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Entidades de TI gaúcha contra 40 horas

Juliana Franzon // terça-feira, 04/05/2010 14:36

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Principal reivindicação dos sindicatos de todo o país, a PEC 231 - projeto de emenda que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários, além do pagamento de 75% sobre a hora extra trabalhada - tem gerado polêmica nas entidades representativas da TI gaúcha.

O Seprorgs, por exemplo, argumenta que a redução irá onerar diretamente o setor produtivo, ocasionando encarecimento da mão de obra, menor geração de empregos e possíveis demissões.

Para o presidente da entidade, Edgar Serrano, a medida encarecerá o custo da produção nacional, o que irá afastar os investimentos no Brasil.

“O país nem começou a decolar e já quer ter leis da Europa. Deveríamos nos preocupar em alcançar uma qualidade de vida de primeiro mundo e acabar com a miséria. Talvez aí seja o momento de pensar em reduzir a jornada”, argumenta o presidente.

Segundo ele, a redução pode até não fazer diferença para as grandes empresas, mas terá conseqüências paras as MPE’s, e são estas que geram 90% dos empregos no país.   

Por estas razões, desde o ano passado o Seprorgs tem realizado, em parceria com a Fecomércio, ações que visam impedir a modificação da lei trabalhista.

As entidades têm argumentado junto ao presidente da câmara dos deputados, Michel Temer, e também dentro da bancada gaúcha.

“Estamos tentando mostrar que a redução será um completo desastre e que não passa de um argumento eleitoreiro. Os únicos beneficiados disso tudo serão os países europeus, que impedirão nosso crescimento”, protesta Serrano.

No mesmo sentido, o presidente da Federasul, José Paulo Dornelles Cairoli, acredita que o resultado da aprovação da PEC será o desemprego e a informalidade para muitos brasileiros a quem ela supostamente iria beneficiar.

“Se o governo não tem condições políticas de realizar uma reforma trabalhista, que estimule a formalização dos trabalhadores, especialmente em um ano eleitoral. Ou ao menos evite adotar tal medida que não contribui em nada para a expansão dos empregos formais no país”, sugere Cairoli.

Assespro-RS prepara mobilização
Iniciativa semelhante a do Seprorgs tem sido desenvolvida pela Assespro-RS: a associação tem procurado as principais lideranças políticas do estado e do governo federal para expor o posicionamento do setor empresarial de TI, que vem a ser contrário à redução da jornada.

“Estamos em contato com outras entidades de classe e com a Assespro nacional, organizando uma mobilização maior a ser realizada em Brasília caso a PEC avance no congresso nacional”, revela o vice-presidente da Assespro-RS, Reges Bronzatti.

Para a associação gaúcha, a redução tornaria o setor de TI ainda menos competitiva na produção de software em relação a outros países da América Latina, como Colômbia, Chile, Argentina e Paraguai.

“Hoje já é mais barato contratar mão de obra para desenvolvimento de software no leste europeu do que no Brasil. O que o mercado não percebe é que a resposta a isso será transferir a execução de projetos de software e serviços relacionados para outros países”, explica Bronzatti.

De acordo com ele, os serviços de software permitem a movimentação rápida de projetos entre países, característica que os governantes parecem não entender.

O vice-presidente ainda defende que o setor de software tenha uma legislação especial que promova o setor e permita contratar mais mão-de-obra local, fazendo com que a renda permaneça no estado contratante.

Softsul ainda não tem posição oficial
Na Softsul, o tema da redução da jornada de trabalho ainda não foi tratado de forma definitiva pelo seu conselho empresarial. Entretanto, a entidade informa que acompanhará as posições que forem adotadas pelo CETI – Conselho das Entidades de TI do RS.

“Ainda não temos uma posição oficial, mas consideramos que um dos pontos mais importantes é a disponibilidade de mão-de-obra qualificada: já há uma grande carência que tende a ser agravada com a redução da jornada”, alega o diretor-presidente da Softsul, José Antonio Antonioni.

Outra questão que a entidadel coloca é que a aprovação da PEC 231, com o conseqüente pagamento de horas adicionais, elevaria os custos dos projetos no Brasil, reduzindo a competitividade.

“As empresas brasileiras seriam prejudicadas frente às estrangeiras que atuam comercialmente no país mas com desenvolvimento no modelo offshore, utilizando equipes localizadas em outros países, como a Índia, onde o custo da mão de obras é muito menor que o daqui”, conclui.

Redução pode prejudicar trabalhador
Enquanto a maioria dos empresários vê na redução de horas uma redução de vagas, os empregados vêem a geração de mais empregos, além da melhoria da qualidade de vida pelo fato de passar mais tempo com a família.

No entanto, o especialista Pedro Lessi, do escritório Lessi e Advogados Associados, questiona a ideia de que a redução da jornada de trabalho possa ser benéfica aos trabalhadores.

