Após cursar o técnico de informática e os ensinos fundamental e médio utilizando um computador adaptado como meio de comunicação, o programador Guilherme Finotti, 17 anos, portador de paralisia cerebral, está impedido de usar o equipamento na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Com a intenção de prestar vestibular no final do ano, a não realização da prova impedirá o jovem de pleitear vaga nas universidades que adotarem o exame como ferramenta de seleção, além de acabar com a chance de concessão de bolsa de estudos.
Desde maio, a mãe de Guilherme, Eunice Finotti, está tentando a inclusão do filho na prova, porém a última resposta que obteve do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é de que apenas poderiam ser disponibilizados recursos como auxílio de fonoaudióloga para transcrição e uma hora a mais de tempo, não sendo possível o uso de equipamentos eletrônicos.
Segundo a professora do laboratório de inclusão e ergonomia da Feevale, Regina de Oliveira Heidrich, que desenvolveu as adaptações no computador e trabalha com o jovem desde 1998, a proposta de acompanhamento de uma fonoaudióloga demonstra a ignorância em relação a um problema de comunicação de um paralisado cerebral.
“Embora tenha o cognitivo totalmente preservado, o Guilherme não fala nem caminha, e apresenta movimentos involuntários. Trabalho com ele desde que tinha cinco anos e ainda tenho dificuldades de entender o que tenta falar. Estão identificando fraude quando o que queremos é apenas um computador que tenha a prova do Enem e um editor de texto” Regina analisa.
Em relação à proibição de utilizar o computador na prova, Finotti escreveu que se sente como um cidadão digno sem direito de crescer na vida. "Sou jovem e quero fazer o Enem com o meu lápis, que é o meu computador. Estou sendo tratado como se apenas quisesse brincar no exame”, enfatizou.
As adaptações consistem em um mouse especial e uma máscara do teclado, denominada colméia. Através delas são reduzidas as dificuldades de coordenação motora, como o fato de esbarrar nas teclas devido aos movimentos involuntários. O rapaz começou a utilizar o equipamento ainda na pré-escola, quando a professora Regina tomou conhecimento do caso.
“Após retornar de um mestrado em São Paulo, onde trabalhei com crianças da Apae, estava disposta a realizar a pesquisa do doutorado nesta área. Fui apresentada ao Guilherme, realizei alguns testes e constatei que realmente o intelecto não havia sofrido danos. Fiz alguns aprimoramentos na colméia do teclado, ele passou a freqüentar a escola com o auxílio do computador e desde então acompanho o seu desenvolvimento. É um aluno inteligente, com notas acima da média do restante da turma”, destaca Regina.
Tanto o curso técnico como os ensinos médio e fundamental foram cursados em escola inclusivas, com alunos com e sem necessidades especiais. “Nunca senti preconceitos, mas isso é algo que não me atinge”, declara Finotti quando questionado sobre a convivência com os colegas e professores.
Na opinião da professora, muitos paralisados cerebrais estão em instituições de educação especial por preconceitos e problemas motores, sendo a informática um forte fator de apoio para inclusão educativa. Para ela o principal problema está na falta de informação e formação de professores no ensino regular, para que possam dar a assistência necessária aos alunos em suas aulas.
“Conheço vários paralisados cerebrais que se alfabetizaram sozinhos ou com apoio da família, pois nunca foram aceitos na escola. Há o caso de um aluno bem incluído no ensino médio e que quando foi cursar a faculdade não tinha sequer ajuda para ligar seu notebook, sendo completamente ignorado. Essas questões são muito sérias, não se pode incluir sem ter o conhecimento de como é trabalhar com essas pessoas”, relata a professora.
Além de freqüentar as aulas do terceiro ano do ensino médio, que deve conclui no final do ano, o jovem também é bolsista de iniciação científica Jr. no Projeto Design Inclusivo Utilizando TIC´S (Tecnologias de Informação e Comunicação) Aplicadas à Educação, desenvolvido por Regina.
Como bolsista, duas vezes por semana o programador estuda e desenvolve tecnologias assistivas, softwares e hardwares voltados a pessoas com necessidades educacionais especiais. Entre seus projetos, destaca-se um jogo para alfabetização de crianças com paralisia cerebral, ainda em fase de testes.
