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PIRÂMIDE

Polícia investiga empresa de beacons

Júlia Merker
// quarta, 15/02/2017 16:26

Uma companhia de Porto Alegre focada em beacons é o centro de uma operação da Polícia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio Grande do Sul. A TagPoint teve materiais apreendidos na terça-feira, 14, e será investigada por um suposto esquema de pirâmide.

A TagPoint teve materiais apreendidos na terça-feira, 14. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

A Operação Beacons apreendeu notebooks, iPads, 316 beacons, pen drives, contratos, notas fiscais, um simulacro de arma de fogo e pequenas quantias em euros e dólares, além de valores menores dos Emirados Árabes e da Hungria. 

A ação também recolheu diversas camisetas, pins, chaveiros, material de publicidade e 28 rastreadores veiculares. A polícia investiga os crimes de estelionato e contra a economia popular. 

De acordo com a polícia, a empresa comercializava os dispositivos de informática, com o fim, também, de cooptar pessoas para divulgarem e venderem o produto. 

"As investigações que foram iniciadas no ano de 2016 prosseguirão esse ano com o interrogatório dos investigados, oitivas de vítimas, análise dos documentos apreendidos e encaminhamento dos equipamentos de informática à perícia", ressalta a delegada Luciana Caon.

A TagPoint foi fundada em 2013 e instala beacons, equipamentos capazes de enviar informações por bluetooth, em estabelecimentos comerciais para o envio de informações e promoções para consumidores via app. Os dispositivos se conectam aos aparelhos de clientes próximos a loja para transmitir ofertas.

A empresa trabalha com o modelo de filiais, em que pessoas podem investir nos dispositos para se tornarem revendedores. No entanto, de acordo com a RBS TV, a empresa também remunerava os revendedores a cada novo investidor trazido pela pessoa para o negócio, o que pode configurar o esquema de pirâmide.

Um esquema em pirâmide é um modelo que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas para o esquema, que chega a níveis insustentáveis economicamente.

O termo vem da estrutura de organização das vendas, em que a pessoa no topo é a primeira a vender o produto para outras pessoas, que também têm a obrigação de continuar com as vendas, formando vários níveis.

A polícia relatou à RBS que a TagPoint já havia recrutado 12 mil pessoas. Os participantes compravam os beacons para oferecer a lojas e restaurantes. Envolvidos ouvidos pela rede de TV gaúcha afirmaram que os equipamentos não funcionavam bem.

Conforme a polícia, houve casos de pessoas investindo até R$ 18 mil para a compra do dispositivo. A promessa era de ganhos diários e, ao final do negócio, a possibilidade de bons lucros. Mas, segundo a polícia, a maioria das vítimas não conseguiu resgatar o que investiu. 

O dono da TagPoint, Vitor Loreto, afirmou que só importou o aparelho da China. Ele afirma que quem ficou encarregado da venda dos dispositivos foi Maikon Santos, proprietário da empresa Revolution. Por telefone, ele negou que houvesse "promessa de ganho fácil". 

"Mostramos um plano de compensação que a empresa tem. Se você alcança a meta, você ganha", relatou Santos.

Júlia Merker