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E a nossa Internet? Dá para Cloud? Peixe Urbano e Gol dizem que sim

Alejandro Olchik // segunda-feira, 09/01/2012 16:03

Recentemente, alguns cases nacionais de uso de Cloud Computing foram apresentados pela Amazon. Dentre eles, me chamaram a atenção os cases do Peixe Urbano e da Gol. Como pode ser que estas empresas estejam obtendo sucesso no uso da Nuvem enquanto estudo da Cisco coloca a Internet do Brasil no limiar da inaptidão para aplicações baseadas em Cloud Computing?

 
O Peixe Urbano optou pelo uso de Cloud Computing, pois, quando iniciou o negócio, dispunha de pouco dinheiro para investir em infraestrutura e havia grande expectativa que o negócio escalasse. Não que essa expectativa seja diferente da de qualquer startup de tecnologia, mas no caso do Peixe Urbano, ela se confirmou. O Peixe Urbano começou prevendo 300.000 usuários no primeiro ano e na prática conseguiu chegar a 8 milhões.
 
O uso de uma solução já projetada para a Nuvem possibilitou o atendimento desse crescimento, assim como uma capacidade de atender a impressionante sazonalidade de seu negócio. O Peixe Urbano mantém em média 180 instâncias de operação no ar, mas em determinadas promoções a empresa chegou a ter picos de 250 instâncias operando e escaladas de forma automática. Cloud Computing caiu como uma luva para a necessidade de baixo investimento inicial, alta escalabilidade e elevada sazonalidade do Peixe Urbano.
 
Já o case da Gol é bastante diferente. Uma das principais críticas que a Gol recebia era a ausência de entretenimento durante os seus vôos. Sendo uma empresa aérea com foco no baixo custo, adquirir um LCD por poltrona, licenciar a programação para os vôos e arcar com custo adicional do peso extra da aeronave causavam um impacto significativo na lucratividade do negócio.
 
Dessa forma, a Gol optou por um modelo no qual cada usuário pode acessar o conteúdo de entretenimento a partir de seus próprios dispositivos. Batizado de No Ar, a Gol instalou uma antena Wi-fi e um servidor em cada aeronave. Cada vez que a aeronave pousa em um aeroporto, o servidor sincroniza com um serviço em Nuvem e atualiza toda a programação, que pode ser acessada gratuitamente pelos usuários durante o vôo.
 
Pois bem, no estudo Cisco Global Cloud Index: Forecast and Methodology, 2010-2015 da Cisco, a velocidade média de download no Brasil para conexões fixas foi medida em 3.406kbps, enquanto a latência média foi de 100ms. Em comparação, a Coréia do Sul (melhor desempenho da lista), apresenta respectivamente velocidade média de download de 29.805kbps e latência de 38ms. De acordo com os perfis montados pela Cisco, a Internet brasileira ainda não é adequada para aplicações em Nuvem de nível intermediário como compartilhamento de arquivos, telefonia IP, CRM, entre outras. 
 
Relendo os cases da Gol e do Peixe Urbano, percebemos que, no caso da Gol, a empresa optou por utilizar a Nuvem para um serviço que não é de missão crítica, no qual o acesso do cliente a Nuvem ocorre sempre através dos aeroportos. No caso do Peixe Urbano, a natureza do negócio é uma operação web, focada no consumidor final. Esse tipo de operação é a que tem maior expectativa de crescimento nos datacenters de Cloud Computing.
 
A Internet brasileira ainda deixa muito a desejar e é natural que vejamos em um primeiro momento o uso de Cloud Computing para novas operações web e serviços que não sejam de missão crítica. Adicionalmente, podemos perceber que, nos dois casos, a opção foi pelo uso de Cloud Computing para novos serviços/produtos e não para os existentes.
 
Essa decisão resolve a dificuldade de migrar sistemas cujo projeto não foi desenhado para o uso de Cloud Computing. O próprio estudo da Cisco aponta que devemos ver ao longo dos próximos anos uma migração do tráfego de datacenters tradicionais para datacenter baseados em Cloud Computing. A Internet brasileira é um obstáculo não somente para aplicações baseadas em Cloud Computing, mas para qualquer aplicação IP que precise fazer uso da rede pública. Finalmente, o domínio bastante significativo das operações web orientadas a consumidores finais (em detrimento das aplicações corporativas) deve ser uma realidade nos datacenters de Cloud Computing por vários anos.
Alejandro Olchik

Alejandro Olchik é diretor da Ionatec, empresa especializada na inovação em produtos online, otimização de recursos de TI e formação de equipes de alto desempenho.

Twitter: @aolchik

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