Se tudo der certo e Finotti conseguir realizar o Enem, o próximo objetivo é pleitear uma bolsa nos cursos de Jogos Digitais, Sistemas para Internet ou Ciência da Computação. “Acho que escolhi essa área pelo fato de o computador ser quase meu ‘quinto membro’. Lembro que infernizei muito minha mãe para me matricular no técnico. Nunca imaginei que fosse me apaixonar pela área, o curso foi a melhor coisa que fiz na vida”, conclui.
No que depender do mercado de trabalho, o jovem tem tudo para conseguir uma boa colocação. Só no Baguete, por exemplo, nos últimos dois anos foram anunciadas mais de 300 vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais, isso apenas na área de informática.
Desde 1991, a Lei de Cotas (nº 8.213) determina que todas as empresas brasileiras com mais de cem funcionários devem ter de 2% a 5% de deficientes contratados no seu quadro de funcionários. Assim, o mesmo governo que garante oportunidade no mercado de trabalho para os portadores de necessidades especiais, impede o jovem Guilherme de buscar qualificação.
“A demanda por profissionais portadores de necessidades especiais é muito maior do que a oferta. Há punições para a empresa que não preenche a cotas de deficientes prevista em lei, mas como os anúncios são realizados e as vagas não são preenchidas, fica comprovada a falta de pessoal qualificado”, revela Giovana Strano, diretora da TI Works, empresa gestora de recursos humanos focada em TI.
De acordo com informações do Departamento de Neurologia Infantil da USP, a incidência de casos de paralisia cerebral em países em desenvolvimento como o Brasil pode alcançar até sete para cada mil nascidos vivos, em contraposição a dois em cada mil nos países desenvolvidos. Outros estudos citam a estimativa de 30 a 40 mil novos casos por ano no país.
Proteste Os leitores do Baguete Diário que quiserem se manifestar em favor de Guilherme Finotti podem mandar o link dessa matéria e seus comentários para o endereço de e-mail do Inep: faleconosco@inep.gov.br.
Infelizmente ainda somos um país burocrático e atrasado!
Rafael (Focco Sistemas de Gestão), em 29/10/2009, 17:16
Um absurdo o que estão fazendo. Em tempos de inclusão digital e inclusão de portadores de necessidades especiais, o ministério da educação ter atitudes como essa é no minimo vergonhoso.
Espero que a repercusão da noticia faça com a situação mude.
Parabens ao baguete pela iniciativa de denunciar.
Carlos Lima (Hirt), em 29/10/2009, 17:21
E depois o governo fala em política de inclusão social.
Felipe Goi (UNIODONTO Porto Alegre), em 29/10/2009, 23:39
Gostaria de iniciar meu comentário parabenizando o BAGUETE por trazer à tona mais essa bestialidade de nossas autoridades. Fazendo com que nós, profissionais da área de TI vejamos o quanto vivemos em um país BURRO, com governantes mais BURROS ainda. Mas se eles estão lá é porque foram eleitos pela maioria de nós, o povão.
Inclusão digital no Brasil não passa de farsa, um belo teatro onde só ganham os interesses de uma minoria.
GOSTARIA AINDA DE PEDIR O APOIO DE ALGUM POLÍTICO, SEJA ELE DE QUAL ESFERA FOR, PARA QUE ESSE JOVEM POSSA EXERCER ELE ESTÁ DEMONSTRANDO UM ESFORÇO TREMENDO E UMA TREMENDA VONTADE DE APRENDER, ESTÁ LUTANDO PELO SEU CONHECIMENTO. SERIA MUITO TRISTE SE REALMENTE ESSA DECISÃO, DE PESSOAS QUE APESAR DE SEREM DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NÃO POSSUEM CONHECIMENTO SOBRE A DOENÇA, FOSSE LEVADA ADIANTE.
Conto com o apoio de todos os gaúchos para que esse jovem possa aprender e ser um profissional BRILHANTE!!!
OBRIGADO!!
Cristiano Finato, em 30/10/2009, 00:38
Ignorância foi a palavra certa pra definir a situação. Se tem tanto medo de fraude, porque não verificam e testam o computador da criatura? É por isso que o país não anda.
Adriano Bonfiglio (CIGAM), em 30/10/2009, 06:48
Absurdo! O Brasil tem boa politicas de inclusão social mas parece que não estão saindo do papel, é vergonhoso esse tipo de atitude.
Igor Leopoldes, em 30/10/2009, 08:11
Será que não existe uma forma de nos manifestarmos junto ao Inep para pressioná-los de alguma forma? Ou ao menos fazer bastante barulho!
