Juliana Franzon // sexta-feira, 05/03/2010 14:52
Um protesto realizado na manhã desta sexta-feira, 05, encabeçado por estudantes da Ufrgs, conseguiu adiar a votação do projeto de criação do parque tecnológico da universidade, que seria votado pelo Conselho Universitário, órgão máximo de deliberação da instituição.
O parque servirá de incubadora comercial e tecnológica, beneficiando, sobretudo, empreendimentos para o agronegócio e biotecnologia, com previsão também para o setor de TI.
De acordo com o reitor da Ufrgs, Carlos Alexandre Netto, o projeto não será retirado da pauta de votação, que será apenas adiada.
“Os manifestantes contra o parque são minoria. Remarcaremos a votação porque o papel da universidade é incentivar a inovação e os projetos tecnológicos”, declarou.
As negociações com os estudantes adiaram a votação para entre 30 a 60 dias, segundo informações de Juliane Furno, estudante de ciência sociais e integrante do Grupo de Trabalho Universidade Popular, um dos principais coletivos que compõem a mobilização contra o Parque.
“Dentro desse prazo iremos votar o mérito do projeto, se queremos ou não o parque. Se for aprovado, nos próximos quatro meses partiremos para a discussão da estrutura do empreendimento”, explica Juliane.
Antes do cancelamento, manifestantes divididos entre contra e a favor da criação do parque protestavam em frente à reitoria.
Cerca de 100 estudantes contrários ao projeto, estavam acampados no local desde a tarde de quinta-feira, 04, para pedir o cancelamento da votação.
Somaram-se à mobilização dos opositores as mulheres da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, da Intersindical e do Levante da Juventude, que desde a última quarta-feira, 03, estavam acampadas no Parque da Harmonia em mobilizações ligadas ao Dia da Mulher.
Para Newton Braga Rosa, professor da Ufrgs e diretor do InovaPOA - Agência de Inovação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Porto Alegre, o parque irá incentivar a pesquisa e permitir aos alunos a aproximação com o mercado de trabalho.
“Vejo como uma forma de os alunos conhecerem, ainda na universidade, o mercado de trabalho, situação que todos, mais cedo ou mais tarde, irão vivenciar. E quanto mais cedo isso acontecer, melhor”, enfatiza Braga Rosa.
Em nota publicada no início da tarde, o Diretório Central de Estudantes da Ufrgs diz ser favorável à implantação do projeto, por entender que irá fomentar a riqueza, emprego e novas conhecimentos para a universidade, alunos e sociedade.
“O DCE lamenta profundamente os fatos ocorridos na manhã de hoje no campus central da universidade em que uma minoria impediu que ocorresse a votação do projeto de implantação do Pólo Tecnológico”, consta na nota do diretório.
Considerada como a primeira da história da universidade a ser ocupada por um grupo de direita, a atual gestão do DCE é composta por estudantes ligados a partidos como DEM, PP, PMDB, PSDB e PDT.
Com o lema “Um DCE para os estudantes, não para os militantes”, o grupo derrotou as outras 3 chapas, formadas por militantes do PSOL, PT e PCdoB, e PSTU, em novembro passado.
A polêmica do parque
Os estudantes, que possuem 15% de poder de decisão no Conselho Universitário – dos 77 membros do conselho, sete são universitários – mesmo percentual dos funcionários, afirmam que o projeto não previa a participação dos segmentos da comunidade universitária — professores, servidores e estudantes — ou de setores importantes da sociedade civil, como institutos de pesquisa científica e entidades representativas como conselhos profissionais, sindicatos e associações.
Outra questão é o objetivo da proposta que, segundo os manifestantes, consiste na transferência de conhecimentos públicos, produzidos na universidade, para empresas privadas que, através da livre concorrência, terão sede nesse parque.
Na opinião de Braga Rosa, é preciso avaliar que um parque tecnológico abriga tanto empresas emergentes como os departamentos de grandes companhias.
“Quanto ao primeiro grupo, não vejo problemas, penso que oferece as condições ideais para que os alunos apliquem os conhecimentos e desenvolvam projetos. E quanto ao segundo, cada vez mais as universidades procuram as grandes companhias para suprir a falta de campo de aplicação tecnológica”, analisa Rosa.
Além disso, alegam a ausência de licenciamento ambiental e o fato de que pelo menos 40 empresas do ramo do agronegócio já estão cadastradas para o processo de incubação, entre elas, a empresa Bunge, que produz agrotóxicos.
“Queremos que o parque sirva para atender às demandas da sociedade, ao invés de comportar grandes empresas que já estão estabelecidas no mercado. Não queremos estas companhias no parque. Propomos a inclusão de cooperativas, empresas menores, e principalmente, que sejam úteis ao desenvolvimento e comprometidas com a saúde”, argumenta Juliane.
