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LICITAÇÃO MICROSOFT

Caixa: open source não foi satisfatório

Maurício Renner // terça, 26/06/2012 16:38

A Caixa Econômica Federal divulgou nesta terça-feira, 26, uma nota sobre a compra de R$ 112,09 milhões em produtos Microsoft na semana passada que pode ser vista como um balde de água fria para a comunidade do software livre.

Pinguim: "Pô, essa doeu". Foto: flickr.com/photos/beaglesnoop.


Em nota enviada ao Baguete Diário, o banco afirma que “apesar dos esforços da Caixa e dos fornecedores para suporte e consultoria, não foram alcançados resultados satisfatórios em inúmeros projetos estruturantes da plataforma baseada em soluções de software livre”.

Por isso, o banco optou por atualizar os produtos da plataforma Microsoft adotados nos anos 90 e que não eram atualizados desde 2000, afirma a nota.

“Há produtos de elevado nível crítico que estão fora de suporte do fabricante, e outros estão na iminência dessa condição, impondo um risco de segurança e continuidade de serviços”, justifica a Caixa.

O edital do do pregão 116/7066-2012 ganho pela carioca Allen envolvia a compra de milhares de licenças da suíte de escritório Office, do serviço de e-mail Exchange, sistemas operacionais para servidores, soluções de comunicação Lync, Sharepoint, bancos de dados SQL e um longo etc.

A compra despertou indignação na comunidade do software livre, que tem no banco estatal um dos seus grandes cases no país.

“Estamos assistindo estarrecidos a um caso em que o software livre gerou grande economia, que depois é gasta com aquisição de software proprietário”, afirma Ricardo Fritsch, coordenador geral da Associação Softwarelivre.org em um comunicado divulgado no site da entidade.

Rodolfo Gobbi, diretor-geral da 4Linux, empresa que presta serviços associados a softwares open source na Caixa, fez um post no blog da empresa comentando assunto no qual revela que a Caixa travou as iniciativas relacionadas ao tema.

De acordo com Gobbi, a 4Linux customizou uma distribuição Linux Debian e o correio eletrônico Expresso Livre para instalação no banco. Apesar de homologadas e premiadas internamente, ambas não foram implementadas em massa, afirma o empresário.

A Caixa frisa que a aquisição das licenças Microsoft não significa um abandono das iniciativas open source, que de acordo com a instituição já evitaram a aquisição de 62 mil licenças de sistema operacional proprietário.

Mas o banco também joga um balde de água fria nos que esperavam uma migração completa para código aberto: “Assim, a Caixa reafirma que acredita na convivência entre as soluções e plataformas, utilizando o software livre onde for possível, e o software proprietário onde for necessário”.

Confira a íntegra da nota da Caixa:

Prezado Maurício,

A Caixa Econômica Federal, alinhada à diretriz do Governo Federal de utilizar soluções com padrões abertos e sob licença pública, acredita no uso do software livre para prover serviços de TI nos níveis de qualidade, segurança e desempenho exigidos pelos negócios da empresa.

Estão em curso vários projetos baseados em software livre. Todos os projetos já implementados obtiveram sucesso e permanecem ativos, respondendo às necessidades corporativas. Com a utilização de soluções em software livre, a CAIXA evitou a aquisição de 62.000 licenças de sistema operacional proprietário. A CAIXA esclarece que não há orientação para a descontinuidade de qualquer projeto de substituição de sistema proprietário por sistema livre.

A CAIXA ressalta ainda que seu ambiente computacional foi estruturado na década de 90 sobre a plataforma de soluções Microsoft. A última atualização tecnológica dessa plataforma foi no ano 2000. Portanto, há produtos de elevado nível crítico que estão fora de suporte do fabricante, e outros estão na iminência dessa condição, impondo um risco de segurança e continuidade de serviços.