Mais do que denunciar e exteriorizar nossa indignação, nestes casos, é necessário se manifestar de maneira mais objetiva!
Fernando Faganello Madeira (Qualità), em 30/10/2009, 08:12
A tecnologia é muito importante porque provê aumento de receita ou diminuição de custos para empresas. Quando será que ela será valorizada também por trazer benefícios para a vida das pessoas, como é o caso do Guilherme? Será que veremos as tecnologias evoluirem tanto apenas para satisfazer a saúde FINANCEIRA das pessoas e (quase) nunca para ser utilizada como uma ferramenta que oferece o bem estar de quem pode assim aproveitá-la?
Essa é a inclusão digital feita de papel no Brasil.
Juliana Franzon (Baguete), em 30/10/2009, 08:33
Olá, Igor, obrigada pela sugestão.
Já acrescentamos o contato do Inep na matéria.
Cristiane Campanholo (Afirmação Softwares Empresariais), em 30/10/2009, 08:45
As leis devem ser justas para todos. Se as empresas devem contratar um portador de deficiência, por que não dar o direito desta pessoa ter a dignidade de estudar e trabalhar, utilizando sua inteligência e sendo produtivo por direito? Ele deve fazer o ENEM por esforço próprio, sim. É simples: coloquem um avaliador do lado dele durante a prova e revisem o computador antes da prova. Se tem disponível um fonoaudiólogo, porque não um revisor?
Igor Leopoldes, em 30/10/2009, 09:05
Valeu Juliana!
E-mail já encaminhado.
Convido todos a fazerem o mesmo.
Parabéns ao baguete pela iniciativa de fazer a denúncia.
Ah! Para agilizar, sugiro que posts no twitter e outras formas de influenciar os amigos a participarem sejam tomadas.
Alexandre Perin (RBS), em 30/10/2009, 09:06
Mais uma vez leis que não são cumpridas por que existem em excesso. A ignorância e a obtusidade das instituições públicas causa estas anomalias, prejudicando pessoas que já carecem de maiores oportunidades. Parabéns, INEP
Weber, em 30/10/2009, 09:06
""" LULA, Deixa o garoto estudar. """
Futuro Stephen Hawking Brasileiro.
Carlos Rovedder, em 30/10/2009, 09:29
Em algum comentário acima, foi citado FRAUDE. Será que uma pessoa que está lutando pelo seu crescimento pessoal, com diginidade, seria capaz de tentar FRAUDAR?!
Analisamos um passado muito recente com relação a prova do ENEM. Não foi FRAUDADA??? E vocês lembram quantos MILHÕES foi gasto para refazer a prova?? Pouco mais de R$130 milhões.
É lei possuir uma porcentagem de PNEs nas empresas, mas como essas pessoas (capacitadas) terão condição de estudar e crescer profissionalmente?
Cobrar das empresas é fácil, facilitar a inclusão e o desenvolvimento dessas pessoas não está sendo.
Frederico Aranha (Doca 7), em 30/10/2009, 11:02
Não deixem de enviar emails de protesto para o faleconosco@inep.gov.br...
Luciano Seibel (Kbase IT Solutions), em 30/10/2009, 11:08
Leis em excesso e ineficácia de aplicação. Se tivéssemos qualquer comprometimento da máquina pública com o que realmente acontece ao povo brasileiro, haveria pelo menos algum tipo de avaliação destes casos. O caso aqui presente se caracteriza sincero e correto por parte do estudante e sua família.
Como seria bom se a máquina governamental fosse regida por leis de mercado, onde só se sobressaem os que fazem e tem correção nos atos.
Deixo a pergunta: há alguma coisa que possamos fazer para ajudar este estudante ? Algum tipo de abaixo-assinado ?
Renato da Veiga, em 30/10/2009, 12:02
Prezados,
A negativa do MEC em prover meios adequados para que o portador de necessidades especiais participe do ENEM viola preceitos constitucionais, de modo que, a par das pressões de caráter político e pela imprensa, uma ação judicial teria grandes chances de atingir o objetivo buscado. Como advogado, colaborador do Baguete há muitos anos, e também portador de necessidades especiais (não tão severas como as do Guilherme), compreendo bem o problema e estou disposto a ajudar. Se ele e sua família tiverem interesse, estou disposto a empreender esta ação de forma pro bono (gratuita), em nome da dignidade humana.
