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D'Ale fica com crowdfunding?

Guilherme Neves // quarta-feira, 25/01/2012 10:30

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Na noite desta quarta-feira, 25, no Beira Rio, todos os olhos estarão voltados para Andrés D'Alessandro, craque argentino do Internacional atualmente assediado por uma proposta milionária do futebol chinês.

D'Alessandro - Site do Inter

E se a torcida do Inter pudesse colocar a mão no bolso para manter o camisa 10 colorado em Porto Alegre?

Explorar esse tipo de mobilização é a proposta do Clube.me, um site gaúcho que quer colocar o conceito de crowdfunding para funcionar dentro do mundo do futebol.

Os críticos vão torcer o nariz, lembrando do fracasso da campanha Fica Jardel, com a qual em meados dos anos 90 o Grêmio tentou e não conseguiu manter na cidade o atacante, que acabou vendido para o português Porto.

Mas Marcos Gabardo, diretor administrativo e cofundador da startup gaúcha, diz que dessa vez é diferente:

“Naquela época, a contribuição do torcedor ia pro clube e já era, independente de a negociação dar  certo. Era que nem imposto. A gente paga e não sabe pra onde vai. Agora, se não vingar, dinheiro volta pro torcedor”, explica o empreendedor.

Seu dinheiro de volta
Lançado em dezembro em fase beta, o Clube.me tem hoje 12 propostas em avaliação pelos usuários, entre elas, a do argentino colorado.

Os projetos ingressam no site de duas formas: propostos pelo próprio clube ou pelos torcedores.

No primeiro caso, eles vão direto para a etapa do financiamento, aberto para contribuições da torcida, apartir de R$ 10. Já os que partem dos usuários, precisam, primeiro, passar por um teste de adesão na própria página.

Uma vez que tenham massa suficiente para dar certo, o Clube.me leva o projeto ao time, como proposta de financiamento. Se der certo, a campanha entra na página, angariando fundos.

Daí em diante, a operação é como em outros sites de crowdfunding.

Um valor deve atingido em um determinado tempo. Caso seja bem-sucedido, o recurso é empregado no projeto. Ainda há o riso, no entanto, de a negociação com o jogador não dar certo.

“Se isso acontecer, o usuário pode pegar o dinheiro de volta, ou reverter em créditos para aplicar em outra proposta”, enfatiza Gabbardo.

Golaço de R$ 2 bi?
A ideia surgiu ao longo de 2011, à medida que o crowdfunding nascia no Brasil, com startups como Catarse, ComeçaAki e Incentivador – focados em projetos sociais, inovação e arte, segmentos “saturados” na opinião de Gabbardo.

“Queríamos entrar num segmento diferente e num brainstorm surgiu a ideia do futebol”, disse o empreendedor.

O chute foi na direção certa. Uma análise dos balanços de 25 clubes – 17 deles da Primeira Divisão – em 2010 apontou que  as receitas atingiram R$ 1,88 bilhão nesse ano, aumento de 14% sobre os R$ 1,65 bilhão de 2009.

Atrás do 12º em campo
Dinheiro tem, terá apoio popular?

“Sabemos que o torcedor é meio de lua. Se o clube tá bem, dá dinheiro. Se tá mal, fecha a mão. Por isso sabemos que não é uma solução para saída de crise, e vai depender bastante do esforço de marketing dos próprios clubes”, enfatiza o empresário.

Talvez por isso, os primeiros projetos com a participação dos clubes girarão em torno de R$ 500 mil a R$ 1 milhão. Dois deverão entrar na página em maio, fruto dos contatos travados pelo Clube.me.

“Desde novembro estamos reunindo com os clubes, empresários e pessoas do meio”, diz Gabbardo.

Inicialmente, as conversas em torno do que é o crowdfunding. Uma vez que compraram a ideia, diz o empreendedor, os clubes queriam inclusive comprar a plataforma.

Gabbardo narra as táticas para driblar essa fase:“Tivemos que dizer que isso seria só mais uma iniciativa interna, não teria tanta visibilidade, nem mexeria com os ânimos da torcida”.

Pisada na bola?
A ideia deu certo, tanto que o Corinthians lançou, em janeiro, uma campanha de crowdfunding para tentar trazer o volante Cristian do Fenerbahce, na Turquia. Tinha tudo pra dar certo: o clube tem 3 milhões de fãs em redes sociais, sendo 1,2 milhões no Facebook.

Dados do Ibope ainda indicaram, em outubro de 2011, que o clube tinha 13 milhões de torcedores, ou 13% dos fãs de futebol no Brasil. O líder é seguido pelo Flamengo, com 8% da preferência.

Apesar dos prós, o projeto não vingou, e o jogador segue longe do clube.

Gordura pra queimar
“Sabemos que vai ser um desafio, mas estamos prontos pra aguentar até um ano sem projetos de sucesso”, comenta Gabbardo, administrador que banca o Clube.me sem aportes de terceiros com os dois sócios, os irmãos Marcos e Tiago Peruzzo, ambos da área técnica.

A meta, no entanto, é fechar 2012 com pelo menos cinco projetos bem sucedidos, entro dos R$ 500 mil a R$ 1 milhão dos dois já em fase de contratação. A margem que irá dessas propostas deve girar em, no máximo, 5% – R$ 25 mil, para o montante mínimo esperado.

Até agora, os contatos do Clube.me envolvem times do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“Mas estamos otimistas, outros clubes têm apostado no mesmo modelo”, diz, em relação ao São Paulo, que quer repatriar Nilmar da Espanha também com a ajuda da torcida, também com um projeto independente do Clube.me.

COMENTÁRIOS
João Saldanha

postado em: qui, 26/01/2012 - 17:37

Márcio,

acredito que essa idéia seria mais benéfica que ser sócio por 2 motivos: o primeiro é que você sabe para onde estaria indo todo o dinheiro, e o segundo é que daria a possibilidade do torcedor realmente decidir...

se por exemplo não quer um jogador, a torcida não apóia e ele não vem.... esse tipo de coisa deixa muito mais transparente as coisas... diferente da realidade...

Márcio

postado em: qui, 26/01/2012 - 06:15

Até parece né... por a minha mão no bolso, tirar da minha família para pagar um salário milionário pra um jogador.

Me polpem!

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