Apesar dos esforços da CAIXA e dos fornecedores para suporte e consultoria em software livre, não foram alcançados resultados satisfatórios em inúmeros projetos estruturantes da plataforma baseada em soluções de software livre. Isso implica na manutenção da infraestrutura de TI sobre a plataforma proprietária instalada.

Assim, a CAIXA reafirma que acredita na convivência entre as soluções e plataformas, utilizando o software livre onde for possível, e o software proprietário onde for necessário.

Assessoria de Imprensa da CAIXA

COMENTÁRIOS ANTERIORES
Ismael

postado em: 26/06/2012 - 21:39

"A CAIXA ressalta ainda que seu ambiente computacional foi estruturado na década de 90 sobre a plataforma de soluções Microsoft."

São as maravilhas de um produto do monopólio, você explica a necessidade usando o que deveria ser motivo de fugir dele: Estar preso a ele.

No mais, a nota é muito vaga(usaram a velha justificativa de segurança?), apropriada para evitar contestação.

Mas pelas tecnologias citadas, a maioria é na verdade requisição / imposição quando se escolhe uma.

Por exemplo, ninguém no mundo *escolhe* SQL Server, ele é um típico produto que vem no embalo dos de mais. Com a "justificativa" de "integrar melhor". Sim, integra melhor mesmo quando se escolhe produtos como o tal SharePoint que é fechadinho para funcionar com vantagens com outros produtos fechados do próprio fabricante.

Marcos Torres

postado em: 27/06/2012 - 09:57

Caro Ismael, realmente as empresas ficam presas a um software como o da Microsoft, pois ele funciona com tudo e de forma integrada. Não são necessárias gambiarras e há uma grande empresa e um contrato que respalda qualquer CIO com suporte. Essa é a mais pura realidade. Não estou dizendo que não existem softwares livres bons. Pelo contrário, tem muita coisa ótima, porém falta é profissionalização para este assunto sair da discussão acadêmica e penetrar na esfera corporativa em forma massiva.

Ismael

postado em: 27/06/2012 - 10:48

"há uma grande empresa e um contrato que respalda qualquer CIO com suporte."

Isso faz a diferença, mas fica impossível quando já na porta de entrada (o edital) se é barrado.

No mais, gostei muito do teu comentário, serve como demonstrativo do que se encontra de resistência, muito baseado em pura ideologia travestida de opinião técnica e a contra-propaganda que apesar de surrada ainda assusta alguns pela repetição:

-"gambiarras"

-"falta é profissionalização"

-"discussão acadêmica"

Lançam um amontoado de mitos antigos que acabam alimentando receios normais que CEOs e CTOs possuem em uma mudança grande dessas.

JottaElle

postado em: 28/06/2012 - 10:49

É uma boa prática de administração ter mais de um fornecedor com a finalidade de se evitar preços abusivos por parte dele. Várias indústrias trabalham desta forma, por exemplo, uma fábrica de carros conta com mais de um fornecedor de pneus para evitar que um único fornecedor estabeleça preços altos e desabastecimento. Então porque na indústria de TI não se age da mesma forma, tendo mais de um fornecedor, preferecialmente de serviços, exigindo padrões abertos, interoperabilidade, etc. Nessa estratégia o software livre se encaixa como uma luva, pois atende a esses requisitos. É ingenuidade depender de um monopólio como este. A CEF e o Estado, durante este tempo todo, poderiam ter investido mais no fomento da indústria de serviço de suporte em software livre, para que hoje pudesse ter mais empresas e indivíduos capazes de prestar um bom suporte.

Marco de Freitas

postado em: 28/06/2012 - 13:24

Talvez seja porque a "indústria de TI" ainda não chegou na Era Industrial. Tudo ainda é muito artesanal. Somente a industria de hardware segue padrões de se possa chamar de "industriais". De resto, é tudo a mesma reinvenção da mesma roda, apenas para revendê-la, de novo e de novo.

Daigo

postado em: 28/06/2012 - 12:21

"há uma grande empresa e um contrato que respalda qualquer CIO com suporte."
Perae, mas não era isso que a 4Linux estava fazendo? A quantos anos isso? Se não estava trazendo resultado satisfatório, porque não trocaram de prestador de serviço?