Fernando Faganello Madeira (Qualità), em 30/10/2009, 12:04
Enviei um email e não recebi nenhuma resposta até agora. O correto é publicar este link no twitter e outros locais. Estou colocando à noite também a história no meu site: www.portoalegreonline.net.
Acho que chega de só reclamarmos sem atitude concreta né?
Ronald Luis Rodrigues do Nascimento, em 30/10/2009, 12:40
Absurdo o governo não dar acessibilidade a um estudante para realizar o Enem, se fosse alguém interessado em ROUBAR a prova na cueca, teria todo acesso...
Luis Pouey Jr. (Psicólogo Organizacional), em 30/10/2009, 12:47
Parabéns aos que estão fazendo algo para tentar mudar esta decisão excludente do INEP.
Farei minha parte também!!!
abraços a todos....
e que as pessoas que decidem no INEP tenham o bom senso de reverter esta decisão equivocada.
Prezado Guilherme Finotti....parabéns por seu exemplo de vida!
Leandro Tomaz (Pryor Consulting Services), em 30/10/2009, 12:47
Quando nossos governantes manifestarem 'emoção' com essas questões, da mesma forma que com Rio 2016, Copas do Mundo e outras e outras vitrines de vaidade, teremos um país com mais dignidade e igualdade...
Eliane Sbardelotto, em 30/10/2009, 13:31
Concordo com os comentários acima. Sou mãe de um menino com necessidades especias (SD) e, sei o quanto é importante irmos em busca do que se quer, em busca de nossos sonhos, de nossos ideais. Portando, acredito que dá ainda tempo de despertar a coragem necessária para repudiar a integração e Aceitar a Inclusão. Aceitar o novo sem medo. Não apenas seguir receitas, mas modificá-las e adaptá-las de acordo com a nossa realidade. As transformações são rápidas e necessárias. Vamos juntos crescer, deixando estas pessoas estudadrem livremente, se não não é inclusão é exclusão. Se liga...!!!
Daniel Machado Maffioletti (WEBAULA), em 30/10/2009, 20:53
Impressionante como este jovem vêm superando barreiras. Pode ter certeza que essa barreira será superada, Deus já está no controle.
ANGELA, em 31/10/2009, 19:10
É COMPROVANDO MAIS UMA O QTO, A MAQUINA PUBLICA É EMPERRADA. QDO. RESOLVE RESOVE FUNCIONAR CONTRA AS FRAUDES ACABA EMPERRADA,,, POR NAÕ ACOMPANHAR ..... A TECNOLOGIA PRA ATENDER DIREITOS DO POVO BRASILEIRO..........
Eni D´Carvalho (Projeto `Tocar e Sentir`), em 01/11/2009, 23:16
Quero manifestar meu apoio e solidariedade ao Guilherme Finotti.
Desde que me aposentei venho desenvolvendo um trabalho voluntário, sem patrocínio
Utilizo a arte como meio de Inclusão social.
Eu contava com um currículo representativo na arte e fui à universidade (Belas Artes) e solicitei
Obtenção de novo título.
A resposta foi negativa.
Alegaram que minha formação não esta relacionada com a arte.
(sou formada em administração e ciências Contábeis e pós-graduada em adm Hospitalar)
Já pensou se eu tivesse desistido na altura?
Teria desistido do meu propósito!
No ano passado fui convidada para apresentar meu trabalho em NY/ONU
Desde o ano 2000 eu apresento meu projeto que é reconhecido e divulgado nos grandes Museus de Portugal e por toda Europa
Eni D´Carvalho
Vanessa, em 03/11/2009, 14:13
Preconceito é crime.
Luciano Seibel (Kbase IT SOlutions), em 03/11/2009, 14:19
Vi o comentário acima do Renato da Veiga, e novamente pergunto.. é possível mover algum tipo de ação ? Se sim como começamos ?
Maurício Renner (Baguete Diário), em 03/11/2009, 14:25
Oi Luciano,
A gente passou o contato do Renato para a família do Guilherme. Vamos manter os leitores por dentro dos desdobramentos do caso...
abraço!
Luciano Seibel (Kbase IT SOlutions), em 03/11/2009, 14:29
Fico mais aliviado em saber que está se dando continuidade ao assunto.
