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Carência de mão de obra: importar é a solução?

Camila Freitas // segunda-feira, 21/02/2011 15:24

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Entrevistado: 
Pedro Bicudo
Chamada: 

A TI brasileira reclama da carência de profissionais qualificados... E agora, importar ou não importar?

No Brasil, a reclamação dos gestores dos segmentos de TI e de Telecom em relação à carência de profissionais qualificados para suprir todas as vagas disponíveis vem de tempos.

Todo ano, acompanhando as estatísticas de crescimento das vagas, vem também o coro dos empresários que penam para encontrar no mercado os perfis desejados para compor seus quadros.

Na entrevista desta semana, Pedro Bicudo, sócio diretor da TGT Consult, avalia tal quadro como ainda mais grave do que parece: segundo ele, se o país não investir seriamente na capacitação de mão de obra para a TIC, o negócio vai ser massificar a contratação de profissionais de fora.

E então, será a importação de recursos humanos a única solução para a escassez de pessoal na TI nacional? Confira na entrevista abaixo.

Perguntas e Respostas
Perguntas e Respostas: 

O senhor, alicerçado por estudos diversos, avalia que há uma carência de profissionais qualificados para suprir toda a demanda do mercado brasileiro de TI. Qual a estratégia para suprir essa carência?

Eu penso que as empresas podem começar a utilizar um pouco mais das ferramentas de colaboração, visando contratar serviços de empresas e profissionais liberais que estão fora do Brasil.

A hipótese de contratar a mão de obra, ou seja, trazer pessoas para trabalhar no nosso país é um pouco mais complexa e custosa.

Não é uma atividade fácil você buscar uma grande quantidade de trabalhadores lá fora e trazer para cá.

A contratação no exterior é uma estratégia possível, mas quando falamos em quantidade de pessoas que a gente vai precisar para TI nos próximos anos, estamos falando de dezenas de milhares de profissionais.

Assim a importação de mão de obra não é uma tarefa fácil.

De quais países seria viável importar mão de obra em TI?

Nós temos alguns vizinhos dos quais já realizamos importação de pessoas para diversas profissões.

Então, Argentina, Chile, Bolívia e Colômbia têm profissionais qualificados e estão numa distância geográfica próxima.

Além disso, apresentam uma afinidade cultural com o nosso país.

Há também a Índia, mas essa seria uma mobilidade mais custosa.

Atualmente, é mais barato importar ou capacitar os profissionais que já estão no mercado brasileiro?

Isso varia muito para o tipo de função que a companhia está precisando.

Em cargos de suporte de TI ou em setores que se tem o processo de atuação bem estabelecido, é mais fácil você capacitar dentro da empresa.

Quando você precisa de profissionais com uma qualificação superior é viável importar os mais qualificados, pois a experiência acumulada não dá para formar dentro de casa.

Em quais aspectos o país está falhando?

Acho que está pecando na formação da escola pública.

Na nossa sociedade, temos vários jovens com idade para trabalhar e ao mesmo tempo há vagas não preenchidas.

A justificativa para isso é a carência de educação, capacitação e formação necessária para assumir esses postos.

Estamos falhando muito na estrutura da escola pública e quando falamos de universidade fica ainda pior, pois não há universidade suficiente para formar profissionais de TI.

Em relação à capacitção, qual a maior carência?

Eu sinto que apresentamos certo elitismo em capacitação de TI.

Os profissionais que estão na área têm uma boa formação e uma boa experiência internacional, ou seja, são bem capacitados aqui.

O problema é a quantidade.

Há muitas pessoas buscando capacitação e muitas escolas sem certificação oferecendo cursos.

Assim, surge uma demanda considerável de profissionais incapazes para trabalhar com TI.

Quais os profissionais que mais faltam em TI no Brasil?

Em todos os níveis estão faltando, mas a percepção que eu tenho é que há uma escassez de Gerentes de Projeto.

Apesar dos cursos existentes nessa área, a quantidade de pessoas que se formam é pequena e com capacitação é menor ainda.

Há também uma deficiência em pesquisa tecnológica, o que pode comprometer alguns setores e ainda posso dizer que a TI nacional apresenta baixa demanda de CIO.

Quais os recursos de qualificação que os profissionais importados têm e que nós não temos?

Acho que os cursos profissionalizantes em Tecnologia da Informação nas universidades.

As universidades estrangeiras investem em pesquisa e em tecnologia para formar um pessoal pronto para o mercado.

Além disso, há apoio governamental em P&D.

