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METAS

Wipro quer acelerar no Brasil

Maurício Renner
// quarta, 15/02/2017 15:31

A indiana Wipro chamou atenção no final de janeiro ao adquirir a paulista InfoServer em um negócio de R$ 27,6 milhões. A compra é a parte mais visível de uma movimentação cujo objetivo é por a empresa entre os maiores players de TI do país.

Ankur Prakash.

A meta da empresa é faturar US$ 100 milhões no país ainda em 2017 e chegar no final de 2018 com nada menos do que US$ 250 milhões, revela Ankur Prakash, vice-presidente para mercados emergentes da Wipro.

“Vemos uma oportunidade para consolidação no mercado brasileiro de TI e muitas oportunidades para novos projetos”, resume Prakash.

A compra da InfoServer dará uma contribuição para o crescimento (o faturamento da empresa é estimado em R$ 50 milhões), mas a maior parte virá do crescimento da operação da Wipro no país.

A empresa emprega hoje no país cerca de 1,2 mil pessoas, em unidades em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A projeção é aumentar o time em 30% neste ano, atingindo 1,6 mil profissionais.

São números chamativos para uma companhia que tem tido uma presença discreta no mercado brasileiro desde a sua chegada aqui, ainda em 2006.

“Nós temos menos visibilidade do que deveríamos. A ideia é colocar a operação agora em um novo patamar”, projeta Prakash. O executivo fica baseado na Cidade do México e está há um ano e meio no cargo, vindo da TCS, outra gigante indiana, onde era VP e COO para a região América Latina.

A Wipro chegou ao Brasil indiretamente, através da compra da Enabler, uma empresa de consultoria portuguesa focada na área de varejo dona de um centro de desenvolvimento em Curitiba.

Em 2010, a Wipro escalou sua presença com um investimento de US$ 2 milhões no centro e a contratação de 350 profissionais.

Na época, a companhia divulgou uma meta de ampliar a participação da América Latina em sua receita global em dez vezes, saltando de 0,5% para 5% (algo como US$ 350 milhões). A empresa está presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México.

Indianas como a Wipro, TCS e Mahindra chegaram ao brasil na primeira década dos anos 2000, sendo seguidos por uma leva de empresas menores do país na década seguinte.

Os indianos não conseguiram repetir por aqui o sucesso da sua presença nos Estados Unidos, onde as companhias do país emplacaram grandes contratos de outsourcing usando como diferencial o baixo do custo da mão de obra na Índia.

Prakash destaca que a abordagem do mercado brasileiro será diferente, com os contratos locais sendo atendidos por recursos locais, com uma pequena participação de especialistas trazidos da Índia.

“O mercado brasileiro tem características específicas que exigem essa abordagem. Nosso comprometimento aqui é a longo prazo”, aponta Prakash.

Nos últimos tempos, parece que os indianos decidiram adquirir players locais para acelerar o crescimento no Brasil, um caminho que já foi seguido no passado por grandes empresas de outros países como Sonda e Capgemini.

Em agosto de 2013, por exemplo, a Tech Mahindra comprou 51% do capital da empresa brasileira de consultoria SAP, Complex IT, com investimento inicial de US$ 6,5 milhões em dinheiro, cujo pagamento total poderá passar de US$ 20 milhões.

Maurício Renner