Renato Galisteu é especialista em comunicação e mídia social e jornalista de tecnologia.

De repente, as pessoas começam a dizer nos corredores das empresas: “Nossa, preciso atualizar meu LinkedIn, tem muita gente indo para lá, meu perfil está abandonado”. Normalmente, quando se chega a esse ponto, a primeira pergunta que vem na sequência é: “Mas para que serve o LinkedIn mesmo? ”.

Existem três pontos cruciais que diferenciam o LinkedIn das outras mídias sociais: (1) trata-se de uma rede social corporativa, que tem como principal objetivo “aproximar” e desenvolver conexões (networking) por interesses em comum; (2) é um espaço para compartilhamento de conteúdo extremamente poderoso, com acesso a informações vindas direto de fontes (os próprios porta-vozes das empresas ou principais executivos); e (3) te fornece apoio, subsídios e acesso a diversas oportunidades de emprego gratuitamente.

Para começar bem, é necessário entender 5 pontos.

 

1 - A escolha do perfil de uso

Você pode ficar no perfil básico, que te dá acesso limitado a determinadas funcionalidades, pode pagar por alguma das versões Premium: o Business Plus te dá mais acesso a pessoas de fora de sua rede (conexões de terceiro grau) e possibilidade de acessar gráficos mais específicos de visibilidade.

O Job Seeker é destinado aos que querem procurar emprego (tipo a Catho) e a ferramenta te dá uns acessos comparativos de perfis que te ajudam a encontrar “o trabalho dos sonhos”.

O pacote Sales Navigator para pessoas de vendas, que usam o LinkedIn para abordar clientes e prospects de forma mais profissional (nesse perfil existe uma ferramenta de BI em real-time para acompanhar suas conexões e acessos).

Para profissionais de RH, existe o Recruiter Life, que usa até mesmo indexadores de SEO para encontrar talentos dentro da rede (muito legal).

Eu uso o perfil gratuito por dois motivos: eu consigo chegar às pessoas que desejo da mesma forma, desenvolvendo minha rede e tendo acesso a dados legais das conexões, basicamente por observa-las na timeline, e porque acho caro pagar o plano mensal. Obviamente, conforme cresça a minha necessidade de uso, eu vou pular para o Business Plan, mas não é agora.

Outro ponto é que uso a rede toda em inglês, pois dá acesso ao LinkedIn Pulse, a área de conteúdo da rede, com artigos de diversas pessoas e influenciadores. Embora o perfil em inglês seja o meu primeiro, tenho também ele todo em português.

 

2 - Enriqueça seu perfil

É importante entender que uma vez que você quer usar o LinkedIn, você tem que ser encontrado. Dessa forma, preencha seu perfil com informações relevantes. É crucial você entender que o LinkedIn não é um currículo, então quando for preencher suas atribuições nos cargos, faça uma introdução e depois coloque alguns bullets

No seu Resumo, conte uma história e escreva em primeira pessoa. Saiba usar palavras chaves para isso. No meu caso, por exemplo, uso as palavras comunicação, redes sociais, comunicação corporativa, relações públicas e termos do gênero, que facilitam que eu seja encontrado.

Não se esqueça das informações de contato, as pessoas têm que te achar. Se você tem Twitter, blog, Skype e telefone que acredita que sejam pertinentes divulgar, então divulgue. Se você quer ser encontrado, então forneça os caminhos.

Adicione habilidades e conhecimentos, para que as pessoas comecem a te endossar pelas suas capacidades. Após adicionar as primeiras, o LinkedIn vai indexando novas habilidades e as pessoas vão clicando e, caso aceite, essas capacidades são adicionadas ao seu perfil.

Regra essencial para o seu perfil: o torne pessoal, é seu. Não escreva em terceira pessoa. É simplesmente feio e sem sentido, uma vez que é o seu perfil. Não o terceirize, sendo que é você que o administra e é a sua imagem ali.

 

3 - Use a ferramenta de Business Intelligence

Esses dados que estão aqui ao lado aparecem na parte inferior direita na sua página inicial do LinkedIn (Home). Você consegue, por meio desses dados, entender como seu perfil tem sido avaliado, como está crescendo, quais conteúdos são melhor absorvidos pelas suas conexões, quais geram mais debates (se geral debates), e inclusive entender quem entre suas conexões, ao curtir uma postagem, consegue aumentar o alcance de algo que compartilhou.

