Gláucia Civa // quarta-feira, 21/09/2011 15:53
De três meses para uma semana ou, por vezes, um dia.
Esta foi a redução de tempo no atendimento a suas demandas de TI registrada pela Unimed Vale do Caí ao adotar o desenvolvimento interno, ao invés da busca no mercado, por software para sua operação.
Conforme a gerente de TI da cooperativa, um time de seis pessoas, montado há cerca de quatro anos e recentemente habilitado na metodologia ágil Scrum, resolve o caso em todas as áreas - do software de gestão da operadora de planos de saúde a soluções de atendimento na ponta, como um gestor de leitura biométrica.
“Somos uma das poucas Unimeds a ter desenvolvimento próprio. É que as soluções de mercado não atendem às especificações de nossa área de negócio, tudo requer customização, e entrar na fila de um grande fornecedor para ser atendido nisso leva muito tempo– chegávamos a esperar três meses ou mais, quando dependíamos disso”, comenta a gerente de TI da cooperativa, Ariel Andrea Monteiro.
Sediada em Montenegro, na Grande Porto Alegre, a cooperativa investe cada vez mais na TI, segundo Ariel.
“Quando assumi a gerência do setor, em 2007, o orçamento destinado à TI ficava em torno de 0,5% do faturamento líquido anual. Hoje, estamos em cerca de 1,5% e a meta é chegar aos 2% já no ano que vem”, detalha ela.
Outro destaque é o investimento em capacitação, como ocorreu com o Scrum.
“O treinamento, destinado à gerência de projetos, foi realizado em julho passado, e já contabilizamos resultados: ganhamos muito em dinamismo, flexibilidade e resiliência”, comenta a gerente.
Sob a nova metodologia, a Unimed Vale do Caí já trabalha em dois novos projetos de desenvolvimento.
O primeiro, voltado à interface de contato entre a operadora e seus beneficiários, que somam 44.460.
O outro, focado na integração de dados financeiros ao sistema de gestão da companhia.
“Temos que trabalhar com calma, mas agilidade, pois a cooperativa atua em diversas operações distintas: além da operação dos planos de saúde em si, temos um hospital próprio, com 115 leitos, laboratório de análises clínicas, centro de diagnóstico por imagem e serviços de eletrocardiograma e espirometria”, comenta Ariel.
Ainda este ano, outro serviço será agregado às operações da Unimed Vale do Caí: o de ressonância magnética, cujo equipamento entra em funcionamento em novembro.
Os investimentos em TI, porém, não ficam só dentro de casa: em outubro, por exemplo, a companhia vai implantar uma solução de fornecedor externo para rastreabilidade de medicamentos, atendendo a uma exigência da Anvisa.
O fornecedor ainda não foi definido.
“A cotação leva em conta sempre três empresas, mas não tem os o dado, pois tudo é feito pela área de compras. Só o que sabemos é que em breve estará concluído, pois a data de implantação, no mês que vem, já está definida”, comenta a gerente de TI.
Outras soluções também vêm de fora, como o sistema de BSC, fornecido pela lajeadense Interact; o SIGH (Sistema Integrado de Gestão Hospitalar), da porto-alegrense Hospidata; e o Scola, da Proditec, também de Porto Alegre, usado no laboratório.
O hardware de biometria também é terceiro, fornecido pela Digital Persona.
Com um time de 136 médicos cooperados, a Unimed Vale do Caí emprega, ao todo, 550 colaboradores.
À frente do time de TI da cooperativa, Ariel soma cerca de 14 anos de carreira. A gestora chegou à cooperativa médica após dez anos na Quatro Informática, onde foi sócia-gerente.
Nesse meio tempo, também atuou como professora da graduação e do ensino técnico na Associação Pró Ensino Superior de Novo Hamburgo.
postado em: qui, 22/09/2011 - 10:59
Tenho visto experiências boas com fornecedores de solução e experiências boas com desenvolvimento interno. Acho que tão importante quanto a avaliação do custo de manutenção e de atualização tecnológica temos também a questão da sinergia com o negócio. Está agregando valor? Se está agilizando e gerando posicionamento, ótimo. Independente de ser solução interna ou de fora. Acho complicado a avaliação externa de uma forma de atuação. E "casamentos eternos" (até que a morte os separe) estão cada vez mais raros... :) Nada impede de quando os benefícios se esgotarem partir para outro fornecedor (ou outsourcing, insourcing, crowdsourcing). Fornecedores mudam suas formas de negociação, seus posicionamentos, são comprados, compram... Setores internos de desenvolvimento se desestruturam, param de inovar... O leque de opções está aí e vai depender de como a empresa está posicionada, como sua equipe está atuando, como percebe o valor das inovações e como está o atendimento a seu cliente. Alguns grandes fornecedores do mercado, quando atualizam seus sistemas precisam ser muito comedidos com relação a inovações pois os segmentos atendidos são grandes. E nem todas as empresas vão reconhecer as "novidades" incluídas pois muitas vezes não chegam a gerar valor significativo para seu momento atual. Uma equipe bem alinhada e gerando diferencial para a empresa pode gerar mais negócio e no fundo isto é o que importa.
postado em: qui, 22/09/2011 - 08:22
É sempre um bom tema!
