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15/12/2008
Tomás O'Farrel - Sonico: a receita para desbancar o Google
Com 6,4 milhões de usuários brasileiros (5 milhões cadastrados antes mesmo da estréia oficial no país) o Sonico tem apenas um objetivo: desbancar o Orkut e tornar-se a principal rede social da América Latina.

Para isto, a rede argentina, lançada em julho de 2007, tem uma proposta anti-social e oposta ao Orkut: incentiva a manutenção de amigos reais em redes virtuais, e não o contrário. Também não quer saber de namoro online ou perfis falsos.

Como startup que se preza, o Sonico também quer a geração Y e em sua página de empregos informa que seu "compromisso é atrair jovens brilhantes, permitindo seu máximo desenvolvimento através de projetos desafiadores".

O fundador, Rodrigo Teijeiro, é o mais velho do time de sócios, com 30 anos. Os outros estão entre os 27 e 29. "Somos um grupo jovem e dinâmico, utilizamos tecnologias open-source e metodologias ágeis de desenvolvimento e implementação. Não nos importam necessariamente a idade ou os títulos. Evitamos a burocracia e a documentação desnecessária, somos pró-ativos. Amanhã pode ser tarde", explica a página da empresa.

Para falar mais sobre as estratégias e perspectivas do Sonico, o entrevistado da semana é Tomas O'Farrell, sócio e Chief Marketing Officer da rede social. Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade de San Andrés na Argentina, O'Farrell cuida também do desenvolvimento de propriedades digitais da empresa.
Qual o modelo de negócios do Sônico? O portal já é rentável?
  Tomás O'Farrel: Atualmente, o principal ingresso é por publicidade. Mas, estamos desenvolvendo duas portas novas de negócio. Por um lado, o comércio. Ou seja, realizar transações dentro da rede social. E por outro lado, o tema do celular, a integração de conteúdos móveis, como o recebimento de alerta da rede social pelo celular ou tirar uma foto e inserir diretamente na rede social.

Não falamos de informações financeiras. O que dizemos é que estamos crescendo muitíssimo e que estamos muito contentes. Estamos melhorando o produto e encontrando melhores maneira de crescer, como a representação que temos no Brasil e em outras lugares da América Latina.
Você acha que, em redes sociais, todas as possibilidades comerciais foram exploradas?
  Tomás O'Farrel: Eu creio que há muitíssimas coisas que podemos fazer como, por exemplo, interoperabilidade das aplicações. Também existem muitas marcas que querem participar de uma rede social e não encontram lugar para fazê-lo. 
Em 2008, MySpace, Facebook, Last.FM, ganharam versões em português. Como atuar no mercado brasileiro levando em conta que o Orkut domina em número de usuários?
  Tomás O'Farrel: No Brasil, o competidor número um é o Orkut, que tem mais de 30 milhões de usuários. O Sonico tem 6,6 milhões de usuários no país.O  Facebook tem apenas 200 mil usuários no Brasil. Para nós, a concorrência é Orkut e não é Facebook.

Em primeiro lugar, o Sonico está proporcionando um redesenho total do site, mudando totalmente o layout para incluir as novidades. Por outro lado, um dos módulos novos é ter um perfil profissional junto com o perfil pessoal. Podemos ter os contatos profissionais por um lado e os contatos pessoais, de outro. O mundo pessoal e o mundo profissional são mundo diferentes. 

Além disso, nós começamos a integração com Open Social. Agora terceiros podem desenvolver aplicativos, que vão desde entretenimento a ferramentas de uso profissional.
Qual o diferencial da rede em relação ao Orkut?
  Tomás O'Farrel: O que fazemos é por uma ênfase maior no produto. Não adianta armar uma campanha publicitária muito grande se não investir no produto. As mudanças que estamos fazendo é para que os usuários encontrem no Sonico o que não encontram no Orkut e a partir daí, passar a utilizar mais a nossa rede.

Por exemplo, ter uma moderação pró-ativa de todos os conteúdos. Todas as fotos que existem no Sonico são moderadas para que não haja pornografia, para evitar que haja pedofilia, para evitar que haja racismo. 
A empresa tem um escritório no Brasil ou tem planos de ter uma operação mais forte no país?
  Tomás O'Farrel: Nós estamos considerando seriamente a alternativa de abrir escritório no Brasil. Definitivamente queremos fazer isso em 2009. Até o momento, contratamos uma empresa para que seja nossa representante comercial no Brasil.
O setor de TI das empresas tem proibido o uso de redes sociais em função de problemas de segurança. Como o Sonico lida com este panorama?
  Tomás O'Farrel: O que vimos que estava ocorrendo é que os contatos estavam se mesclando. A gente está mesclando um contato normal, um amigo, um irmão, com os contatos profissionais. Não necessariamente queremos a informação compartilhada a um e a outro. Por isso, criamos o perfil de trabalho no Sonico, que tem menos informação pessoal. Então, para o lado das companhias é muito interessante porque você tem mais segurança e privacidade.
A crise financeira preocupa o Sonico?
  Tomás O'Farrel: Isso nos preocupa. Há muita gente que está perdendo trabalho, eu tenho vários amigos que sofreram isso. Mas, pelo ponto de vista do Sônico, estamos mais fortes do que nunca.

Por um lado, temos a ajuda financeira que conseguimos [a empresa recebeu aporte de US$ 4,3 milhões em 2008]. Por outro lado, o que está ocorrendo é que está se cortando dinheiro da publicidade em geral.

Mas, a parte online está crescendo porque é muito mais rentável anunciar em um site internacional como o Sonico do que investir em televisão ou rádio. Então, por este lado, estamos tranqüilos.
O Sonico foi escolhido uma das melhores empresas para trabalhar na América Latina. Como é o ambiente de trabalho? são usuários de metodologias ágeis e software livre...
  Tomás O'Farrel: Nossa equipe é formada por 80 pessoas que passam muitas horas dentro da empresa. Então, uma das coisas que mais cuidamos é que seja um lugar divertido para ser trabalhar. É uma das principais características.

Nosso principal recurso são as pessoas. O crescimento do Sonico depende 100% dos funcionários. Então, investir para que o ambiente de trabalho seja divertido é o melhor investimento que fazemos.
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