Cleber C. Prodanov // quinta-feira, 30/04/2009 13:16
Existem vários tipos de revolução, as mais conhecidas são aquelas lideradas pelas massas, pelas armas, pelo conflito e destruição, que movimentavam as nações e deixam cicatrizes imensas e que duram anos.
Outras, porém, são silenciosas, ocorrem no dia a dia com avanços grandiosos e, quando percebemos, o mundo mudou em pouco tempo. Dentre estas, está a revolução tecnológica que vivemos atualmente que, muito ligada a obsolescência de produtos cada vez mais rápida e a troca de tecnologias mais veloz, tem mudado nosso cotidiano de maneira surpreendente.
A revolução do conhecimento
Outra revolução em marcha no mundo todo é a do conhecimento. Esse fenômeno ganhou mais força no final do século passado e está ligado à produção de novos conhecimentos e sua aplicação está mais dirigida a criar do que produzir.
Se no passado as matérias-primas tiveram peso na geopolítica e na definição do desenvolvimento dos países baseados na industrialização, sendo um dos principais ativos das nações, agora essa força migra rapidamente para os talentos criativos, que são prospectados no mundo todo e abrigados em ambientes de criação e inovação, predominantemente na Europa e nos Estados Unidos.
No mundo desenvolvido como em alguns países emergentes, esse movimento de criação e inovação parece estar dando fôlego as suas sociedades. Hoje, em muitos países europeus parece que a inovação e as novas tecnologias realizam um movimento de animação e rejuvenescimento através do trabalho humano altamente qualificado.
A Europa, que vem se desindustrializando ao longo das últimas décadas do século XX e que aparentemente estava fadada a envelhecer e os EUA que fecha suas fábricas e perde seus empregos na indústria, parecem ter encontrado um novo modelo de desenvolvimento que se apóia nas universidades criativas, nas empresas inovadoras e nos governos com políticas de Estado focadas na inovação e nas novas tecnologias.
Na periferia do mundo
Aqui, no Brasil vivemos na periferia dessa onda, pois ainda necessitamos de indústrias que sejam intensivas em mão-de-obra. Precisamos de empregos, renda e educação.
Entretanto, alguns atores e setores experimentam a coexistência com essa vanguarda internacional.
Para que possamos, de fato, buscar um lugar de destaque na economia internacional e alcançar um desenvolvimento sustentável, a educação e o conhecimento devem estar na primeira fila das ações dos governos e das universidades brasileiras, sob pena de nosso país permanecer como exportador de matérias-primas, entre as quais, nossos cérebros.
Cleber C. Prodanov é doutor em História Social e educador, trabalhando com inovação e novas tecnologias. Também é professor da Feevale, gestor do Parque Tecnológico do Vale do Sinos e assina uma coluna semanal todas as segundas no Jornal NH-RS.
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