Tenho uma filha com paralisia cerebral e sei muito bem tudo o que temos que enfrentar para conseguirmos algo que é de direito dela.É inacreditável que no ano de 2009 coisas desse tipo aconteçam!Até quando teremos que conviver com toda essa ignorância e preconceito da nossa sociedade?
Renato da Veiga, em 06/11/2009, 12:24
Prezados,
O tom de indignação das manifestações acima, que mistura aspectos político-ideológicos com o complexo de inferioridade de quem acha que nada presta no Brasil, não tem, a meu ver, o foco correto. Não se trata de ignorância, preconceito ou má-vontade, mas de falta de base legal para autorizar os administradores do exame a abrir exceções. A relação do Governo com a sociedade é de cunho genérico, não só no Brasil, mas em qualquer lugar. Também é preciso compreender que aplicar um exame nacional a milhões de estudantes é uma tarefa colossal, e por isso as situações particulares tendem a não ter a devida atenção nas leis e regulamentos que norteiam o processo. Ora, se mesmo os vestibulares, que existem há décadas, muitas vezes não têm estrutura adequada para atender pessoas deficientes, não se pode exigir tanto do ENEM, que é uma experiência nova. Alguém já imaginou a logística necessária para dar apoio a cada pessoa com necessidades especiais nos rincões do país? Mas é justamente para atender a situações particulares que existe o Judiciário, que pode determinar providências pontualmente, processo que contribui para que se criem, ao longo do tempo, os mecanismos necessários para atender a todos. Mas, para que isso aconteça, é preciso iniciativa dos interessados, que, neste caso, não está ocorrendo. Ofereci fazer uma ação gratuita para assegurar os direitos do Guilherme, pensando não só no caso dele, mas também em abrir um precedente que ajude outros estudantes na mesma situação e, quem sabe, mais adiante, até tornar geral a obrigação do Governo prover os meios necessários a atender todos os portadores de necessidades especiais. Só que até agora, apesar dos contatos da editoria do Baguete, a família não se manifestou. Qualquer advogado, a Defensoria Pública, ou até o Ministério Público, pode encaminhar a questão, de modo que não existe desculpa para a inação. Então, para os que insistem em manter o tom de indignação irracional, sugiro ampliar o foco: se o Guilherme deixar de fazer o ENEM, a culpa será tanto ou maior da sua própria família quanto dos burocratas que ela tanto acusa, pois estará negligenciando a defesa dos direitos legítimos de um adolescente privado de sua cidadania, e que, diga-se de passagem, já demonstrou, por suas próprias conquistas, que não precisa de caridade, nem de compaixão nem de bom-mocismo de ninguém, e sim de atitudes concretas por quem de direito.
Luciano Seibel (Kbase), em 06/11/2009, 12:41
Não sei se somente eu, mas acho um pouco ambígua tua posição neste último comentário, pois no dia 30/10 nesta mesma notícia, te posicionastes de forma a ajudar de forma gratuita e em nome da dignidade humana. Se isto não é "bom mocismo" nos qualifique o que seria por favor.
Retirando o posicionamento político-ideológico o objetivo final a ser alcançado nos protestos é o mesmo. Fazer acontecer o que deveria acontecer ao natural, sem protestos.
Luiza Coelho (Lumini Comunicação e Marketing), em 06/11/2009, 15:18
Eu como irmã de um autista leio essa notícia com profunda tristeza pois quando temos a notícia de uma pessoa com qualquer tipo de deficiencia na família, a primeira coisa que pensamos é em seu futuro, em como será? Aí o mesmo governo que cria cotas para empregos para deficientes não o deixa se aprimorar e progredir em sua formação profissional. Um balde de água fria. Ainda tenho esperança que isso se reverta.
Carlos Germano, em 07/11/2009, 12:40
Prezados,
Depois de ler o comentário acima do Sr. Renato da Veiga, eu só tenho que comemorar pela família do Guilherme ter encontrado outro advogado para ajudá-los...
Parece que este senhor desconhece toda estrutura jurídica já existente relativa aos direitos da pessoa com deficiência...
"Lamento profundamente essa atitude, que vai frontalmente em oposição aos novos passos e decisões da sociedade e do Estado brasileiro, que aprovou em 2008, com o status de Emenda Constitucional, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, uma convenção internacional aprovada na ONU, que tipifica claramente decisões com essa do INEP como discriminatórias."
