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Empresários e a verdade futura

Alejandro Olchik // quarta-feira, 01/02/2012 14:18

De acordo com Howard Stevenson: “empreender é perseguir uma oportunidade sem considerar os recursos atualmente controlados”. Enquanto um gerente corporativo seleciona a opção mais adequada frente a um orçamento disponível, o empreendedor estabelece uma visão da alternativa necessária, e faz ela acontecer. Aprendi, de um amigo empresário, a chamar essa visão de “verdade futura”.

 
Empreendedores trabalham com verdades futuras. Empreendedores vendem e constroem  verdades futuras. A natureza do processo empreendedor demanda a entrega total. Não há horário para trabalhar, nem final de semana. Para sustentar tamanha determinação, o empreendedor precisa ser um apaixonado. Apaixonado por essa verdade futura.
 
Até recentemente, quem ponderava friamente sobre as chances de sucesso de um novo negócio, dificilmente optaria por se empreendedor. Considerar a possibilidade de fracasso na gestão de novos empreendimentos é uma abordagem que não faz parte do empreendedorismo tradicional.
 
Os casos de sucesso geralmente são recheados de empreendedores perseguindo obstinadamente sua verdade futura, mesmo quando ninguém mais a consegue ver, e, quando tudo parece perdido, voilá, a verdade futura se mostra, justificando todo o esforço investido, tornando o empresário um modelo a ser seguido.
 
Essa visão romântica do empreendedorismo é bastante diferente da visão que vem vingando em regiões que se transformaram em fábricas de novos negócios de sucesso, como o Vale do Silício. Aceitar o fracasso como um caminho para o aprendizado e olhar para o que deu errado é uma abordagem reforçada cada vez mais pelos próprios investidores desses polos tecnológicos. Andrew Mason começou o Groupon com a ideia de criar uma plataforma para que as pessoas pudessem resolver os problemas que não conseguiam solucionar por conta própria.
 
Não deu muito certo. Na segunda tentativa, acertou. Entretanto, experimentou a ideia do site de compras coletivas usando um blog implementado em Wordpress, e somente construiu uma aplicação mais robusta quando estava gerando, manualmente, 500 arquivos PDF com os cupons de desconto por dia. Vocês acham que se eles não considerassem a possibilidade de fracasso, teriam optado por um modelo tão enxuto para validar o modelo de negócio? 
 
Uma das primeiras coisas que ouvimos de investidores de Startups é que eles investem no empreendedor, não na ideia. Nesse sentido, a verdade futura de todo o empreendedor deveria ser simplesmente empreender, buscando a melhor relação possível entre aprendizado e investimento a cada fracasso. Minimizar o desperdício na busca por uma proposição de valor efetiva e um modelo de crescimento escalável são os objetivos de abordagens gerenciais como o Lean Startup. Mas, para que, efetivamente, consigamos nos apropriar desses conceitos precisamos vencer a nossa barreira cultural de crucificar o fracasso. 
 
***
 
Em Abril estará ocorrendo pela primeira vez no Brasil e em Porto Alegre a Failcon. É uma boa oportunidade de ver como empresários de sucesso aprenderam com seus próprios erros e começar essa mudança de paradigma.
Alejandro Olchik

Alejandro Olchik é diretor da Ionatec, empresa especializada na inovação em produtos online, otimização de recursos de TI e formação de equipes de alto desempenho.

Twitter: @aolchik

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