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Canela quer centro tecnológico

Guilherme Neves // quinta-feira, 01/09/2011 15:52

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O município de Canela, a 123 quilômetros de Porto Alegre, quer criar um centro tecnológico na cidade.

Canela Digital, Centro Tecnológico, oportunidades, parque das Hortências, Paláci

Cidade de Canela quer usar tecnologia para fortalecer competências locais

A iniciativa integra projeto de lei que deverá ser publicado até o final do ano, criando um centro empresarial na área de 91,2 mil metros quadrados onde hoje está localizado o parque do Palácio das Hortências, área em uso pelo executivo gaúcho desde os anos 1950.

O investimento é calculado em R$ 70 milhões e as obras devem se iniciar em meados de 2012.


Foco no turismo
Entre escritórios, SPA, hotel-escola, restaurantes e um Museu da Música, uma área de cerca de 5 mil metros quadrados – dentro de uma torre de oito pisos – deverá ser dedicada à tecnologia, com foco no perfil econômico da região.

Hoje, cerca de 60% do PIB do município – que foi de R$ 341,7 milhões em 2008, segundo o IBGE – vem dos serviços relacionados a viagens e lazer.

“É turismo, mesmo”, resume o secretário do turismo da cidade, Sérgio Santos.

São 65 hotéis e pousadas e aproximadamente 15 atrações turísticas na cidade que chega a receber 3 milhões de viajantes por ano (76 vezes a população atual, de quase 40 mil habitantes), sendo que 33% desse volume circula na região entre novembro e janeiro – época de maior fluxo.

Números que dão mais peso à importância do projeto específico para inovação e tecnologia.

“Precisamos nos fortalecer, e muitas empresas não têm ferramentas tecnológicas próprias para tocar seus negócios”, completa Santos.

Informes em LCD
O leque de possibilidades é grande, indo de empresas que produzam ERPs para os setores de hospedagem, passando por desenvolvedores de aplicações para dispositivos móveis focados nas atrações locais e os criadores de conteúdos para informes turísticos.

Da multidão que passa pela cidade anualmente, a maioria parte da Região Metropolitana gaúcha, mas também há visitantes de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Muitos, na opinião de Santos, consumidores habituados à tecnologia. Para atender a esse público, telas de LCD com menus interativos, por exemplo, recebem destaque especial nos planos do secretário.

“Os museus e parques precisam desse tipo de estrutura tecnológica para apresentar suas atrações para o mundo”, diz Souza.

Segundo Maurênio Stortti, da M. Stortti Consulting, responsável pelos estudos de viabilidade econômica e pelo projeto, o centro visa a entregar aos investidores da área de tecnologia, e outros setores, uma infraestrutura comum e atraente.

“Eles querem ter massa crítica para fomentar os negócios na região”, explica o consultor, cuja empresa também está por trás do projeto do novo Cais do Porto de Porto Alegre.

Upgrade nas Hortênsias
O projeto que inclui o centro tecnológico vai modernizar uma área em uso pelo executivo gaúcho desde a década de 1950.

No decênio anterior, o interventor federal – como era chamado o governador à época – Osvaldo Cordeiro de Farias, já costumava fazer da cidade de Canela sua residência de verão. Eram tempos de aquecimento econômico graças à industrialização da madeira.

Canela tinha hotéis e até um Cassino, atraindo turistas e autoridades.

Assim, em 17 de abril de 1954, foi inaugurado o Palácio das Hortênsias, uma construção de madeira destinada a hospedar o governador, em uso até o dia de hoje.

O terreno nos arredores da avenida José Luiz Correa Pinto, no entanto, está vazio, tendo sido doado oficialmente ao município no ano passado.

Canela digital
Essa não é a primeira investida digital de Canela.

No dia 01 de março, a cidade foi eleita modelo de Cidade Digital para o Brasil, graças ao projeto que criou uma rede de fibra ótica redundante com 1 Gbps que, no longo prazo, deverá conectar todos os pontos turísticos da cidade.

Hoje, prefeitura, quatro secretarias, a câmara de vereadores e uma escola na região central da cidade estão interligadas pelo anel óptico que custou R$ 80 mil à prefeitura municipal.

Além do acesso em locais públicos, o sinal poderá ser, no futuro, aberto à população.

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