“Além de comprometer a competitividade, a redução na carga horária poderia até reduzir os níveis de produção, as exportações e provocar o aumento de preços em numerosos produtos, como bens de consumo e serviços”, alerta Lessi.

O especialista ainda lembra que acordos ou convenções coletivas já garantem a várias categorias profissionais jornadas inferiores a 44 horas semanais, faltando estabelecer uma compensação tributária.

“Os sindicatos acreditam que a aprovação da emenda geraria mais de 2 milhões empregos, mas não explica como foi calculado esse aumento, qual a base desses dados”, finaliza Lessi.

COMENTÁRIOS
Ander

postado em: qui, 06/05/2010 - 16:56

O que as pessoas nao entendem é o conceito de ócio criativo. Estamos muito atrasados mentalmente com as coisas do dia a dia. É ótimo voc epoder desfrutar de outras atividades, sem deixar de lado o seu trabalho, perfeitamente conciliavel. Enquanto isso, dormem o sono eterno dia apos dia.

Anônimo

postado em: qui, 06/05/2010 - 16:43

Engraçado... a impressão que tenho é que a maior parte do mercado de TI já trabalha como PJ há muito tempo... As empresas já evitam bastante gastos com essa "política"... Que parem de se fazer de coitados né.

Anônimo

postado em: qui, 06/05/2010 - 14:26

Em resumo, acho lamentável esse pensamento focado em horas, quando tudo que se fala em termos de gestão é que qualidade de vida aumenta a produtividade.

J.S.

postado em: qua, 05/05/2010 - 21:37

oi, na minha opniao, os comentarios desse artigo so refletem um lado da coisa.
Estao comparando os profissionais da TI com os que fabricam calçados!
A atividade criativa é melhor desempenhada em 40 horas.
Ja trabalhei em empresas de 40 horas e eh uma coisa completamente diferente, voce pode ir ao trabalho sem correria (nao passa pelo congestionamento), alem de ter mais dempo sobrando para descansar ou estudar, o que eh muito importante na area da TI.
Empresas que fazem funcionarios trabalharem 12 horas por dia, deviam contratar mais funcionarios e nao ficarem caindo como vampiros sobre os seus proprios funcionarios.
Essa lei vem para ajudar a todos, os funcionarios e as empresas.
os ganhos sao sobre todas as areas.

PJ

postado em: qua, 05/05/2010 - 15:03

Ainda bem que os trabalhadores estão bem assistidos pelo SindPPD ! UFA !

Anônimo

postado em: qua, 05/05/2010 - 13:20

Vamos ao exemplo de vida real, eu trabalhava em uma empresa 40 horas semanais não achava ruim nem bom ia levando, mudei de empresa e tenho que cumprir 44 horas semanais só então fui descobrir que estava no céu, 44 horas é muitoo ruim tenho que levantar mais cedo e sair mais tarde por estar cursando faculdade tenho que compensar na hora do almoço é raro quando posso comer com calma sem ter que sair correndo para bater o ponto, pois tenho que sair 17:30 para chegar a tempo na aula e muitas vezes ainda chego atrasado, posso garantir que estou rendendo de 30 a 40% menos que se tive-se que cumprir 40 horas semanais, e convenhamos os empresários estão fazendo boquinha por causa de 4 horas, preferem um profissional cansado e indisposto que cumpra 44 horas ou preferem um profissional bem disposto cheio de vontade que trabalhe 40 horas, se colocar na ponta lo lápis quem trabalha 44 horas se dedica menos tempo ao trabalho, e com toda a certeza quem trabalha 40 horas tera muito mais vontade de ficar e fazer hora extra quando a empresa precisar do que quem já trabalha 44 horas. Os empresário tem que parar de pensar só nos números e pensar no bem estar de quem faz a empresa dar lucro, qualidade de vida = a qualidade no trabalho, e produção é diretamente ligada a disposição de trabalho, o modelo bate ponto cumpra tal horário não funciona com TI, os profissionais tem que estar preocupado em cumprir prazos não horários tolos e desnecessários.

Cristina Lima

postado em: qua, 05/05/2010 - 13:05

Concordo com os demais comentários.
Mas o que mais acho engraçado é que ninguém se importa com a opinião dos trabalhadores de TI, ninguém vem questionar o que eles acham.
Só quem se pronuncia são as entidades que representam as empresas, o que é muito oportuno para estas, ficando injusto para os trabalhadores que são realmente as pessoas atingidas.

Cristina Lima

postado em: qua, 05/05/2010 - 13:03

Concordo com os demais comentários.
Mas o que mais acho engraçado é que ninguém se importa com a opinião dos trabalhadores de TI, ninguém vem questionar o que eles acham.
Só quem se pronuncia são as entidades que representam as empresas, o que é muito oportuno para estas, ficando injusto para os trabalhadores que são realmente as pessoas atingidas.