Isso é bastante perceptível quando há uma competição com outros países.

Na minha opinião, quando há organização e responsabilidade você chega a resultados com maior rapidez.

Entretanto, a culpa também cabe ao governo brasileiro, pois falta parceria entre empresa privada e pública, leis para TI e maior quantidade de pessoas empregadas.

É preciso que o governo veja a TI como um segmento econômico importante.

Você acha que o "gap" de profissionais pode ser resolvido nos próximos anos com a mão de obra interna ou só se resolverá com a importação?

Se não houver uma movimentação do governo em relação à capacitação de profissionais em TI nós vamos continuar com essa escassez.

Acho que teremos que importar serviços e profissionais para melhorar o quadro brasileiro.

Além disso, ocorre um aumento no nível de exigências dos clientes para contratar mão de obra. E aí nós teremos mais um problema, pois a maioria dos profissionais capacitados já está no mercado ocupando cargos elevados e o que sobra são jovens recém formados.

Assim, pessoas estão ocupando posições de gerente ou de CIO sem obter preparação adequada.

Basta você entrar na área de TI de uma companhia e você vai notar que a idade média das pessoas varia entre 20 e 35 anos.

Penso que vai demorar algum tempo para que esse "gap" seja resolvido.

Em relação à economia nacional, quais os impactos que a efetivação precoce dos profissionais, a importação e o treinamento podem ter em longo prazo?

Acho que uma das consequências é o atraso de algumas empresas em relação à tecnologia.

Você vai passar mais tempo capacitando dentro da companhia, importando e haverá um déficit considerável no âmbito tecnológico.

Ao todo, a carência de pesquisas, de adaptação com tecnologia e a baixa iniciativa governamental podem pesar economicamento para o país.

Qual a resposta do governo para a situação atual da TI brasileira?

No governo anterior pouco se falou do assunto.

O máximo que conseguimos foi uma pequena redução de cargos e tributos.

Agora, Aloizio Mercadante, ministro de Ciência e Tecnologia, afirmou que haverá um programa para a capacitação em Ti, mas ainda não sabemos como vai ser e nem quando iniciará.

Além disso, o governo anunciou que realizará um Censo para medir a carência dos profissionais em TI.

Por enquanto, são apenas projeções.

COMENTÁRIOS
Éder

postado em: qua, 06/04/2011 - 11:48

Eu sempre vejo alguns site de emprego, principalmente para TI que é minha area tambem, para ver quais as necessidade de mercado e nisso acabei vendo que existem dois tipos de vagas de emprego.

O primeiro é para empresas que o foco do negocio dela não é TI, exemplo, trabalhar no TI de uma industria seja ela metal mecanica, calçados ou outra qualquer, nesse tipo de empresa o profissional de TI tem que ser generalista, precisa saber de regra de negocio (ser analista) , ser programador, conhecer Windows, Unix, Linux, manutenção de micro, rede, firewall, quantos profissionais conhecemos com esse perfil? Eu particularmente nenhum, ai se diz que existe carencia de profissionais.

O segundo tipo é para empresas que o foco do negocio é TI, empresas de ERP, consultorias, de manutenção, rede essas areas, ai você tem que ser especialista e especialista quer ganhar bem. Como a empresa vende um serviço e este serviço tem que ser bom e acessivel ao cliente uma das medidas que a empresa tem é de tentar pagar menos para seus profissionais. Um especialização custa caro, algumas certificações tem que ser feito cursos autorizados e provas em centros autorizados, algumas certificações custam cerca de R$ 10.000,00 e que não garantem um salario razoavel.

Alguns ramos do TI seria interessante ter a homologação da profissão o que acabaria com o 'sobrinho' que faz site para o tio e amigos, mas não será garantia de melhores salarios. Cada vez a empresa quer mais qualificação e nos ividentemente mais salarios altos.

O profissional de TI tem que se especializar, reciclar, criar um leque para ele mesmo de opções de trabalho. Esperar que a empresa banque uma pos, certificação ou outro curso você pode morrer sentado esperando, faça por você mesmo.

Andre

postado em: seg, 28/02/2011 - 10:19

A carência de mão de obra existe, porque os salários são baixos. Mesmo com a escassez de mão de obra as empresas estão pagando pouco e não valorizando adequadamente, os profissionais de TI tem que trocar de emprego para ganhar um pouco mais.
Enquanto os salários forem baixos, não haverá interesse no pessoal pela busca de formação na área de informática.
Acaba-se escolhendo outras áreas que pagam mais, como engenharia e medicina. Só que nenhuma área hoje em dia vive sem os profissionais de TI, sem software.
O mercado deve se adequar, pois a escassez irá continuar enquanto os salários não forem atrativos.

Vinicius Silva

postado em: seg, 28/02/2011 - 09:30

Ai vai uma dica..a construção civil está bombando! aprenda a virar bem uma argamassa, sentar tijolo, rejuntar, fazer pequenos consertos hidraúlicos e eletricos, trabalhe direitinho, e você vai chegar fácil a uns 5 mil mensais de renda!
No seu tempo livre desenvolva apps idiotas pra smartphones e redes sociais, ou no pior caso estude apenas um dos cinquenta módulos SAP para exercitar o inglês.

Eduardo

postado em: sab, 26/02/2011 - 21:50

Os profissionais de TI estão sendo desvalorizados a cada dia. As empresas reclamam da falta de profissionais, mais também não pagam salários adequados em sua maioria, o problema aumenta a medida que o profissional vai ficando mais velho, experiente e especialista no assunto. Por exemplo, sou bacharel em informatica, com duas pos graduação uma em redes e outra em gerencia de projetos, possuo certificações de mercado como PMP, ITIL e COBIT e as empresas tem a cara de pau de oferecer R$ 3.000,00 para trabalhar...rsrsrs piada, isso que a vaga tinha a responsabilidade de ser um Lider de Projetos, desse jeito falta profissional mesmo. Como que um profissional com experiencia, um pai de família pode trabalhar por um salário desses, absurdo!!!
Falei para a moça do RH, olha por R$ 5.000,00 eu não quero a vaga, imagina 3 pila...muito obrigado pela atenção, acredito que você tenha que contratar uma pessoa que esteja iniciando nessa área, tchau!!!

Anonimo

postado em: qui, 24/02/2011 - 23:55

Pedro, eu sou um cara que SAIU da área de T.I (apesar de ter formação técnica e ter atuado sempre no comercial fazendo a ponte entre comercial x T.I) e migrei de área, indo para o Marketing, POR NÃO ME SENTIR VALORIZADO na área, como profissional. O setor de T.I Brasileiro é formado por TÉCNICOS "empreendedores" que não valorizam o profissional que busca formação, qualificação e profissionalização... o empirismo e o fator "quem grita mais alto" vence no lugar da razão e das boas práticas de negócios...

Diego Pereira

postado em: sab, 26/02/2011 - 15:11

Esse post acertou o ponto em cheio. Não adianta empresários ficarem choramingando por aí enquanto não fazem NADA para valorizar e QUALIFICAR ELES PRÓPRIOS os profissionais que tanto precisam. Isso porque não estão interessados em fazer o investimento, e apenas derivar lucros da formação alheia. Isso é EXTRATIVISMO da pior espécie. Como desenvolvedor há 10 anos, o que vejo é que empresários acabam contratando qualquer um, e os sistemas resultantes do trabalho dessa pessoa terão que ser mantidos por um bom tempo. Isso gera um custo muito grande, o famoso débito técnico. O futuro da TI no Brasil é negro, se as coisas continuarem seguindo esse caminho.

Carla Marcolin

postado em: qui, 24/02/2011 - 14:49

Concordo com os colegas. Porém preciso acrescentar que muitas vezes o problema não é qualificação; tem muitas empresas dispostas a formar SIM, é um método que dá resultado. O problema é encontrar alguém COMPROMETIDO, e não macaco de galho em galho que por 30,00 abandona tudo para começar tudo de novo. A rotação quem faz muitas vezes são os profissionais, não as empresas.

Leonardo

postado em: sex, 25/02/2011 - 09:44

Este é outro ponto interessante que deve ser analisado com mais rigor: ninguém larga um emprego estável, interessante, estimulante, vantajoso, com clima corporativo propício por R$30,00. Larga porque alguma destas coisas não estão bem. Penso que as empresas andam com problema de retenção de talentos por:

1. Falta de feedback pelo trabalho - Será que estou fazendo bem o meu trabalho? Faço bem o meu trablaho e não recebo nem um tapinha nas costas....
2. Por falta de um plano de carreira - Onde estou e onde posso chegar trabalhando nesta empresa?
3. Falta de atualização de seus benefícios - Que vantagens adicionais eu tenho para ficar aqui nesta empresa? O plano de saúde tem uma cobertura boa e minha família também tem o benefício? O valor do meu ticket alimentação é suficiente?
4. A negociação de aumento de salário justa - Meu desempenho é bom e só vou ganhar de aumento o dissídio?
5. Identificação do motivo que faz o funcionário deixar a empresa - Muitas vezes uma pequena concessão da empresa por um pequeno aumento fora de época retém o funcionário.

É responsabilidade da empresa reter seus funcionários.
Quando alguém entra numa empresa, está comprometimento.
A manutenção do comprometimento de um funcionário vem com a contra-partida da empresa, com a atenção às suas necessidades.

julio

postado em: qua, 23/02/2011 - 21:39

Será que também não há carência de empresas qualificadas? As vezes a impressão que se tem é de que a "missão, valores e visão" não passa de embuste. Não há comprometimento com o cliente nemos ainda com o recurso humano escasso. Retorno social é algo praticamente desconhecido nesse mercado corporativo. Em diversas ocasiões é facil identificar verdadeiras organizações estelhonatárias atuando no mercado de TI

Cristiano R.

postado em: qua, 23/02/2011 - 20:15

Tem alguns que defendem o diploma universitário mais a regulamentação da profissão, outros dizendo que são capazes de muita coisa, mas não dizem como conseguiram esse conhecimento. O que todos concordam é que se paga pouco de um modo geral. O que eu penso é que quanto mais bagunçado estiver a profissão, mais fácil é de encontrar prostitutos de plantão estragando a categoria e fazendo os lucros a curto prazo das empresas parar lá nas alturas, mas no médio e longo prazo, o tiro sai pela culatra, aí estas mesmas empresas oferecem uma babilônia de grana por bons profissionais (às vezes nem tanto, sempre tem os espertinhos). Minha opinião é de se regulamentar a profissão, e todo trabalho ter uma espécie de marca do profissional responsável. Assim a profissão ganha dignidade e melhores salários. Consequentemente mais profissionais se prontificarão a se preparar para ela. Voces já viram algum curandeiro de fim de semana fazendo um transplante de coração? Assim é nossa realidade da TI. Tem muita gente que conhece sim, sem diploma, mas se são capazes assim, uma faculdade é que não vai ser obstáculo. Estou certo? ou errado?

Edinaldo

postado em: qua, 23/02/2011 - 14:04

O que acontece também é de vc passar 5 anos numa universidade e uma empresa querer pagar um salário insignificante... daí o que vc faz? Vai pro exterior!

José

postado em: sex, 25/02/2011 - 23:56

Meu caro, não é tão simples assim, tenho um caso em mãos de uma pessoa recem formada que invés de se por a prova e se comprometer, esta em vias de ser demitido, entrou na empresa há pouco tempo "comprometido", porem mesmo sendo formado, não consegue realizar uma unica tarefa sem atrasos ou sem culpar questões externas. Ou seja, estudou 5 anos e NÃO MERECE ganhar muito, como fica esta questão? é um problema concordas? pagar muito mais apenas por ter ficado 5 anos estudando, mas quando vai para o "vamos ver" não tem taco.

Leonardo

postado em: qui, 24/02/2011 - 15:09

Ter experiência no exterior é fantástico, tanto culturalmente quanto para carreira. Falo porque já tive. Mas cabe algumas análises antes de achar que esta é a solução dos seus problemas.
Tomando a zona do Euro como exemplo:
1. Salário: Se tu ganha R$2500 e acha pouco, você não vai ganhar 2500 euros.
2. Moradia: É mais caro que aqui. Exemplo: Se ganha R$2500 e paga aluguel de R$600 para 2D, isso representa quase 25% do seu salário. Mas se ganha 1200 euros e paga 600 de aluguel para 1D, isso representa 50% do seu salário.
3. Alimentação: Os valores numericament são inferiores, ou seja, sem converter. Ex.: Um sanduiche Burger King que aqui custa R$18,00 lá custa 4,95 euros com batata frita e refrigerante de 700ml.
4. Supermercado: A concorrência realmente vale e os preços são bem competitivos, além dos próprios fabricantes darem descontos. Ex.: Caixa de sabão em pó de 10kg (isso mesmo 10kg) custa 9,00 euros e você ganha um cupom de 4,00 para usar na próxima vez que for comprar o mesmo sabão em pó.
5. Entertenimento: mais barato em valores absolutos. Ex.: Cinema 3D custa 8 euros.
6. Roupas: O básico é muito mais barato. Ex.: Jaqueta com pena de ganso, leve e quente por 20-30 euros.
7. Serviços: Corte de cabelo, Lavandeira, etc é bem mais caro que aqui.
8. Eletrônicos: Bem mais barato que aqui.
9. Carro: É mais barato comprar um carro lá do que aqui, mas a burocracia para estrangeiros é muito grande. Ex.: Sandero zero aqui custa R$35000 e lá custa 6000 euros.
10. Impostos: IPVA, IPTU, ICMS (lá tem outros nomes) mas as aliquotas são parecidas.
11. Multas: As de trânsito devem ser pagas na hora sob pena de reclusão. Aceitam cartão de débito.
11. Educação: Em universidades particulares, se paga apenas uma anuidade de valor acessível e com fácil acesso a linhas de crédito. Ex.: Um curso de Sistemas de Informação 300 euros/ano (e eles vivem reclamando que é caro!).
12. Saúde: Planos de saúde são muito mais caros que aqui.
13. Viagens ao Brasil: Toda vez que quiser visitar o Brasil, reservar 1 salário para as passagens.

