Que história é essa de que o CIO vai acabar?
Estamos iniciando uma nova era, a Network Age ou era das redes de contatos nos negócios, que redefinirá o papel do CIO.
Tecnologias heterogêneas tais como os smartphones, tablets, PCs, aplicativos de Internet, blogs, redes sociais e gerenciamento de dados virtual transformarão esse profissional em um Chief Integration Office, um executivo com uma função estratégica mais central nos negócios.
No que vocês baseiam a previsão?
A conclusão é do estudo chamado "Next Generation CIO", realizado entre 2007 e 2011 pela Universid ade Alemã Ingolstadt University of Applied Sciences a pedido da Lodestone Management Consultants.
Foram entrevistados CIOs de empresas de diversos países que atuam nos setores de manufatura, serviços e comércio e possuem mais de 1.000 empregados e um turnover de mais de um bilhão de euros.
Quais foram as mudanças detectadas?
A necessidade de redefinição do papel dos CIOs será provocada por quatro macro mudanças: a evolução do ERP para GRP; a tradicional cadeia de valor passa a rede de valor e integra todos os stakeholders de um negócio; o gerenciamento passa de prioridade de projeto para gerenciamento de portfolios que integram novas tendências de Tecnologia de Informação (TI); e a TI deixa de ser secundário e torna-se processo primário, já que a dependência de tecnologia crescerá de 59% para 88% até 2015.
O CIO do futuro precisa alinhar arquiteturas flexíveis, plataformas diferentes, redes orientadas a serviços e estruturas de processos colaborativas em escala global
O CIO Brasileiro absorverá rapidamente esta tendência.
A Economia Brasileira está vivendo um momento muito forte e vai atrair cada dia mais multinacionais.
Considerando isso, podemos prever uma crescente necessidade de adaptação para implementar TI e integrações em paralelo.
O Chief Integration Office pode ajudar a fazer com que isso não se transforme em um dilema.
Como o ERP influi nesse processo?
Atualmente, a maioria dos projetos de TI consiste na consolidação dos cenários do sistema de gestão integrado (ERP).
Por causa dos modelos de negócios que estão construídos em escala global, esta tendência continuará a crescer. Atualmente, 50% das multinacionais utilizam menos do que cinco ERPs.
Num futuro próximo, este número passará para 75%.
Do médio para o longo prazo, a tendência é caminhar em direção ao sistema de GRP, Global Resource Planning, ou seja para integração e harmonização dos sistemas de gestão, reduzindo a complexidade do gerenciamento de TI e custos de operação.
No que isso afetará o trabalho do CIO?
CIOs precisarão lidar de maneira crescente com a integração de processos associados entre diferentes regiões, divisões e fronteiras.
Além disso, precisarão padronizar funções dos negócios - no gerenciamento dos setores financeiro, cobrança e recursos humanos - e no futuro combiná-los cada vez mais com centros de serviços internacionais ou os chamados centros de serviços colaborativos.
Estes serão padrões espalhados pelo grupo e isso em geral aumentará eficiência e levará à redução de custos.
E a questão dos porfólios de TI?
A era da da grandes corporações que padronizam clientes (Client-Server) acabou.
As crescentes novidades tecnológicas requerem gerenciamento de portfolio para poder avaliar benefícios econômicos e os riscos de implementação das inovações.
Os CIOs precisarão ter habilidades para iniciar e implementar esses projetos que oferecerão suporte estratégico e contribuirão para o sucesso da empresa.
TI é um centro de custos. Como essas mudanças são possíveis nessa condição?
No futuro todos os processos core na cadeia de valor serão em grande parte dependentes de TI.
O grau de penetração aumentará e, então, TI não mais será meramente uma função para suporte, mas passará a ser parte dos processos que estão no coração da corporação.
O CIO portanto não será mais um "centro de custos" , mas terá que prover evidências para contribuições de valor para que os investimentos alcancem o correspondente retorno de investimento (ROI).
Consequentemente o desenvolvimento está mapeado: os CIOs precisam se reportar diretamente aos CEOs.
Este é o único caminho, direcionar-se para inovações que criem valor e apresentá-las proativamente.