O Ceitec já tem um sistema de rastreabilidade bovina baseado em RFID. Que efeito a produção local tem sobre esse tipo de tecnologia?
Toda a iniciativa é bem-vinda na popularização. No início, o código de barras era caro, pouco utilizado.
Mas quando surgiram iniciativas em diversos setores, o mercado começou a adotar mais e aos poucos o próprio consumidor começou a ver a ventagem desse sistema.
É uma questão de ser útil pra toda a cadeia.
Por isso, quanto mais iniciativas tivermos em RFID, mais teremos massa crítica e condições de mostrar ao consumidor final os benefícios disso. Além disso, uma produção em escala baixa cada vez mais o custo, o que vai tornar a tecnologia mais acessível.
O maior uso é só uma questão de preço?
É também uma questão de necessidade. A criação de gado, o setor têxtil e da saúde já estão evoluindo bastante. Não que eles sejam setores mais organizados ou com mais recursos, mas é a característica do produto, que e exige rastreabilidade para evitar furtos, para garantir a qualidade.
Na fábrica, as vantagens também são inúmeras. Por exemplo, no têxtil, o tempo e a precisão de controle de estoque são impressionantes. É só o tempo de passar de cima a baixo o medidor e tudo já é enviado para o computador.
Além desses, o setor de materiais de construção também está se organizando nesse sentido.
Tem que se reconhecer que o maquinário ainda é caro, mas a etiqueta tem baixado de preço, pelo menos 15% nos últimos anos.
E para o consumidor, que tipo de vantagens a tecnologia oferece?
Principalmente na velocidade do atendimento. Eu já vi contagens exatas de CDs numa gôndola, por exemplo, ser feita rapidamente, em 20 segundos, enquanto que uma pessoa demoraria horas.
Isso foi feito simplesmente por se escanear a gôndola, com os CDs equipados com o RFID.
Na loja do futuro, se passa com o carrinho no caixa, e o próprio equipamento da registradora pode identificar todos os produtos em segundos, em vez de ter que passar um por um deles no sensor para registrar os dados, somar e faturar, como ocorre hoje com o código de barras.
E o que será do código de barras com o RFID ganhando força?
Deve continuar existindo por um bom tempo porque são coisas independentes. Um suco em pó, por exemplo, por mais que evolua o RFID, vai ser desnecessário colocar um equipamento assim num produto de R$ 0,50.
Temos que ver que existe o ideal e o possível. No curto prazo, RFID é algo para poucos produtos. Mais a médio e longo prazo, aí sim, vai se difundir entre todos.
Como está o ritmo no Brasil. A adoção por aqui acompanha o passo mundial?
Existem muitas iniciativas nos Estados Unidos e na Alemanha, são países mais na ponta. O Brasil está na média mundial, num segundo grupo, digamos assim.
Por enquanto, aqui é uma questão industrial, de setores aderindo aos poucos à tecnologia. Lá fora já existem iniciativas de desenvolvimento tecnológico no varejo.