Leonardo

postado em: qua, 23/02/2011 - 11:15

Hoje, mesmo com todas as dificuldades, quero trabalhar no meu país, embora tenha passado 14 meses na Europa trabalhando. Há muitas oportunidades aqui justamente pelo Brasil ser um país em desenvolvimento.

A leitura que faço é alinhada com a que o Pedro Bicudo fez: falta de qualidade do ensino fundamental e médio dificultam a formação do ensino superior.

Este é um dos motivos que justificam a quantidade de vagas nos cursos de exatas e tecnologia que não são preenchidas em universidades e faculdades renomadas do Brasil e a quantidade de pessoas que desistem no meio do curso. Este ponto foi abordado em uma série de matérias do Jornal da Globo:
http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/02/profissoes-na-area-d...

http://g1.globo.com/videos/jornal-da-globo/v/sobram-vagas-em-cursos-de-escolas-tecnicas-e-universidades-do-brasil/1431882/#/Edições/20110209/page/1

http://g1.globo.com/videos/jornal-da-globo/v/profissoes-na-area-de-exatas-estao-entre-as-mais-requisitadas-no-brasil/1430989/#/Edições/20110208/page/1

Pegando o exemplo especifico sobre programadores: como um egresso do ensino médio vai aprender lógica de programação e algoritmos se não tem uma base consolidada de matemática como matrizes, sistemas de equações, geometria...?

Via de regra, a experiência é adquirida ao longo e após o ensino superior, quando o profissional está formado para aplicar o que aprendeu. Mas existem exceções, e trabalhei/trabalho com diversos colegas qualificadíssimos que não tem ensino superior.

Para fechar este gap, estes colegas estão sentando nos bancos universitários para formalizar o conhecimento. Estão fazendo cursos de tecnólogo de dois anos e meio ou mesmo ciência da computação de 5 anos. Estão colocados no mercado e mesmo tendo que investir tempo na formalização do que já saber, ao final, vão poder concorrer às vagas que exigem formação superior.

Discordo do ponto em que o Pedro diz que o "... governo é o culpado, porque não oferece para vc uma universidade pública ou um curso técnico no qual vc faça uma prova e obtenha seu diploma.", discordo. Isso porque nossa sociedade não está madura para realizar este tipo de ação. O “jeitinho brasileiro”, a falta de regulação e fiscalização faria com o que diversas pessoas recebessem diplomas sem sequer tenham feito tal prova. Nossa sociedade tem que se educar sem queimar fases, para então, um dia, chegar ao patamar de países desenvolvidos que podem oferecer uma prova para obter um diploma.

Gerson L Lage

postado em: qua, 23/02/2011 - 09:04

Já disseram tudo aqui. O que falta é o empresariado abrir a mão e investir em capacitação. Nossa área exige treinamento e atualização constante. Eu estou hoje com 50 anos e me tornei autodidata devido aos altos custos e a falta de tempo para treinamentos, pois as empresa tambem dificultam bastante para nos liberar para os treinamentos. Como exemplo cito um treinamento que fiz há uns 3 anos, em ABAP (SAP), para ter uma carta na manga e até hoje não consigo mercado de trabalho porque as empresas e consultorias só querem o cara senior em ABAP. Mesmo eu tendo uns 30 anos de experiência em análise de sistemas e programação, uns 10 anos trabalando com ERP/TOTVS nos diversos módulos que compõe, isso não conta, não nos dão uma chance se quer. Estou certo de que poderia atuar em muitas áreas e contribuir por muitos anos ainda mas não consigo mais investir em treinamentos por falta de investimento e o tempo necessário, pois tenho que garantir o pão nosso de cada dia. É duro, pois venho tentando fazer uns cursos para gerenciamento de projetos e não consigo, acabo me atualizando por meio de downloads de material disponível na internet, ao menos assim não fico totalmente leigo quando surge o assunto.
Saudações,
Gerson
gllage@hotmail.com

Eduardo

postado em: ter, 22/02/2011 - 20:47

Quem tem visão que alcança apenas o próprio nariz pensa em trazer pessoas de fora, As pessoas daqui trabalharam por elas e pelo lucro gordo das empresas, querem se qualificar se tornar profissionais completos. As empresas precisam investir, abrir a mão e pagar cursos e não chorar a ausência do governo. Se não assim é fácil, esperar pessoas qualificadas brotando em árvores.

Gustavo Barcellos

postado em: ter, 22/02/2011 - 17:33

Pedro, em nenhum momento entra a regulamentação da profissão neste cenário? Pergunto porque não podemos deixar de lado os profissionais que buscaram a sua formação (longe de dizer que faculdade vale mais do que experiência, não é isto). Neste contexto, a regulamentação atuaria no sentido de melhorar a remuneração dos profissionais, ou estou errado?

felipe

postado em: ter, 22/02/2011 - 15:26

Acho que os salários são na maioria baixos. Tem empresário que acha que pagar "2 ou 3 conto" ta pagando muito, por isso desisti do curso de ciencia da computação( Exige muita dedicação e o curso é caro em universidades privadas), portanto me formei em economia e estou muito bem empregado. Além do ambiente de trabalho ser muito estressante na maioria das empresas.

Christian

postado em: ter, 22/02/2011 - 14:29

Convenhamos que o país está em falta de peão (programadores) de qualidade.

E não basta ser um profissional bom e pronto, tem que ser Jedi.

Cristiano

postado em: ter, 22/02/2011 - 12:53

Desculpe mas quem é realmente qualificado não vai querer trabalhar nesse país, vai para um país desenvolvido.

Concordo com o Paulo Lima, quando não se tem um diploma universitário mesmo tendo experiência, fica bem mais difícil.

Jose Luiz

postado em: ter, 22/02/2011 - 11:40

ah sim... com certeza a solução está la fora...
esses empresarios exploradores ao invés de investirem na qualificação do funcionario q tem preferem pagar mais para ter um profissional com a qualificação q eles proprios se negam a fornecer aos seus...
entao tem mais é que marchar na grana, e nós, exigirmos salarios bem altos pra ensinarmos a estes exploradores quanto custa o conhecimento!

pescador

postado em: ter, 22/02/2011 - 10:25

eu também conheço algumas pessoas muito boas em matemática e com conhecimentos contábeis, mas não podem atuar como contator... sabe por que ?

O que as empresas querem é abundância de maão de obra para poderem forçar um teto salarial e assim maximizar seus lucros. Pois há muitas pessoas qualificadas mas as empresas não querem pagar o salário que muitos bons profissionais pedem. Pois ninguém muda de emprego pra ganhar menos ou a mesma coisa em outra empresa, entao o mercado nao se movimenta e fica estagnado, deixando muitos recém formados sem emprego devido as vagas ociosas nas partes acima da base da pirâmide....

Paulo Lima

postado em: seg, 21/02/2011 - 18:44

Eu sou totalmente capaz de administrar servidores Linux e Windows, bem como administrar redes de computadores de pequeno a grande portes. meu irmão idem. Além de nós, conheço pelo menos umas 10 pessoas que são tão, ou mais, capazes do que nós. Só que não temos um diploma universitário na área. estamos automaticamente excluídos dos processos seletivos por esse detalhe "acadêmico". Portanto, ou as empresas estão procurando no lugar errado, os os consultores de RH que contratam não sabem onde procurar.

Pedro Bicudo

postado em: ter, 22/02/2011 - 13:09

Paulo Lima, vocë tem razão. As empresas procuram no lugar errado, e colocam exigências que nem sempre são necessárias. No meu ponto de vista o Governo é culpado, porque não oferece para vc uma universidade pública ou um curso técnico no qual vc faça uma prova e obtenha seu diploma. Não falo de cursos de 5 anos, estou falando de uma prova onde vc demonstre seus conhecimentos. Nosso sistema de ensino é atrasado, precisa ser modernizado e precisa dar espaço para que é esforçado e pode crescer.

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