No primeiro circulo estão suas conexões. No segundo estão conexões de seus amigos. Peguei esse exemplo em especifico para mostrar que eu ganhei uma curtida de fora do meu circulo de contatos, graças à curtida que ganhei da minha conexão. Se você marcar alguém em uma postagem, o alcance é muito amplificado (assim como no Facebook).

Outra ferramenta de inteligência que está no LinkedIn é acessada caso você clique no primeiro bullet do quadro acima. Você consegue ver quem foram as últimas cinco pessoas que viram seu perfil (se tiver um pacote premium, vê TODAS dos últimos 90 dias), de onde vieram as pessoas que viram seu perfil, de quais indústrias são etc. 

Nos pacotes premium, você consegue ver muito mais coisas, inclusive filtrar quem foram as pessoas que estão observando seu perfil, seja por profissão, cargo etc.

Essa ferramenta te dá acesso a algo chamado de Small Data (isso mesmo, o primo pobre do Big Data). Aprenda a correlacionar os dados de seu LinkedIn, entenda a lógica por trás dos perfis que as suas atualizações estão atraindo e se posicione cada dia melhor na rede!

 

4 - A foto

 

Esse é um ponto muito delicado. A sua foto diz muito sobre você ou a importância que você dá à sua imagem. Vocês vão falar "mas pelo amor de deus, Renato, olha a sua foto!!". Curtiram? Pergunte a quem me conhece se eu deveria usar alguma outra foto.

Essa foto diz muito de mim, pois embora eu tente me "enquadrar", ainda estou desalinhado, não caibo no parâmetro. Sim, tem um estudo nisso ai, não é só "ah, sou geração Y, deixa eu botar um fogo". (Passei já pela situação de "Quase não li o que você escreveu, por causa da sua foto. Mas agora essa pessoa é um excelente contato).

Coloque uma foto que diga algo de você. O cara de criação tem que ter uma foto diferente do CEO, que tem que ter uma foto diferente da pessoa do RH. 

Aliás, ponto extremamente importante: já notaram que as pessoas de RH usam fotos extremamente intimistas? As mulheres colocam ou fotos muito próximas de seus rostos ou imagens quase que pousadas para ensaios de book de moda, e os homens fazem aquela postura de "I'm the man in charge, I roll the nickels".

Honestamente, a pessoa de RH é a que deveria ter a foto mais amistosa e convidativa, que deveria se preocupar em atrair as pessoas e envolver com o conteúdo do perfil. O RH merece um capítulo a parte.

Acima de tudo, apele para o bom senso. Selfie, foto do decote (isso, do decote e não do seu rosto), foto com duck face, cara de mal, ou ostentando não são legais.

As pessoas reclamam muito que o LinkedIn não é o Facebook, mas fazem de tudo para viver daquela sensação que existe na rede do Mark Zuckerberg: a aparência. Se você é um profissional que é só aparência, desconsidere tudo e taca-lhe pau nesse carrinho da forma que quiser (mas segura o forninho depois).

 

5 - Use o LinkedIn

Endosse pessoas, compartilhe conhecimento, dê seu ponto de vista em textos das outras pessoas, gere discussões de valor, participe de grupos, siga companhias, adicione pessoas que conhece, recomende profissionais que trabalhou, procure emprego, poste um emprego... Use o LinkedIn.

Embora eu tenha colocado acima algumas boas práticas, a verdade é que você tem que sentir a sua rede, entender para onde o barco toca, e saber como se posicionar e diferenciar o seu perfil. Tenho um outro texto que pode ajudar nessa parte: Usando o LinkedIn a seu favor (e sem mimimi).

É isso. Ficou longo, né? Novamente, são apenas boas práticas, coisas simples que farão a diferença no seu perfil. Seria um prazer levantar essa discussão com vocês! E, ah: o LinkedIn ainda não indexa #hashtags. Mas, de qualquer forma, #ficaadica.

* Renato Galisteu é especialista em comunicação e mídia social e jornalista de tecnologia. Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn.