O diretor comercial da Locaweb, Alex Glikas, não foi demitido pelas postagens ofensivas em seu Twitter, simplesmente. Sua demissão pode ter sido a gota d´água de um comportamento inadequado, que em um descuido foi reverberado milhares de vezes pelas atuais ferramentas tecnológicas de que dispomos para manifestar nossas opiniões.
Talvez, pelo contrário, ele tenha um comportamento impecável e em um pequeno deslize tenha posto em risco um histórico profissional exemplar. Glikas ainda tentou remediar a situação, retirando as mensagens ofensivas e postou suas sinceras desculpas. “No calor do clássico, o torcedor tomou conta do profissional. Não acontecerá de novo.” O estrago já estava feito.
O que deve ser discutido, entretanto, não é somente o uso de redes sociais em ambiente de trabalho, mas o nosso comportamento como um todo. Diariamente, somos expostos as mais diversas situações em que o lado torcedor pode acabar tomando conta do profissional. Quando o chefe nos solicita um relatório e ao recebê-lo, deselegantemente, inicia uma avalanche de impropérios contra nossa competência. “- Você é um inútil mesmo! Até meu cachorro faz um relatório melhor!”.
O que ele está fazendo senão agir com seu lado torcedor? Assim como no caso de Glikas, nem as mais sinceras desculpas poderão ajudar a consertar o estrago feito por palavras ditas no calor do momento. Um trecho da nota oficial da Locaweb diz: “Futebol foi, e sempre será um território movido pela paixão. E sujeito, muitas vezes, a manifestações impensadas”.
Eles estão certos. Mas poderíamos afirmar que as manifestações impensadas acontecem no futebol, no trabalho, no bar, no relacionamento entre casais, entre amigos, enfim, em todos os lugares, em todas as horas. Somos movidos pela paixão. Os empregadores, aliás, estimulam a linguagem (e a paixão) futebolística no ambiente de trabalho. “Vista a camisa”, “Vamos dar de goleada”, “Aquele contrato foi um gol de placa!”. “O fulano é um craque em vendas!”.
Um especialista em comportamento humano poderia descrever com mais propriedade o que gera esta explosão de preconceito e raiva, seja no futebol ou no campo profissional. Porém, não precisamos de uma terapia de grupo para entender o quanto somos descuidados em nossa comunicação. Deveríamos atentar mais para a necessidade de aprimorar este ponto, antes que sejamos nós as vitimas (ou os algozes) de uma frase impensada.
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[1] http://www.baguete.com.br/sites/default/files/multimedia/podcasts/coluna/Colunista_Felipe_Basso_-_05.04.2010.mp3