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PRIDE

Dell apoia parada gay em Porto Alegre

Maurício Renner // terça, 03/11/2015 17:16

A Dell, através do Pride, seu grupo de diversidade sexual, será um dos apoiadores da Parada Livre LGBTI de Porto Alegre, que acontece nesse domingo, 08.

Trio elétrico na parada gay em Porto Alegre. Foto: flickr.com/photos/filipecastilhos/

É a primeira participação da multinacional de TI em um evento do gênero no país e também o maior apoiador corporativo da iniciativa, já na sua 18a edição.

O Dell Pride existe há oito anos. Participam da iniciativa 16 membros do chamado "core team", liderando as atividades, com o apoio de outros 139 colaboradores. É o segundo maior grupo do gênero da multinacional no mundo.

A Dell ajudará a pagar um dos oito trios elétricos que devem participar do evento no Parque Redenção, área verde no centro da capital gaúcha na qual são esperadas 50 mil pessoas para o ato que terá como tema "“Lesbitransviadagens: Frente contra o retrocesso”.

A ideia dos organizadores é enfrentar o que é interpretado como uma "onda conservadora" liderada por políticos como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

"Parte dos nossos objetivos é prover ações sociais que reduzam a desigualdade de gênero fornecendo cursos e ações de assistencialismo em ONGs", explica Marcelo Oliveira, um dos integrantes do Dell Pride.

Até agora, os patrocinadores da parada sempre foram negócios de pequeno porte ou focados no público gay.

A participação da Dell será feita em conjunto com o Grupo de Diversidade Sexual da OAB-RS, que terá também um stand dentro do parque.

A OAB é uma das entidades mais “mainstream” na lista de 20 organizadores do evento, que inclui desde ONGS de defesa de direitos gays mais tradicionais como o Nuances, até a ala jovem do PSOL Juntos LGBT, passando por organizações menores como Nupsex, Criolos, Frente Quilombola e Coletivo LGBT Comunista.

Colaboradores da Dell devem ajudar na coleta de assinaturas para o estatuto da diversidade sexual, uma série de projetos de lei elaborados pela OAB focados em direitos para gays desde 2009.

“O trabalho desenvolvido pela Dell no âmbito da diversidade sexual é de extrema importância, e na parada livre também é um bom local para divulgar as atividades”, afirma Leonardo Ferreira Mello Vaz, da OAB. 

A participação da Dell na Parada Livre em Porto Alegre é a “saída de armário” mais chamativa entre as multinacionais de TI no Brasil nos últimos tempos.

Pouco a pouco, grandes companhias do setor estão repetindo por aqui o posicionamento pró-gays que já é quase uma regra no setor de tecnologia nos Estados Unidos. 

A SAP do Brasil assinou recentemente a Carta Compromisso do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, com  10 compromissos das empresas com a promoção dos direitos humanos de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. 

O Fórum foi criado em março de 2013 e conta com a participação de 80 companhias incluindo Carrefour, IBM, Accenture, Alcoa, Basf, Caixa, Dow, HSBC, P&G e PwC. 

A SAP mantém o grupo Pride@SAP Brasil, que reúne funcionários focados em promover ações sobre o tema, nos mesmos moldes do que acontece na Dell. 

O Pride@SAP Brasil é o segundo maior grupo dentro da SAP entre todas as subsidiárias da empresa no mundo.

Em abril, por exemplo, a HP Brasil realizou no Tecnopuc em Porto Alegre o LGBT Summit, um evento focado discutir a realidade de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais no ambiente de trabalho das empresas de TI. 

A HP também tem um grupo nos moldes da SAP e Dell no país, do qual participam 40 funcionários da empresa no Brasil.

O novo posicionamento das multinacionais de TI é  uma novidade no país onde o setor de TI concentram seus esforços de lobby em torno de uma agenda muito mais estritamente setorial, em torno de temas como impostos ou formação de mão de obra.

Fora dessa pauta, as atividades mais comuns focam em responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, dois temas bem menos controversos no país do que o movimento LGBT.

A participação ainda está nos estágios iniciais se comparada com os Estados Unidos. A última parada gay de São Francisco contou com a participação de funcionários identificados da SAP, Salesforce, LinkedIn, Google, Facebook, Dropbox, Yahoo, Uber, Twitter e Apple.

Em abril, 70 altos executivos de empresas de TI americanas assinaram uma carta aberta pedindo ao governo americano para aumentar as proteções legais para a população LGBT no país, após o estado de Indiana aprovar uma lei que permite a estabelecimentos comerciais negarem serviço a homossexuais por motivos religiosos.

Assinaram o documento nomes como Marc Benioff (Salesforce), Dick Costolo (Twitter), John Donahoe (Ebay), Charles Phillips (Infor), Satya Nadella (Microsoft) e Gary Moore (Cisco). 

O argumento das empresas de TI por pressionar por leis garantindo direitos iguais para os gays é que elas favoreceriam a atração de talentos. 

Também é verdade que a maioria dessas companhias tem sede na área de São Francisco, tida como a cidade mais liberal dos Estados Unidos, ou em regiões com uma orientação ideológica parecida, o que torna direitos gays uma bandeira de responsabilidade social corporativa de pouco risco. 

Desde 2010, pesquisas apontam que a maioria dos americanos é favorável ao casamento gay. Mais de 70% da população reside em estados onde a união gay é legalizada. 

Recentemente a Suprema Corte do país decidiu que os estados não tem o direito de aprovar legislação proibindo uniões gays, encerrando o debate no restante do país.

No Brasil, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou em 2013 uma resolução que obriga todos os cartórios do país a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

A medida, no entanto, é produto do ativismo do movimento gay no judiciário e não parece um bom indicador do verdadeiro clima social e político do Brasil em torno do assunto.

Ele talvez seja melhor medido pela discussão em torno do projeto de lei que criminaliza a homofobia e tem gerado fortes debates no Congresso Nacional, com opositores vocais na bancada evangélica e setores mais conservadores da sociedade (um levantamento do G1 no começo do ano mostrou uma maioria de 50,8% em favor da lei, numa pesquisa sem abrir nomes).

Maurício Renner