Cautela, foco nos gastos e esforço extra no gerenciamento dos recursos de TI em 2009.
São os efeitos da crise econômica mundial sobre as perspectivas de investimentos na área de TI, tema de debate no Meeting de Tecnologia da Federasul nesta terça-feira, 25, que reuniu os CIOs Carlos Dottori (Dimed), Eduardo Arruda (Tribunal de Justiça-RS) e Guilherme Lessa (Banco Matone).
Confira os projetos de cada organização:
DimedNa Dimed, a diretriz da TI é ser conservadora nos gastos até abril do ano que vem, quando a direção da companhia fará uma reavaliação da situação econômica.
Segundo Carlos Dottori, coordenador de TI da Dimed, a ênfase será em projetos “pragmáticos”, que tragam retornos palpáveis em redução de custos, aumento de eficiência ou maior capacidade de decisão para a alta gestão.
O executivo cita como exemplos de a plataforma de e-commerce da Dimed, que já faz 50% das vendas da empresa e um software de gestão de supply chain da Neogrid usado por 250 lojas, que encurtou os prazos de estoques em dois dias. Para o ano que vem, a adaptação ao
Sped está entre as prioridades.
Na área de hardware, Dottori vem fazendo um esforço para chegar a melhores preços junto aos fornecedores. “Fazemos muita compra por leasing. Junto com a incerteza do dólar, isso tem causado alta nos preços”, explica o coordenador de TI.
Apesar das vendas de remédios não serem tão afetadas pela crise, os preços tem reajustes regulados, o que reduz a flexibilidade da Dimed para lidar com as dificuldades econômicas.
MatoneNo Banco Matone a diretriz em função da crise foi deixar em segundo plano linhas de produtos voltados a cartões e crédito imobiliário e apostar todas as fichas nos empréstimos consignados, carro chefe da empresa.
“Já renegociamos contratos com diversos fornecedores”, afirma Guilherme Lessa, diretor de TI do Banco Matone, que tem por política terceirizar todo o desenvolvimento de sistemas. Alguns contratos foram reduzidos e outros encerrados, revela o gestor.
De acordo com Lessa, as prioridades agora são a infra-estrutura da
rede de lojas Bem Vindo, que deve chegar a 70 pontos em todo país até o final do ano; e a sofisticação do robô avaliador de empréstimos e dos cubos do BI Cognos, que ocupam uma equipe separada na TI do Matone.
Tribunal de Justiça-RSAinda que menos afetado pelo ambiente econômico – o orçamento anual na faixa dos R$ 25 milhões é garantido – o TJ-RS já sente alguns efeitos colaterais da crise. O principal deles é alta do preço dos equipamentos adquiridos por pregão eletrônico.
“As variações no preço estão muito acima da alta já registrada do dólar. Os fabricantes estão inseguros”, resume Eduardo Arruda, diretor do departamento de Informática do TJ-RS.
Fora desse problema, Arruda fez poucas alterações no rumo da TI do TJ. No momento, a prioridade é preparar a migração da plataforma Delphi/Oracle para Java.
Uma equipe de 15 funcionários está sendo treinada e um edital de contratação de fábrica de software sairá até o segundo semestre do ano que vem.
A equipe de desenvolvimento trabalha na formalização dos processos internos, em busca de uma alinhamento com as práticas definidas pelo MPS.BR nível G.
ITILApesar dos ramos e situações diferentes, os três palestrantes foram unânimes em destacar os investimentos em governança dos serviços de TI, enfatizando suas iniciativas em torno da metodologia ITIL.
No TJ-RS, 100 pessoas – todo o departamento - já receberam treinamento em ITIL. Um catálogo de serviços foi elaborado e objetivo para o ano que vem é remodelar os processos internos, tendo em vista a entrada em funcionamento do processo judicial eletrônico e a elevação da criticidade das operações de TI.
Dottori e Lessa citaram a metodologia como uma maneira de obter melhores resultados para os departamentos de TI seja internamente – a Dimed faz grande parte do desenvolvimento dentro de casa – ou externamente – caso do Matone, que usa terceirização.
“É uma discussão cada vez mais forte no nosso mercado e tema de interesse de grande parte dos CIOs”, resume Arruda, que além de comandar a TI do TJ também preside a Sucesu-RS.