Ricardo Fritsch

Lendo o artigo do Jonatas Abbot sobre “Os gaúchos do não e a Bits” - excelente artigo, aliás, o que não é novidade, em se tratando do Jonatas -, logo comecei a traçar um paralelo com o Fórum Internacional Software Livre (Fisl), evento que atrai milhares de participantes ligados à tecnologia e inovação para Porto Alegre há 15 anos.

A Associação Software Livre.Org, que realiza e organiza o Fisl, participou ativamente das atividades de atração da Bits para Porto Alegre, junto com a Softsul e Câmara Municipal.  

Mostramos o Fisl para a Deutche Messe, demonstrando que nossa cidade possui potencial e capacidade para sediar um evento desta magnitude. Como gaúcho, tenho enorme orgulho de dizer que Porto Alegre sedia o Fisl e a Bits, posicionando nosso estado como fornecedor de alta tecnologia para o mundo.

A maior participação no evento foi de americanos, seguido por uruguaios,  argentinos e mexicanos.  Houve participações de pessoas vindas da França, Canadá, Alemanha, Paraguai, Venezuela, Holanda , Suíça, Bélgica, Dinamarca, Equador, Índia, Itália, Peru, Portugal, Rússia e Reino Unido.

Dentre os brasileiros, o maior número de participantes foi do Rio Grande do Sul, seguido de Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Todos os estados brasileiros estiveram representados, mostrando a abrangência dos participantes.

Como curiosidade, a maior caravana veio de Frederico Westphalen (UFSM-CAFW), com 108 participantes. E a caravana mais distante veio de Pau de Ferros – RN, com 19 participantes.

Muito importante e agregadora a realização das reuniões do CETI (Comitê da Entidades do TI do Rio Grande do Sul), da Câmara de Gestão da Tecnologia e Inovação do CRA (Conselho Regional de Administração) e do Comcet (Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia de Porto Alegre) e da RISoL (Rede Internacional de Software Livre).

O tema central foi segurança e privacidade: o software livre na luta contra a espionagem.  Nesta linha, foram realizados intensos debates sobre o Marco Civil da internet, e a soberania tecnológica.  

Falando nisso, você sabia que o Marco Civil da Internet começou no Fisl? Foi na 10ª edição, quando demos o pontapé inicial desta lei, construída colaborativamente pela sociedade civil e depois submetido ao Congresso e assinado pela Presidenta Dilma.

A legislação tornou o Brasil referência mundial em termos de legislação sobre os direitos dos usuários de Internet.

Nas primeiras edições, o assunto no Fisl era software livre.  Com o passar dos anos, tomou outros rumos, seguindo para as temáticas de hardwares livres, cultura digital, redes livres e internet livre.

Mais recentemente, foi criada a Sala Paulo Freire, o espaço de educação no Fisl .  Debates e apresentações sobre educação e tecnologia foram o assunto principal nesta sala, que esteve sempre lotada, exigindo inclusive a montagem de um anexo, para atender a demanda pelo assunto.  

Para que tudo isso funcione, precisamos de energia. E desde o ano passado, a revolução energética entrou na pauta do Fisl, com a apresentação de vários experimentos que visam demonstrar alternativas para o atual modelo energético.

Cada vez mais a mulher adquire importante papel na tecnologia.  A Rodada Hacker, só para mulheres, e o Grupo Mulheres na Tecnologia debateu e mostrou importantes trabalhos existentes no ramo.

Uma das vice-pressidentes da TDF (The Documento Foundation), instituição líder do Projeto LibreOffice, é uma mulher brasileira que esteve presente no Fisl.

O número de atividades na grade de programação do Fisl15 contou com 388 atrações divididas em 16 salas simultâneas.  Bitcoin e as criptomoedas, mapas coletivos (Open StreetMap), alternativas seguras ao correio largamente espionado pela NSA, alternativas para suite de escritório (planilhas, editores de texto e apresentação), alternativas para a área gráfica (desenho, CAD, 3D, vetores), Cloud computing e Big data fizeram parte do debate.

Além disso, wikipedia, humor e arte, neurotecnologia, ciclismo ( ), IPV6, HTML5, Games, ERP, CRM, WebTV, Redes Sociais (Noosfero e Diáspora), drones e aplicações mobile, além dos já tradicionais linguagens de programação, navegadores internet, servidores de aplicação, bancos de dados e redes de computadores também estiveram presentes. Tudo isso transmitido ao vivo pela internet através de 8 canais da TV Software Livre.

Para o próximo ano o Fisl16 já tem data marcada, se realizará em 8 a 11 de julho, no Centro de Eventos da PUCRS. A Bits vai acontecer de 11 a 13 de agosto de 2015, no Centro de Eventos FIERGS.

“Precisamos de eventos fortes no Brasil e no Rio Grande do Sul”. O Fisl e a Bits estão aí. Que a comunidade de TI do estado lá esteja, muito bem representada.

 

*Ricardo Fritsch é coordenador geral da Associação Software Livre.Org – Organizadora do Fisl.