Porem, em termos de TCO e impacto em custo funcional para se manter uma equipe interna (FTE), considerando custo de manutencao corretiva, adequacao legal especifica da area ou nao, melhoras e novos requerimentos, alem dos custos de capacitacao, atualizacao tecnoogica ou legal/negocio, instalacoes e equipamentos, e tantos outros pontos, ha analise de custo beneficio relatada no artigo se mantem no medio e longo prazo? Suporta escalabilidade e estrategias de crescimento?
Nao questiono se é uma estrategia certa ou nao, apenas entendo que esses detalhes permite a nos todos posicionarmos esse caso frente aos desafios de TI e ao contexto e tendencia atual de Cloud Computing, IT facility, SaaS, etc.
É uma reflexão sobre a qual apreciaria conhecer o posicionamento da Unimed e de outros amigos leitores desse artigo.
Att
Antonio Cordeiro
ascordeirojr@gmail.com
postado em: qui, 22/09/2011 - 14:34
Complemento que o valor agregado ao negocio sem duvida é nossa missão como TI e como Transformacao de Processos de negocio frente a mercados competitivos.
Minha poposta de duscussao é quanto a forma e a aderencia à estrategia de negocio, cada vez mais focada em "core business / core competence" e o balanco entre o nivel de retorno entre alternativas focadas naquilo que valha a pena ser diferenciado e naquilo que valha a pena ser padronizado.
Sem duvida, esse é o desafio de TI que somente é alcancado quando ha um grande alinhamento estrategico.
Att
Antonio Cordeiro
ascordeirojr@gmail.com
postado em: sex, 23/09/2011 - 09:14
Olá, Antonio.
Pois é... Tenho escutado muito sobre esta questão de "core business". Tenho uma opinião um pouco diferente no caso de uma empresa do segmento de serviços, pois se olharmos a fundo, o "core" são os serviços prestados (processos) e os sistemas que sustentam o negócio são uma forma de automação de processos. Investir e deter a propriedade neste processo automatizado e gerar diferencial em cima dele pode ser considerado o core da estratégia da empresa. Muitas vezes vejo customizações em cima de sistemas de "pacote" onde são transferidos para o fornecedor vários diferenciais na prestação do serviço. Logo em seguida vem uma versão com algumas "parametrizações" a mais que trazem maior flexibilização/agilidade para um processo. Se são pequenas modificações, tudo bem. Se são de maior vulto, acaba de uniformizar aquele diferencial (e pior, de forma automatizada). Mas como todos sabemos: cada caso é um caso. Cada empresa tem seu ritmo, pessoas e condições. E mais complexo: cada empresa tem sua própria percepção de como pode agregar valor ao seu negócio.
postado em: sex, 23/09/2011 - 22:50
Yanko
Exatamente. Partilhamos de pontos de vista similares.
O desafio que falamos apenas se alcança quando TI está integrada à Agenda Estratégica da empresa e consegue definir, como citado mo seu caso, as Iniciativae Soluções que realmente agregam valor, adotando uma estratégia de diferenciação eficiente.
Em paralelo, para aqueles processos importantes para sustentação do negócio mas de certa forma padrões de mercado (IT utilities), uma mesma organização pode adotar estratégia diferentes como o Business Process Outsoucing para o RH operacional, para o Contas a Pagar, para o Contas a Receber de Massa, para Compras de Goods & Services, etc.
É um balanço estratégico de soluções que o mercado brasileiro já oferece com maturidade e com parceria.
É novamente TI, como falamos acima, atenta a Estrategia, Objetivos e Resultados da organização, dando sua contribuição como parte do negócio que é.
Parabéns pelo case e sucesso a voce e sua equipe!!
Antonio CORDEIRO
postado em: qua, 21/09/2011 - 20:59
Parabens para Ariel Monteiro. É muito bom saber que, dentro das empresas, existam profissionais preocupados no desenvolvimento de soluções específicas para o atendimento de suas demandas. E parbens à Unimed Vale do Caí por ter apostado nesse tipo de profissional.