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LGBT

Microsoft na Parada Gay de São Paulo

Maurício Renner
// sexta, 27/05/2016 13:56

A Microsoft apoiará pela primeira vez a participação de funcionários da empresa na Parada LGBT de São Paulo, manifestação de rua mais conhecida como Parada Gay.

Parada Gay reuniu 2 milhões em São Paulo ano passado. Foto: divulgação.

Na sua vigésima edição, o evento acontece neste domingo, 29, e deve atrair milhares de pessoas para a região da avenida Paulista.

Em nota, a Microsoft informa que o grupo de funcionários da empresa irá se reunir a amigos, familiares e simpatizantes na luta contra o preconceito homofóbico e desfilar com camisetas e adereços com o slogan “Hello Pride”.

“É gratificante ver toda a mobilização interna para vestir a camisa da Microsoft na Parada. E esse impacto é visível em toda a empresa, trabalhamos para conduzir mudanças nas políticas e no ambiente de trabalho”, diz Jaciguara Shibao, diretora Estratégica e Negócios da Microsoft Brasil e líder do programa de Diversidade e Inclusão.

Além da participação na parada gay, a Microsoft também aderiu ao Fórum de Empresas e Direitos LGBT e seus Dez Compromissos, uma iniciativa que reúne mais de 29 grandes empresas que atuam no Brasil.

As signatárias do documento se comprometem a criar um ambiente que respeite os profissionais LGBT e que o local esteja aberto para debater o assunto. Na área de tecnologia, já participam SAP, Dell e IBM.

Cada vez mais abertamente,  grandes companhias do setor de tecnologia  estão repetindo por aqui o posicionamento pró-gays que já é quase uma regra nos Estados Unidos.

Em novembro do ano passado, por exemplo, a Dell foi a primeira empresa do segmento a patrocinar a parada gay em Porto Alegre, onde a companhia mantém um centro de desenvolvimento.

Assim como a Microsoft, SAP e HP, a Dell mantém um grupo de debates internos sobre o tema de direitos LGBT. A HP e SAP promoveram eventos abertos sobre o tema em seus centros no RIo Grande do Sul.

O novo posicionamento das multinacionais de TI é  uma novidade no país onde o setor de TI concentram seus esforços de lobby em torno de uma agenda muito mais estritamente setorial, em torno de temas como impostos ou formação de mão de obra.

Fora dessa pauta, as atividades mais comuns focam em responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, dois temas bem menos controversos no país do que o movimento LGBT.

A participação ainda está nos estágios iniciais se comparada com os Estados Unidos. A última parada gay de São Francisco contou com a participação de funcionários identificados da SAP, Salesforce, LinkedIn, Google, Facebook, Dropbox, Yahoo, Uber, Twitter e Apple.

Em abril, 70 altos executivos de empresas de TI americanas assinaram uma carta aberta pedindo ao governo americano para aumentar as proteções legais para a população LGBT no país, após o estado de Indiana aprovar uma lei que permite a estabelecimentos comerciais negarem serviço a homossexuais por motivos religiosos.

Assinaram o documento nomes como Marc Benioff (Salesforce), Dick Costolo (Twitter), John Donahoe (Ebay), Charles Phillips (Infor), Satya Nadella (Microsoft) e Gary Moore (Cisco). 

O argumento das empresas de TI por pressionar por leis garantindo direitos iguais para os gays é que elas favoreceriam a atração de talentos. 

Também é verdade que a maioria dessas companhias tem sede na área de São Francisco, tida como a cidade mais liberal dos Estados Unidos, ou em regiões com uma orientação ideológica parecida, o que torna direitos gays uma bandeira de responsabilidade social corporativa de pouco risco.

Maurício Renner