcelas expressivas da sociedade e constituem-se num perigo, ameaçando a vida das pessoas, especialmente a dos jovens. Muitas delas, cabe destacar, sem oportunidades e sem acesso a uma educação familiar e formal, encontram nas drogas uma forma de vida. Nesse sentido, infelizmente, não estamos formando craques no esporte e na vida, mas permitindo que o crack se expanda e ameace a todos nós.
Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.
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postado em: seg, 27/07/2009 - 00:41
O crack, com seu poder devastador, definitivamente invadiu a classe média. Minha história é bem parecida. Sou universitário, classe média alta e tenho 24 anos. Fui viciado em crack durante os últimos 3 anos e hoje estou ha 42 dias sem essa maldita droga. Nem preciso dizer que tive que chegar ao fundo do poço para perceber no que havia me metido. Antes tarde do que nunca! O que posso dizer é que a recuperação é muito difícil, mesmo com todo o apoio necessário. A droga é realmente poderosa. Busquei em mim uma motivação interior, a mais forte possível, para que agarrado nisso eu pudesse superar. Tem funcionado bem e hoje me sinto indescritivelmente melhor. Mas não foi nem um pouco fácil, só que valeu a pena. Hoje tenho um blog, que fiz como desabafo, e que tem me motivado muito a continuar lutando. Vou tomar a liberdade de deixar aqui o endereço, pra que possam conhecer a minha história e confirmar que o crack está muito mais perto do que pensamos