Juarez Poletto

postado em: qua, 05/05/2010 - 11:51

Pessoal:
O vilão dessa história é o governo que adora fazer esmola com o chapéu dos outros. Economicamente falando, reduz-se a jornada sem redução de salário e quem paga a conta?
Vamos falar sério, se algum de nós(hoje eu sou empregado) estivesse na posição de empregador iria se posicionar diferente?

Querem resolver o problema? Vamos discutir seriamente a CLT, que data dos anos 30 e tira a competitividade do Brasil em todos os setores. Enquanto isso o Chile desponta como pólo de tecnologia.

Anônimo

postado em: qua, 05/05/2010 - 09:00

Cadê o SindPPD? Este sindicato inutil nao nos defende. Ele nao faz nada! So sabe tirar o nosso dinheiro!

Anônimo

postado em: qua, 05/05/2010 - 08:41

Os empresários não falam que um funcionário de TI trabalha em média 12hs por dia ? estão pensando apenas no bolso

Alberto

postado em: qua, 05/05/2010 - 08:25

O resultado desta matéria é tão previsivel que se torna desnecessário qualquer comentário mais apaixonado. Quando algum empresário foi a favor de redução de jornada de trabalho? Mesmo discurso de quando a jornada era 48 horas semanais ( alias, se dependesse apenas das associações de empresas, que certamente representam o pensamento da grande maioria ainda estariamos no século passado, quando a jornada era absurda ). Concordo com tudo que foi falado acima....precisamos de horas para o laser, descanso, capacitação...Algumas empresas que já trabalham 40 horas semanais estao competindo normalmente, pois possuem pessoas capacitadas, podendo desfrutar com equilibrio de uma vida social.

Jonas Seelig

postado em: qua, 05/05/2010 - 07:45

Nossa! Visando defender os pobres profissionais de TI contra a migração da oferta de trabalho para o Leste Europeu? O pessoal "se puxa" nos discursos objetivando interesses alheios aos da categoria que deveria defender.
Em tempo: empresa esperta sabe que função intelectual se exerce quando muito durante 6 horas por dia, o resto do tempo é só -> enrolação <- diminuam custos por aqui!

Claudio Kinzel

postado em: ter, 04/05/2010 - 23:13

Esta é a típica visão de quem não compreende a natureza de processos criativos, como os utilizados na área de TI. 44 horas é jornada de país subdesenvolvido. Na Europa, bem como em outros lugares civilizados, já se trabalha 28, 32 ou 36 horas. Domenico de Masi, sociólogo italiano, tem sua tese do ócio criativo fundamentada na redução da jornada como forma de diminuir o desemprego. A pergunto que fica é: afinal, o Brasil quer se tornar um lugar decente de se viver e trabalhar ou competir com China, Índia e outros lugares cuja exploração de mão-de-obra e produtos/serviços de qualidade duvidosa são as únicas coisas a oferecer?

TIo Patinhas

postado em: ter, 04/05/2010 - 22:16

O correto seria passar logo a jornada da TI para 60 horas semanais, visando oficializar de uma vez por todas o que acontece de forma oficiosa, ou melhor, na prática...

Quantos não são os profissionais de TI que trabalham, em média, 12 horas por dia???

Anônimo

postado em: ter, 04/05/2010 - 22:07

Visão pequena e retrograda, principalmente para a área de TI. Os "empresários", só falam em apagão de "mão de obra qualificada", mas não pensam que pra se qualificar, 4 horas a mais por semana pode fazer toda a diferença! Não lêem as pesquisas que mostram que os trabalhadores de 40 horas rendem muito mais dos que os de 44, e ainda mais em atividades tão ligadas a atividade cerebral como as da área de TI. Aliás, mais horas de descanso é um dos itens de "melhor Qualidade de vida".

Anônimo

postado em: ter, 04/05/2010 - 21:53

Os argumentos apresentados pelas entidades não convencem. Grande dos "colaboradores" já atuam de forma ILEGAL no mercado. São contratados como PJ mas na verdade são empregados como qualquer CLT. No entanto na ilegalidade os lucros estão garantidos com margem muito positivas se compararmos a outros mercados.
Outro fator é que já há grandes e pequenas empresas trabalhando 40 horas semanais sem prejuízo, e são empresas altamente competitivas.

jacinto pena

postado em: ter, 04/05/2010 - 17:24

O lucro fácil aliado ao voraz apetite do empresariado é naturalmente contra a qualquer benefício ao trabalhador de TI que hoje é prostituido e na maioria das vezes lesado em seus direitos trabalhistas. As opiniões das entidades de classe empresariais não se preocupam em nenhum momento em preservar a integridade do trabalhador e o seu bem estar social.

Anônimo

postado em: ter, 04/05/2010 - 17:23

Ok, quando o mercado melhorar, as entidades ira repassar os lucros ? Auemntar salarios ? Parar de negociar em cima de PJ ? Retornar alguma coisa do que nao abrem mao agora ?

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