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INOVAÇÃO

Anprotec agrega aceleradoras

Maurício Renner
// quarta, 21/12/2016 14:20

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) anunciou uma “fusão” com a Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento (Abraii).

Jorge Audy, presidente da Anprotec. Foto: Gilson Oliveira/PUC-RS.

Fundada em 2014, a Abraii reúne 21 aceleradoras, que agora serão somadas ao quadro de 345 associados da Anprotec, fundada no final dos anos 80, para articular o posicionamento de incubadoras de empresas e parques tecnológicos, muitos deles ligados a instituições de ensino superior.

“Essa ação vai ao encontro de um desejo de toda a sociedade: aproximar a academia do mercado", explica o diretor executivo da Abraii e um dos fundadores da entidade, Alex Jacobs, que passa agora a ser diretor de ambientes de inovação da Anprotec.

Para o presidente da Anprotec, Jorge Audy, a união entre a Anprotec e a Abraii pode potencializar o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional. 

“A crise econômica atual nos oferece a grande oportunidade de usarmos a inovação, o empreendedorismo, a geração de startups e a criação de novas empresas que utilizam a tecnologia como principal fator”, avalia Audy.

As entidades não fazem um comentário explícito nesse sentido na nota de divulgação da novidade, mas é fácil ler na união das entidades uma modificação de fundo no ecossistema de inovação brasileiro.

A Abraii reúne alguma das maiores aceleradoras do país (21212, Aceleratech, Start You Up, Wayra e Wow estão entre as participantes) e foi fundada no auge de um processo de expansão desse tipo de empreendimentos no país.

As aceleradoras são um fenômeno recente, com a primeira abrindo as portas em 2005. Até 2012, o ritmo foi lento, com poucas abertas: 1 em 2007 e 2009, 4 em 2011, 5 em 2012. O ritmo decolou em 2013, quando foram abertas 7, e em 2014, quando foram abertas outras 8.

De lá para cá, no entanto, não há notícia de aberturas de novas aceleradoras e inclusive algumas das operações menos capitalizadas já começaram a fechar as portas. 

A volatilidade foi acelerada pela paralisação do programa Startup Brasil, através do qual o governo federal colocou dinheiro em startups a fundo perdido em conjunto com as aceleradoras. Criado em 2013, o Startup Brasil está na geladeira.

As aceleradoras selecionam empresas com maior frequência, oferecendo consultoria e investimento em troca de participação no capital. O negócio dá retorno com a saída dos investidores, o que está dificultado pela crise econômica.

As incubadoras de parques tecnológicos funcionam em outra rotação. Elas selecionam empresas para receber apoio por até dois anos, usando para isso os recursos das universidades às quais estão ligadas e captação de verbas de fomento à pesquisa.

O objetivo é oferecer um espaço para desenvolvimento de projetos de alunos das instituições e o retorno se dá pela via acadêmica, ou, em alguns casos, quando as incubadas evoluem para negócios estabelecidos e pagando aluguel dentro dos parques tecnológicos.

É um modelo menos influenciado pelo panorama econômico do momento.

Maurício Renner