Atenciosamente,
Carlos
Renato da Veiga, em 09/11/2009, 12:18
Meu caro Carlos Germano, respeito sua opinião, mas também exerço meu direito de dizer que você não tem a mínima ideia do que está dizendo a meu respeito. Como deficiente físico, enfrentei pessoalmente a discriminação e o preconceito desde a pré-escola até a vida profissional, e se cheguei aonde cheguei não foi por caridade de quem quer que seja, mas por muita luta minha e da minha família. Meu pai, um caminhoneiro com pouco estudo, muitas vezes usou os punhos para garantir que o filho um dia pudesse usar as letras e as leis, isso num tempo em que não havia a Constituição Cidadã. Não sei o que você faz da vida, mas se você pensa que o fato de existir um arcabouço jurídico é garantia de respeito automático aos direitos individuais, não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo, enfatizo, desculpe, mas acho que você vive em alguma espécie de redoma cor-de-rosa. Em um mundo ideal, não existiriam advogados, juízes, promotores, presídios e tudo o mais, e se tudo isso existe, por si só é um sinal de que os direitos teóricos só se implementam com ação das partes envolvidas. Como já dizia Ruy Barbosa, quem não luta por seus direitos não é digno deles. Sem ferir suscetibilidades, esta é a mensagem que eu quero deixar para esta família e para outros tantos que, como você, são mais dados às palavras vazias e aos apelos públicos do que às ações concretas. Como pai, também posso dizer que, se algo parecido com o que está acontecendo com o Guilherme acontecesse com um dos meus filhos (que felizmente não têm nenhum problema), eu não iniciaria apenas uma simples ação judicial, eu seria capaz de começar uma guerra! E, finalmente, respondendo também ao Luciano, minha oferta não foi bom-mocismo: o pro-bono é uma tradição entre as boas firmas de advocacia, e no meu escritório, todos os profissionais há anos dedicam uma pequena parte de seu tempo a advogar anonimamente causas de pessoas necessitadas, ONGs e entidades assistenciais.
Gilvanda Meiry Pires, em 15/11/2009, 23:27
É amentavel e contraditória a atitude do MEC, haja vista, nós da área de educação nos sentimos enveronhados pois estamos em constante formções, inclusive oferidaspelo MEC onde ressalta que essas ferraments de acessibilidades devem ser garantidas aos alunos, casa jaha necessidade. Essa atitude reforça o quanto nossos governantes estão DESINFORMADOS, DESPREOCULPADOS E OMISSOS das suas responsabilidades enquanto representantes legal da população brasileira. Senhores, por favor repensem o quanto vocês estão sendo preconceituosos e inrresponsáveis, pois ao invés de ajudarem a um jovem que quer crescer de forma dígana e autônoma, estão, simplismente, querendo que esse mesmo jovem fique a mercê de uma pensão.
Carlos Germano, em 21/11/2009, 11:14
VITÓRIA!!!
Parabéns ao Guilherme e sua família pela valente luta que empreenderam, e cuja vitória certamente vai beneficiar também a outras pessoas.
ramon albino de lima (http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1378266-5604,00.html), em 29/11/2009, 16:28
Fico indignado com tanta injustiça, com tanta nojeira nos plenarios politicos, tantas lutas idiotas e nao brigam para se tornar realidade o que sempre falaram só no blá.. blá.. blá!!!! vergonhoso tudo isso. Também sou deficiente fisico, sei o que é sofrer pela exclusão social, e sei quantas vezes me mataram quando procurava uma oportunidade e ouvia os naos, colocou-me no lugar do guilherme e sinto que mais uma vez o matam, porque quando se mata a esperança de alguem mata a própria pessoa.TEM QUE HAVER UMA PREPARAÇÃO NAS ESCOLAS PUBLICAS, POIS A IGNORANCIA CONTINUA FLUINDO.
Luciano Seibel (Kbase IT SOlutions), em 30/11/2009, 09:32
Ótimo saber que permitiram ele a fazer o que lhe é de direito.
"...quem não luta por seus direitos não é digno deles..."
Concordo. Eis um final de luta com justiça para os direitos deste rapaz.
Bom final de ano a todos.
Jonathan Sette, em 05/12/2009, 16:59
Infelizmente esse pais não é motivo de orgulho em vários aspéctos! Esse ano foi uma grande confusão!! fecharam os portões 5 minutos antes!! ninguem merece!! vai ter processo! mais de 100 pessoas foram barradas!