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FISL13

FreeCAD: open source contra gigantes

Gláucia Kirch
// quarta, 25/07/2012 17:30

Ser uma alternativa a gigantes como Dassault, Siemens PLM e Autodesk, mas com base em software livre, é a aposta do FreeCAD.

Yorik van Havre. Foto: Baguete.


 O projeto  iniciou em 2002 com dois engenheiros alemães, utilizando o código do OpenCasCADe, e hoje chega a 100 usuários – numa estimativa conservadora – e mais de quatro milhões de linhas de código.

“Acreditamos que um dia conseguiremos competir com as soluções proprietárias”, prevê Yorik van Havre, um arquiteto belga, radicado em São Paulo, e que participa do há cinco anos.

As vantagens, segundo Havre, começam pelo valor.

“Hoje você precisa, para começar a trabalhar, pagar uma licença de US$ 3 mil. Isso é um absurdo!”, desabafa, durante palestra no Fisl13, em Porto Alegre.

Outros problema nas soluções proprietárias, diz Havre, é a impossibilidade do usuário de adicionar novas features no programa.

“Cada ano a gente tem que esperar o fabricante se coçar e aperfeiçoar, inclusive, os bugs já presentes na ferramenta lançada no ano anterior”, critica.

“No FreeCAD é diferente”, enfatiza o arquiteto.

Hoje, o ecossistema de desenvolvimento conta com 15 desenvolvedores, que fazem quatro alterações, em média, por dia. Os updates vão da correção de bugs à novos recursos.

As linguagens do FreeCAD são C++ e Python.

Segundo Havre, outras vantagens são a utilização de formatos abertos, o suporte projetos complexos e a possibilidade de utilizar objetos de naturezas diferentes – meshes, sólidos e curvas NURBS – num mesmo documento.

Além disso, o FreeCAD terá no futuro um módulo web e é completamente integrado com outras ferramentas de imagem livres, como o Blender, para animações 3D.

“Uma das minhas features preferidas é a de geometria constringida e o histórico”, acrescenta Havre.

Com esse recurso, certas marcações podem ser bloqueadas para evitar alterações futuras, mantendo a estrutura do projeto. E com o histórico, mudanças em módulos de base – como a planta baixa de um prédio – são recalculadas em etapas posteriores, como a modelagem das paredes por exemplo.

“Se eu redimensionar um cubo na base, toda a estrutura é recalculada”, resume o arquiteto.

Disponível para download no Sourceforge, o programa já foi usado pelo próprio Havre em plantas de prédios, mas ainda não chegou a assinar um projeto complexo.

“Como é livre, muitas coisas chegam gradualmente à interface, e isso pode desacelerar um pouco. Mas é bom que as coisas ocorram de forma mais gradual, para a maturidade do projeto”, finaliza.

Juntas, Siemens PLM, Dassault e Autodesk faturam alguns bilhões de dólares. Dá pra competir?

“Nós temos a força da comunidade por trás. Então, dá para ter uma ferramenta profissional sim”, finaliza Havre.

Gláucia Civa Kirch
COMENTÁRIOS ANTERIORES
Anônimo

postado em: 25/07/2012 - 18:08

US$ 3 mil não é tão ruim, dada a complexidade do software. Se houver uma alternativa mais barata ou gratuita, tanto melhor, mas não vai ser esse valor que vai inviabilizar uma empresa de engenharia ou de arquitetura.

Anônimo

postado em: 03/10/2012 - 10:23

O problema é que não afugenta uma empresa, afugenta o cara que saiu da faculdade e quer começar o próprio negócio, o mercado de projetos não é muito truculento como outros mas tirar um empréstimo para começar a própria empresa é começar o negocio já no vermelho, sem falar que se não der certo os bens do cara ficam congelados e tal, o melhor é aprender ferramentas open source que nunca negaram ajuda ao cara que está começando

Edimartin Martins

postado em: 12/09/2012 - 18:44

O grande problema hoje em dia é a pirataria. Empresas não comprar o software porque é muito caro. Imagina em um filme aonde vários computadores renderizam uma parte do filme. Para CADA computador você precisa pagar 3D pela licença do software.
O alto preço do software proprietário afugenta a pequena empresa.
Eu sou muito fân do software livre e do open-source. Eu uso Blender para 3D, free-cad para CAD, GIMP para tratamento de imagens, InkScape para desenho vetorial 2D, libre-office para texto e ubuntu para Sistema Operacional.
A única coisa ruim no linux é a instalação de programas, fora isso é um excelente sistema operacional.