De que modo os CIOs e os CEOs encaram a TI?
Mais da metade deles, 58%, veem como já alinhadas na empresa. Além disso, 68% encaram como crítica.
Mas ao mesmo tempo em que existe um alinhamento entre CIO e CEO, falta um alinhamento na TI, no fator tecnológico. Isso porque eles têm visões diferentes. O CEO quando olha a TI, pensa nela como um todo. Já o CIO fragmenta em processos e retinas diferentes.
Dá trabalho. Muitas vezes esse alinhamento é implícito, ou seja, o CIO vai deduzindo, sentindo o que é necessário fazer, e adaptando a área. Isso pode trazer alguns riscos para a operação.
Ela pode, por exemplo, ter um recurso (de pessoal, de máquina) inferior ao necessário, o que não atenderá as demandas da organização. Já se for um recurso superior, o gasto pode ser maior, o que também vai prejudicar a empresa como um todo.
O que os CIOs e os CEO devem fazer, então?
Tornar o que é implícito em totalmente explícito. Sentar e conversar, realizar várias reuniões, se necessário, para determinar o mandato do diretor de TI da organização.
Isso. Mandato. Essa palavra, inclusive, teve um pouco de resistência quando a traduzimos literalmente do inglês, mas é ela mesmo.
Essa resistência vem da associação que se faz da expressão com política e, consequentemente, com o tipo de gestão exercida às vezes nos cargos públicos, até à corrupção, mas o significado da palavra diz muito sobre o papel do CIO.
Num mundo perfeito, politica ou empresarialmente falando, o mandato seria a eleição de um candidato para executar uma plataforma: projetos, propostas e assim por diante.
Como se aplica esse conceito a TI?
O CIO tem que se comprometer em executar um projeto, um tipo de mandato. E as empresas buscam um CIO que se encaixe no tipo de mandato.
Esse mandato – ou plataforma – não nasce nem na área de negócios, nem na área de tecnologia, mas é uma construção das duas, juntas, e deve ser comunicado de forma explícita, clara na organização.
Identificamos quatro mandatos: expandir, alavancar, desbravar e transformar.
Qual a distribuição dos CIOs nos mandatos?
Na amostragem global, 14% das organizações estão no perfil alavancar – no Brasil, o número cai para 9%. Nele, enquadram-se as empresas que estão em um momento de rever o ambiente legado e utilizam a tecnologia com foco em manutenção e automatização de alguns processos de negócios.
No expandir, no qual é possível identificar uma TI com maior influência nos negócios e que vai além das questões operacionais, estão quase metade dos entrevistados: 50% global e 45% Brasil.
O resultado reflete uma rápida evolução do país na forma de se pensar o papel da TI nos negócios e torná-la cada vez mais alinhada com as expectativas dos CEOs.
Há apenas cinco ou seis anos veríamos a maioria das empresas brasileiras no mandato alavancar. Em um curto espaço de tempo conseguimos nos igualar à média dos mercados desenvolvidos, o que demonstra que o Brasil chegou ao seu melhor momento de crescimento e maturidade.
Esse resultado é proveniente do aquecimento do mercado local, que levou – e continuará incentivando – as empresas a buscar uma TI que acompanhe o crescimento de seus negócios.
Vai levar cerca de dez anos para que a maioria das empresas do país passe para o mandato transformar, que tem um foco maior em otimização, simplificação e inovação, em um cenário no qual a tecnologia seja coparticipante do processo de transformação do negócio.
Hoje, 23% dos entrevistados mundiais, e 28% dos brasileiros, encontram-se neste perfil.
O estudo identificou que 18% das empresas brasileiras pesquisadas, ante 13% das mundiais, se encontram no quarto mandato de adoção de tecnologia: o desbravar, que contempla uma TI que seja capaz de promover inovação no desenvolvimento de produtos e no modelo de negócios de uma organização.
O objetivo, então, é ficar mudando do mandato gradativamente?
Não. O mandato só muda quando a organização mudar. O CIO tem que estar atento a movimentos de fusão, de aquisição, IPOs, e observar como elas vão impactar o negócio, então se adaptar.
Mas é preciso cumprir o mandato como um todo. A questão é que os CIOs muitas vezes se dividem entre mandatos, do ponto de vista do negócio, apesar de terem uma missão dominante.
E muitos CIOs se dedicam às funções básicas, como estabilidade.
Isso não é ruim. Na verdade, é fundamental para que a TI tenha credibilidade na organização e acabe contribuindo mais para a proposição de projetos que melhorem a operação das empresas.