Marco de Freitas

postado em: 28/06/2012 - 13:21

Se a 4Linux não estava dando conta então por que não chamaram logo o SERPRO — que está suportando o maior banco de dados da América Latina, o DATASUS?

Christian

postado em: 28/06/2012 - 11:12

Argumentos fracos. Tenho quase certeza que a empresa de software livre foi podada. Muitos vezes já ouvi falar: "Uso Word porque o OpenOffice é complicado" e nem se dão ao trabalho de aprender. Aí a micro$oft muda toda a interface, esconde os menus e todo mundo acha bonito! E vão estudar pra aprender a usar o novo sistema. Mas chance pra software GRATUITO ninguém dá. Porque será, gestores? 10% é um bom dinheiro pra sua caixinha, né?

Arrais

postado em: 30/07/2012 - 15:16

A convivência pacifica entre varias plataformas é o que tem permeado os grandes Datacenters pelo mundo.
Interoperabilidade é o nome que reina, nem só a Cesár e nem só ao povo, utilizar o melhor do mundo livre e o melhor do mundo proprietário é o que qualquer CIO pode fazer de melhor para a sua empresa.
Retirando o lado filosófico conceitual da discussão, o que sobra é a técnica e a técnica suplanta todas as discussões encaloradas das rodas universitárias.
Mas o que ainda se pode ver é o puritanismo e pra não reacender as paixões e os xiitismos de ambos os lados, sejamos francos, o mercado carece de profissionais qualificados para o mercado de software livre e o suporte do mundo proprietário vende.
Temos e teremos por muito tempo o TI heterogeneo com ambas as plataformas interoperando de forma pacifica e com grande louvor.
Aos puritanos de ambos os lados só resta o lamento.

Tangerine

postado em: 31/07/2012 - 18:17

Parabéns Arrais!! Concordo com cada vírgula de seu comentário!

Zhu

postado em: 27/08/2013 - 14:33

Em tempos de NSA e de PRISM, com microsoft enviando dados de usuários ao governo norte-americano é bem antitético essa virada de mesa. Bom, na verdade não. País atrasado tem mais é que ser escravo de quem realmente produz inovação tecnológica.

Diego V

postado em: 27/08/2013 - 21:19

A CEF, uma instituição que despende milhões mas presta um serviço sofrível ao povo brasileiro, deveria exp?icar de que forma as suítes de escritório (OpenOffice, etc) de software livre deixaram a desejar em relação ao software proprietário adquirido. À parte de complicadas explicações técnicas que podem ser necessárias para justificar o abandono de outras tecnologias (SO, servidores de correio, etc) livres em detrimento das proprietárias, a explicação sobre a suíte de escritório é algo simples, compreensível até mesmo pelos usuários. O que a CEF não conseguiu fazer neste cenário que levou-a a gastar milhões em licenças, seja hoje ou amanhã, quando for preciso renovar eventuais licenças "doadas"?

A CEF e a Microsoft deveriam ainda explicar de que forma a segunda presenteou os funcionários da primeira com licenças do Office, cujo menor valor de mercado é R$ 179?, superior ao valor permitido pelo Governo Brasileiro para "brindes", conforme qualquer um podem se informar em

etica.planalto.gov.br/.../presente - "O brinde não pode ter valor superior a R$ 100,00." . Além disto "... não pode ser aceito brinde distribuído por uma mesma pessoa, empresa ou entidade a intervalos menores do que doze meses." Opa, tem coisa errada aí não é mesmo?

Candido V

postado em: 07/09/2013 - 20:03

Opa, sou empregado da CEF e não ganhei a minha licença do Office by Microsoft... Onde pega?

Welkson Renny de Medeiros

postado em: 20/11/2013 - 08:33

Uma otícia mais atual:
http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=35428&sid=16#.UoyPVmSc400