Completa o protesto o argumento de que os estudantes servirão de mão-de-obra utilizada a baixo custo para produção de ciência e tecnologia, que serão patenteadas pela iniciativa privada.
“Defendemos que a patente fique nas mãos da universidade e que os dados pesquisados pelos alunos sejam públicos e não de domínio exclusivo das empresas”, finaliza a estudante.
Parque deverá ocupar 1/3 do campus
O projeto prevê que o parque tecnológico ocupe 1/3 do Campus do Vale, o qual possui área total de 6,5 milhões de m2, e irá abrigar empresas incubadas pelas unidades acadêmicas da universidade.
Para se ter uma ideia da dimensão, o Parque Tecnológico da Unisinos ocupa uma área de 140 mil m2 do campus localizado em São Leopoldo, enquanto que o Tecnopuc, da PUC-RS, ocupa 50 mil m2 do campus central da instituição.
Comentário no Quentinhas
Os radicais do Campus do Vale são hábeis em manipular “fantasmas da ditadura” para obter uma “uma influência que não condiz com sua representatividade”.
É o que opina o editor do Baguete Diário, Maurício Renner, que em post no blog Quentinhas lamentou que os manifestantes tenham conseguido atrasar o processo de implantação do Parque Tecnológico da Ufrgs.
Confira a opinião do jornalista pelo link relacionado abaixo.
postado em: qui, 18/03/2010 - 15:31
Ah, é claro, eu tinha esquecido. O Ministério Público e o Tribunal de Contas só têm corruptos e vigaristas. Não dá mesmo para confiar em ninguém lá. A Via Campesina sim é que tem gente honesta e preparada, e por isso eles é que devem decidir o que fazer no Pólo Tecnológico...Albânia Air, reserva lugar pra mais um...
Provérbio Gaúcho: \"cachorro que engole osso, tem confiança no pescoço\". (Não tenho a mínima ideia de como isso se aplica ao que estamos falando, mas provérbio besta por provérbio besta, prefiro os nossos).
postado em: qui, 18/03/2010 - 09:42
Me desculpe Renato, mas em um pais em que vídeos e documentos reais de suborno e corrupção aparecem mensalmente sobre grupos de indivíduos pertencentes aos três poderes, deixar ir ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas é mais ou menos como amarrar cachorro com linguiça. Deixar ir para arrumar depois?
Novamente reintero que não temos condições de dizer quem esta certo ou errado neste evento. Será que são baderneiros querendo viver em um modelo como o comunismo, que quando levado a prática torna-se caquético? Ou serão os únicos que já perceberam a má intenção mascarada e frequente em gerar meios de irriquecimento ilícito? Ou ainda, serão todos mal intencionados, em que cada lado pensa em proveito próprio, ignorando a sociedade e o bem comum?
Não sei ao certo, pois não averiguei as regras desta obra faraônica. E por isto não posso tomar um dos lados como certo, apenas observar e aguardar que estes movimentos \"baderneiros\" como alguns se referem, sirvam para esclarecer melhor os direitos e deveres dos orgãos publicos e privados e que as massas possam se esclarecer antes de tomar partido.
Provérbio Árabe: Um exército de ovelhas liderado por um leão derrotaria um exército de leões liderado por uma ovelha.
postado em: qua, 17/03/2010 - 21:23
Sim, Giordano, atrapalha, e muito. No mundo moderno, Democracia não pode ser plebiscitária, como a ateniense da Grécia antiga, que era feita aos berros em praça pública, mas representativa, onde grupos organizados elegem representantes para, através dos canais legalmente constituídos, levar sua voz e seu voto, prevalecendo a vontade da maioria.
Mas quando grupelhos sem qualquer representatividade ou legitimidade tentam impedir os processos decisórios regulares à força, em nome do direito de expressão, já não temos mais Democracia, e sim vandalismo.
Ceder a estes grupos não é ser democrático e tolerante, e sim demagogo e incompetente. O que, afinal, aquela escumalha da Via Campesina tem a ver com a UFRGS? O Conselho da universidade possui representantes eleitos dos professores, dos estudantes, dos funcionários, do Governo e da sociedade civil, e são estes que têm de decidir, em um processo legal e transparente, prestando contas à sociedade.
Tem suspeita de coisa errada? Para analisar isso é existem o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Finalmente, se alguém, em pleno Século XXI, ainda acha conceitualmente errado uma universidade pública investir em parcerias com o setor privado, que me desculpe, mas acho que perdeu o voo para a Albânia...
postado em: qua, 17/03/2010 - 20:32
Certamente que, assim como a PUC tem a Tecnopuc e a Unisinos tem seu pólo, a UFRGS precisa de um pólo tecnológico. Agora, a questão é: pra quê um empreendimento inicial desse tamanho? Vai ter dinheiro público no meio da jogada? Cheira a desvio de verbas. Para o pólo sair, as empresas privadas interessadas é que deveriam arcar com todas as despesas. Não ficou claro o modelo que será seguido mas espero que seja assim.
Renato da Veiga disse: \"Democracia e tolerância é bom, mas demais, atrapalha.\"
Democracia demais atrapalha? Achei uma declaração meio infeliz.
postado em: qua, 10/03/2010 - 21:02
Por que o site da ASSUFRGS não tentou explicar o que é o parque tecnologico e o motivo pelo protesto?
postado em: seg, 08/03/2010 - 18:49
Meu único comentário a respeito disso tudo é o seguinte: se com a estrutura atual de distribuição de verbas para pesquisa, os institutos reclamam da falta de incentivo a pesquisa, da pouca verba e por aí vai, porque se opor a uma solução? Ou alguém acha que o governo sozinho vai subsidiar as empresas incubadas? Trazer grandes empresas para o pólo é apenas uma maneira de arranjar alguém para dividir a conta, enquanto ainda gera empregos e mantém o mercado saudável.
postado em: seg, 08/03/2010 - 16:19
Se nao fosse pelo tecnopuc e o polo da unisinos o RS estaria muito abaixo dos outros estados, tem gente que nao encherga na inicativa privada a oportunidade de crescimento profissinonal, se nao existe uma grande empresa aqui, não tem como crescer se é pra trabalhar para o estado eu faria um concurso publico...
Quantas familias são sutentadas por pessoas que trabalham nos polos, acordem o mundo que nós vivemos é captalista..
postado em: seg, 08/03/2010 - 15:20
O Luciano deu uma sugestão interessante: uma matéria mais detalhada sobre o projeto do parque tecnológico da Ufrgs. Como será, quais serão os investimentos públicos e privados, as bases contratuais para registro de patentes, etc. Também publicar as minutas dos documentos. Seria interessante até para informar outras empresas que quisessem se candidatar a participar do projeto.
Mas tudo isso, por favor, sem Via Campesina enchendo o saco, cujo lugar é capinando a roça com enxada e não se envolvendo em questões que não compreendem.
E então, Maurício, topa essa?
postado em: seg, 08/03/2010 - 13:20
matéria ridícula e tão cheia de ideologia como os manifestantes são, segundo os jornalistas. Por que vocês não fazem uma matéria jornalística mesmo, explicando o que é o projeto? Por que os patrocinadores do site não deixam? Não é coerente mega empresas usarem da infra-estrutura e dos pesquisadores de uma instituição pública para fins privados - ou seja, para somente os seus interesses. Não pago imposto para beneficiar as empresas e sim à população em geral, o que não vai acontecer. Afinal, o que produzirem no parque será gratuito ou a baixo custo para a população? Claaaaarrrrroooo que não.
postado em: seg, 08/03/2010 - 10:25
Olha.. cada figura aí heim...Poucos comentários sensatos..
Parem de tomar como verdade o que ouvem em RBS/globo/ZH/etc... Sempre foram e sempre serão manipulados e nem se dão conta disso... Essa é a pior parte..
Procurem saber pq as pessoas protestaram. Acreditem, não foi exatamente contra o parque propriamente dito.. mas, por exemplo, a maneira como foi definida a data de votação, falta de informação pra onde vai a grana das empresas que entrarem lá, etc etc.. Não esqueçam que estamos falando de coisas privadas em uma universidade federal!!
postado em: sab, 06/03/2010 - 12:05
A meu ver é importante não radicalizar, nem para um lado, nem para outro. Excelente a idéia de aproximar acadêmia e mercado, valorizando a produção tecnológica.
Mas existem pontos críticos, como direitos sobre patentes, garantias de retorno, obrigações de investimentos por parte das empresas, e outros pontos que precisam ser avaliados e criticados!!!!
Inicia-se com um espaço monstruoso para algo que nem começou! Não poderia ser um espaço menor com metas claras para evoluir e crescer? Com o dinheiro publico (nosso dinheiro) fica fácil fazer obras faraônicas.
Atentem que as formas de desviar dinheiro publico atualmente passam por estes modelos (obras, licitações, etc, etc). Será que a boa intenção não esta servindo de fachada para atos ilicitos que resultarão em futuros escandalos e que por sua vez não darão em nada?
