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Proatividade em baixa nas empresas brasileiras

Camila Freitas // segunda-feira, 12/12/2011 10:58

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Entrevistado: 
Rogério Gava
Chamada: 

Especialista explica como estimular a proatividade na empresa

Conforme um estudo desenvolvido pelos professores e pesquisadores da Fundação Dom Cabral, Leonardo Araújo e Rogério Gava, mais da metade das empresas nacionais, 95%, apresentam um nível de proatividade entre baixo e médio.

Gava, professor e consultor de empresas, comenta que o índice é reflexo da má orientação e acompanhamento frente às mudanças de mercado, além da tendência natural das companhias para a reatividade.

“Você deve pensar na concorrência e prever mudanças focando na inovação, nos lucros e nas necessidades dos clientes, sem ter medo de correr riscos”, comenta o consultor.

Na entrevista abaixo, Gava explica como equilibrar reatividade com proatividade e obter retorno positivos para a companhia.
 

Perguntas e Respostas
Perguntas e Respostas: 

A baixa proatividade pode ser reflexo de uma postura empresarial reativa?

Acredito que sim, mas não podemos dar essa competência apenas à reatividade, pois há outros fatores que impedem a proatividade.

O comportamento excessivamente reativa, que responde apenas ao imediato ou sem pensar no processo de mudança por inteiro, tem início no marketing da companhia e conversa com todos os setores da empresa, já que o estímulo é integral.

Com esse movimento, as empresas só inovam para atender a uma resposta direta ao mercado, ou seja, ela só se adapta ao que o cliente quer e naquele momento, sem pensar nas etapas estratégicas, qualitativas e quantitativas.

De acordo com o estudo, 95% das empresas mostram um nível de proatividade entre baixo e médio. O que favorece esse resultado?

O estudo que desenvolvemos durante cinco anos, com cerca de 300 empresas, permitiu entender que as companhias apresentavam dificuldades para lidar com riscos, falhas ou erros.

Assim, determinamos oito capacidades que as empresas devem ter para reduzir a reatividade e ampliar o processo proativo, além de compreender que lidar com o erro não pode ser um paradigma para a inovação.

As oito capacidades que determinamos são:

- Lidar com risco

- Visualizar a realidade futura

- Lidar e antecipar o erro

- Gerenciar pressão em curto prazo

- Liderar poativamente

- Identificar e desenvolver pessoas proativas

- Inovar proativamente

- Gerenciar de forma flexível

De que forma essa conduta proativa pode refletir na economia?

A proatividade está diretamente ligada aos resultados e lucratividade da companhia.

Se a empresa antecipar suas estratégias de mercado pra um produto ou negociação, certamente, terá um retorno positivo.

A questão também envolve educar o mercado. No caso do iogurte Activia, por exemplo, a Danone expôs um produto que modifica o consumo e a necessidade de inserir a mercadoria no cotidiano. A marca antecipou ao mercado um modo de consumir, obteve lucros e está entre os líderes do setor de iogurtes.

Entretanto, nem todas as ações antecipadas dão certo e quando isso acontece é preciso aceitar o fracasso, mudar a estratégia e, principalmente, saber se desprender das ideias que não repercutiram da forma adequada.

Como manter um equilíbrio entre a reatividade e a proatividade?

Acredito nenhuma empresa é integralmente proativa. Há uma oscilação entre momentos de proatividade e reatividade.

O que deve ser feito é equilibrar esses perfis de modo que a inovação esteja em primeiro plano.

Normalmente, a balança tente mais para a reatividade, já que é mais cômodo se adaptar ao mercado.

Entretanto, o estímulo para crescer e obter recursos para investimentos está focado na cadeia de estratégia que diz respeito à antecipação de uma mudança. Isso é ser proativo.

Penso que devemos aperfeiçoar os produtos reativamente, pensando em inovação, mas sem deixar de avaliar os riscos e mudanças do mercado antecipadamente.

De acordo com a análise, quais os perfis de empresas que foram identificadas?

Identificamos quatro tipos de empresas – aflitas, ajustadas, atentas e ativadoras.

Apesar de ser apresentados aqui isoladamente, esses modelos podem se agrupar dentro de uma companhia, ou seja, determinada empresa pode ter características ajustadas e atentas.

- Ativadoras: criam a mudança de forma deliberada

- Atentas: captam os primeiros sinais da mudança

- Aflitas: sequer conseguem responder às mudanças;

- Ajustadas: adaptam-se reativamente e agem depois da mudança.

Para inovar, cada uma corresponde a um modelo de questionamento sobre o mercado. São eles:

- Ativadoras: O que queremos que aconteça?

- Atentas: O que vai acontecer?

- Aflitas: O que aconteceu?

- Ajustadas: O que está acontecendo?

Com o cenário apresentando índices de baixa inovação e proatividade, o que deve ser feito para melhorar?

Acredito que é preciso estar sempre de olho na concorrência, entender o que as empresas e clientes buscam, além de atribuir pesquisas qualitativas e quantitativas antes de lançar um produto ou idéia no mercado.

Hoje, as companhias buscam por mudança e equilíbrio interno e para isso refletir em resultados positivos, cabe aos CEOs e ao marketing trabalhar juntos, visando o espírito proativo dentro da corporação, incentivando mudanças e estimulando os funcionários a não ter medo de mudar.

O senhor teria algum case de sucesso para expor?

O case do iogurte Activia é um deles, mas posso citar nomes de empresas que obtiveram sucesso a partir de ações proativas como Fiat Automóveis, Whirlpool, Pepsico, Tetra Park, Localiza Rent a Car, IBM e Tecnisa.
 

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