E por último, citar o modelo da China e da Coréia é alegar que os fins justificam os meios! Quantos gostariam e aceitariam viver permanentemente nestes paises? Eu não, obrigado!
postado em: sex, 05/03/2010 - 21:12
Maurício,
Que os baderneiros jurássicos de sempre, desta vez derrotados no voto no DCE, se virem do avesso para firmar suas posições, é sempre de se esperar, pois esta turma se recusa a ser declarada extinta, sempre sonhando com a criação de um Jurassic Park socialista para abrigá-los. Mas o que eu estranhei mesmo foi o fato de a reunião ter sido adiada por dois meses por causa de um protesto mambembe como este. Qual é a dos conselheiros? Não dá para amarelar com essa turma! Não são esses mesmos comunistinhas que dizem que \"hay que endurecer\" ? Pois então...os conselheiros deveriam deixar os barbudinhos se estrebuchando de tanto berrar e seguir impávidos para a votação. Democracia e tolerância é bom, mas demais, atrapalha.
postado em: sex, 05/03/2010 - 18:33
Precisamos ir desenvolvendo cada vez mais o setor de inteligencia, de servicos, de conhecimento, e nao focar somente no setor primario, se demorarmos muito para fazer isso, tudo que o vale do silicio conseguiu ira para a China e perderemos a vez novamente.
Ajudem a criar logo o Polo e desenvolver mais nosso segmento no RS.
Estou aqui na CEBIT e vejo como os outros governos de Twain, China estao ajudando suas empresas, o Brasil precisa ajudar suas empresas ou sempre teremos posicionamento de colonia.
postado em: sex, 05/03/2010 - 18:12
Oi Hugo,
Para dizer dessa forma, nós precisaríamos estar lá para contar quem efetivamente era do que, talvez pelas palavras de ordem, camisetas, não sei.
Mas tu tens razão na tua colocação, por isso incluímos na abertura um \"encabeçado por estudantes da Ufrgs\".
abraço!
postado em: sex, 05/03/2010 - 17:51
Sugestao de correcao: onde esta \"Um protesto realizado na manhã desta sexta-feira, 05, por estudantes da Ufrgs \", mudar para algo como \"Um protesto realizado na manhã desta sexta-feira, 05, por ativistas da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, da Intersindical, do Levante da Juventude e alguns estudantes da UFRGS\".
Do jeito que esta da a impressao de que os estudantes ou o DCE de alguma forma apoiaram este protesto ou foram os principais organizadores, e so lendo toda a materia percebe-se que nao foi o caso.
Os estudantes sao minoria neste protesto; a maioria dos estudantes da UFRGS é favoravel ao parque tecnologico - nas engenharias e computacao eu arriscaria 95% de apoio, com um ou outro militante contrario. Vergonha a universidade ter adiado por causa da barulheira dos radicais.
postado em: sex, 05/03/2010 - 16:57
Meu deus do céu, a UFRGS tem um DCE que trabalha pelos estudantes. Achei que ia morrer sem ver isso.
postado em: sex, 05/03/2010 - 16:43
Maurício:
Parabéns pela agilidade e seriedade do Baguete. Também não era minha intenção inciar uma polêmica, mas apenas apontar um ítem que, a mim, causou um desconforto.
Abraços.
postado em: sex, 05/03/2010 - 16:37
Oi Paulo Augusto,
Não é nossa intenção entrar numa discussão acadêmica sobre que ciências são produtivas ou não.
Retiramos a expressão \"ciências produtivas\" da matéria.
abraço,
postado em: sex, 05/03/2010 - 16:33
Com certeza há muita gente fazendo ciência nas Ciências Sociais, mas é notório que essa área, pelo menos na UFRGS, abriga um contingente de revolucionários sem causa que só faz reclamar de tudo e de todos.
Sou esquerdista e nem por isso me oponho ao progresso e desenvolvimento de nosso universidade e do país.
Tem muita gente que precisa rever conceitos e acordar pra segunda década do século XXI, pois a ditadura já ficou pra traz a um bom tempo!
postado em: sex, 05/03/2010 - 16:26
Gostaria de salientar que essa minoria protestante não tem nada a ver com o pessoal que realmente faz ciência aqui na UFRGS. São retrógrados congelados na paranóia da ditadura militar.
Nós estudantes do Instituto de Informática estamos confiantes e ansiosos pela implantação do parque.
postado em: sex, 05/03/2010 - 16:17
A expressão os cursos das chamadas “ciências produtivas”, usada no artigo, denota um preonceito e um equívoco, pois \"gradua\", hierarquiza, a ciência, deixando implícito que umas são melhores que as outras.
A ciência, toda ela, deve servir aos interesses da sociedade, no mesmo grau. Não interessa se é uma ciência exata, humana, social...
Esse tipo de preconceito pode ser um dos móveis para as manifestações de hoije.